Eu não posso provar, mas Resident Evil Requiem tem inúmeros detalhes que implicam fortemente que RE5 Remake está por vir

admin
8 Mar, 2026
Este artigo contém spoilers de Resident Evil Requiem Resident Evil Requiem já está em nossas mãos e, como nossa análise deixa claro, é um enorme sucesso. Mas o que vem a seguir para a longeva série de terror da Capcom? Resident Evil estabeleceu um ritmo de lançamentos nos últimos anos que alterna entre novos jogos principais e remakes extravagantes. Com o remake mais recente sendo uma reformulação da icônica aventura de Leon S. Kennedy ambientada na Espanha, Resident Evil 4, o próximo da lista provavelmente será a odisseia cooperativa de Chris Redfield e Sheva Alomar, Resident Evil 5 . Isso seria interessante por muitos motivos, mas para tornar as coisas ainda mais intrigantes, uma das revelações da trama de Resident Evil Requiem parece indicar as maneiras pelas quais a Capcom pretende alterar a continuidade da série em um hipotético remake do quinto capítulo principal. Vamos analisar como Requiem pode estar preparando o terreno para um remake de Resident Evil 5 que altera a história. Grande destaque para Spencer Mesmo quem nunca jogou um Resident Evil provavelmente já ouviu falar da Umbrella Corporation, a nefasta empresa farmacêutica por trás de muitos dos eventos da série. Mas é menos provável que conheçam Oswell E. Spencer, o fundador e CEO da Umbrella. Embora raramente apareça diretamente nos jogos, Spencer pode ser considerado o principal antagonista de toda a franquia. Afinal, o primeiro jogo se passa em sua mansão, e a complexa teia de vírus, monstros e facções da série quase sempre se conecta a Spencer de alguma forma, devido ao seu trabalho inicial com armas biológicas. No ato final do jogo, a protagonista Grace Ashcroft descobre que sua mãe, a repórter Alyssa Ashcroft, entrevistou Spencer em seus últimos anos de vida. Durante o encontro, Spencer explicou que estava cuidando de uma criança órfã – a própria Grace – e a entregou aos cuidados de Alyssa. Ele também pareceu expressar genuíno remorso por toda a morte e destruição que causou. Requiem reforça essa ideia com a reviravolta de que Elpis, o projeto final secreto de Spencer que os vilões buscavam durante todo o jogo, não é uma nova arma biológica como eles acreditavam, mas sim um agente antiviral capaz de curar infecções causadas pelos vírus da Umbrella. No final "bom" de Requiem, Grace percebe que Spencer queria se redimir por seus atos usando Elpis para neutralizar as armas biológicas que ele criou. Ela libera o antiviral no mundo e Leon é salvo da infecção pelo Vírus T. A cena da conversa entre Spencer e Alyssa é notável porque conseguiu evocar pena e até um pouco de simpatia em mim por um personagem que eu sei ser um lunático egocêntrico responsável por inúmeras atrocidades e milhões de mortes. Esse é o poder de um roteiro e dublagem fortes. Mas, embora tornar Spencer mais simpático tenha um propósito específico dentro da história de Requiem, a ideia de que ele tinha arrependimentos antes de sua morte carrega enormes implicações para o cânone estabelecido da série, especialmente em relação ao lugar de Resident Evil 5 na linha do tempo. Ataque de Flashback Spencer fez uma de suas poucas aparições presenciais em Resident Evil 5, surgindo em uma cena de flashback na qual ele conversa com outro antagonista da série, Albert Wesker. Spencer é mostrado como um homem idoso em uma cadeira de rodas, mal conseguindo se agarrar à vida enquanto ainda defende sua filosofia eugenista. Ele delira sobre como tinha o “direito de ser um deus” e revela a Wesker que fazia parte de um programa criado para desenvolver seres superiores, dos quais Spencer seria o mestre. Wesker então mata Spencer, dizendo que ele foi “arrogante até o fim”. Esta é a morte canônica de Spencer, embora esta versão dela seja incongruente com as revelações de Requiem. Mas isso pode não ser um problema se um remake de Resident Evil 5 reformular esta cena e o papel de Spencer na trama para se adequar à sua nova imagem, mais arrependida. A morte de Spencer na campanha principal de Resident Evil 5 é apenas parte de uma cutscene, mas a sequência se tornou mais interativa com o DLC Lost in Nightmares. A expansão mostra Chris Redfield e Jill Valentine lutando contra Wesker logo após ele matar Spencer, com você lutando na mesma sala em que ele comete o crime. Caso esta sequência seja recriada e integrada à campanha principal de um possível remake de RE5, a Capcom teria a oportunidade de reescrever os momentos finais de Spencer para que se alinhem melhor com as revelações de Requiem. Este poderia ser o primeiro momento na cronologia da série em que nossos heróis descobrem os verdadeiros sentimentos de Spencer sobre seu legado. E como o DLC é uma das poucas partes de RE5 que mecanicamente se assemelha à jogabilidade clássica de survival horror da franquia, ele é um forte candidato a ser incluído em um remake que, presumivelmente, buscaria reformular a história para melhor se adequar às ambições renovadas da série no gênero survival horror. Faz certo sentido a Capcom fazer isso, porque essa mesma cena já foi alvo de uma retcon. Na conversa entre os vilões, Spencer