Candidatos autistas denunciam irregularidades em concurso do CBMDF
7 Mar, 2026
Candidatos aprovados nas etapas iniciais do concurso para o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) denunciam irregularidades ocorridas durante a avaliação biopsicossocial, etapa obrigatória da seleção, que culminou na eliminação de todos candidatos autistas. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recebeu e estão em análise, até o momento, oito manifestações a respeito da avaliação, conforme apurou o . À reportagem, uma candidata, que pediu para não se identificar, contou que a avaliação ocorrida no dia 1o de abril foi marcada por uma logística exaustiva, com candidatos permanecendo no local por até 16 horas. Ela também afirmou que os candidatos autistas não foram avaliados por psiquiatras ou neuropsicólogos, mas sim por profissionais de áreas não correlatas ao transtorno, como nutricionistas, assistentes sociais e médicos do trabalho. Além disso, os exames foram descritos como extremamente superficiais, durando cerca de cinco minutos, tempo considerado insuficiente para aferir a condição clínica ou a aptidão de um candidato. Ela também contou que avaliadores teriam utilizado os próprios laudos e dificuldades declaradas pelos candidatos como justificativa para a inaptidão. Perguntas sobre uso de medicamentos e dificuldades cotidianas teriam sido usadas para fundamentar o indeferimento. O concurso oferece 356 vagas imediatas, além de formação de cadastro de reserva. São 130 vagas de nível superior para soldado do quadro geral de praças. Também há 20 vagas para bombeiro militar músico; 60 para técnico em enfermagem; e 100 para condutor de viaturas. Para esses cargos, o salário inicial pode chegar a R$ 8,9 mil. Os editais preveem ainda 23 vagas para oficial cadete, com remuneração inicial de R$ 15,2 mil, além de outras 23 oportunidades, com o mesmo salário, destinadas às áreas de medicina, enfermagem, direito e contabilidade. A banca organizadora, o Instituto Idecan, e a corporação foram procurados pela reportagem para comentarem sobre o caso. Até o momento da publicação da matéria, não houve respostas. O espaço segue aberto.