afirma que Albert era o único sobrevivente do programa Wesker, mas isso se provou falso quando descobrimos sobre Alex Wesker, a principal vilã de Resident Evil: Revelations 2. A Capcom já foi bastante liberal com seus remakes de Resident Evil, fazendo ajustes na continuidade anterior. O remake do primeiro jogo introduziu personagens completamente novos, sendo o mais notável Lisa Trevor, filha do arquiteto da Mansão Spencer. A Umbrella usou Lisa como cobaia, e seu corpo mutante foi o receptáculo do qual William Birkin, um dos principais vilões de RE2, extraiu o Vírus-G daquele jogo. O remake de Resident Evil 2, por sua vez, adiciona muita profundidade e nuances a personagens como Ada Wong, Marvin Branagh e Annette Birkin. O ponto mais importante é que o remake de Resident Evil 4 termina com Ada roubando a amostra dominante da Plaga (conhecida como "o Âmbar") e se recusando a entregá-la a Wesker, algo que definitivamente não aconteceu no jogo original. Como o trabalho de Wesker com Las Plagas criou muitas das ameaças presentes em Resident Evil 5, essa alteração (assim como a revelação de que Wesker recuperou o cadáver de Jack Krauser) sugere que o contexto de como os monstros de RE5 surgem será diferente no remake, que aparentemente é inevitável. O que isso significa para Resident Evil 5? Os recentes jogos da franquia Resident Evil que sugerem que os eventos de RE5 serão diferentes na nova continuidade são fortes indícios de que um remake do quinto jogo é praticamente certo. Embora os remakes tenham sido um empreendimento criativo de grande sucesso, Resident Evil 5, em particular, é um tema interessante para um remake. Tanto sua mecânica quanto sua narrativa em relação ao resto da franquia são um tanto problemáticas, e um remake oferece a oportunidade de suavizar essas discrepâncias. Duvido que um remake abandone a campanha cooperativa – um dos recursos mais amados e fundamentais da versão original – mas o jogo marcou o ponto em que era quase impossível argumentar que a série ainda tentava ser um jogo de survival horror. Resident Evil 4 se saiu bem com a mudança para um estilo mais focado em ação porque revolucionou o gênero de tiro em terceira pessoa e foi uma aula magistral de tensão. RE5 não tem o mesmo pedigree e se distanciou ainda mais da atmosfera dos primeiros jogos, algo que poderia ser corrigido em um remake. Digo isso como fã do quinto jogo: ele realmente precisa de algumas mudanças significativas. Joguei Resident Evil 5 mais de 20 vezes, em diversas plataformas e com vários parceiros diferentes no modo cooperativo. É um excelente jogo para jogar com um amigo e perfeito para uma partida casual entre amigos. Dito isso, a insistência da série na mecânica de "parar e atirar", por mais apropriada que seja para os jogos clássicos, não contribui para a experiência frenética de dois jogadores que RE5 almeja, assim como sua tentativa extremamente primitiva de implementar mecânicas de cobertura para certos confrontos. Uma versão de RE5 que utilizasse os diversos aprimoramentos que a franquia implementou em sua jogabilidade nos anos desde o lançamento do original o tornaria mais inovador e dinâmico, em vez de um meio-termo estranho entre Resident Evil 4 e Gears of War. Mais importante ainda, os remakes de Resident Evil fizeram um trabalho excepcional ao aprimorar a credibilidade narrativa da franquia, com roteiros mais fortes e atuações mais convincentes, sem alterar significativamente os enredos de cada jogo. Resident Evil 5 se beneficiaria disso mais do que a maioria, tanto porque leva o tom exagerado e cuidadosamente elaborado de RE4 um pouco longe demais, beirando o absurdo maximalista, quanto porque o jogo não soube lidar da melhor forma com os perigos de ser um jogo de terror ambientado na África. RE5 tem sido alvo de controvérsia por insensibilidade racial desde antes mesmo de seu lançamento, e embora a percepção sobre a gravidade desse problema possa variar, é difícil absolver o jogo da acusação. Nem mesmo a protagonista secundária Sheva Alomar, sendo uma figura heroica, consegue eliminar o quão equivocadas são algumas partes de RE5. Não que a história não possa ser ambientada na África, mas os capítulos intermediários do jogo, com guerreiros tribais infestados pela praga, poderiam ser facilmente substituídos por algo mais condizente com a sensibilidade contemporânea. Independentemente de como a Capcom decida abordar um remake de Resident Evil 5, as alterações nesses jogos recentes indicam que o estúdio não irá recriar fielmente a história de RE5. Ainda não está claro como as mudanças no legado de Spencer e a decisão de Ada Wong afetarão a direção de um possível remake, então não podemos afirmar se essas alterações permitirão que a Capcom alinhe melhor o jogo com a sensibilidade criativa da era moderna, ou se simplesmente significarão ajustes menores na história. Não sabemos qual será o próximo Resident Evil após Requiem, mas quando o remake de Resident Evil 5 for lançado, parece que não será exatamente como nos lembramos. *Texto traduzido e adaptado por Vitor Conceição Inscreva-se no canal do IGN Brasil no YouTube e visite as nossas páginas no Facebook , Twitter , Threads , Bluesky , Instagram e Twitch !