Morre ex-síndica do edifício JK, em Belo Horizonte, aos 78 anos
14 Mar, 2026
Maria Lima das Graças, 78, ex-síndica do Edifício JK em Belo Horizonte , morreu na madrugada de hoje aos 78 anos de idade. O que aconteceu A causa da morte não foi informada. A informação foi confirmada ao UOL nesta manhã pelo síndico, Manoel Freitas, e por Écio Quaresma, advogado do prédio desenhado por Oscar Niemeyer e tombado como patrimônio da capital. Ela morreu no hospital Felício Rocho. Maria estava na unidade em tratamento desde agosto do ano passado, ainda de acordo com os representantes do condomínio. Em outubro, relatório médico de Maria indicou que ela estaria com um quadro de transtorno neurocognitivo. O documento, enviado à Justiça em um processo , dizia que a condição seria causada por "demência associada à doença de Alzheimer, com graves comprometimentos cognitivos" da paciente. Também foi apontado que a mulher sofreria com transtorno decorrente do uso de álcool. O enterro será hoje às 13h. A família optou por não realizar velório, mas o sepultamento será no Cemitério Bosque da Esperança, na capital mineira. Síndica ficou no cargo por 40 anos e virou ré em ação Em outubro, a mulher deixou o cargo de síndica após 40 anos e o edifício marcou uma nova eleição. Ela já estava afastada temporariamente por questões de saúde, mas a situação se agravou e tornou necessária a saída em caráter definitivo. Após a saída de Maria, gerente do prédio e também subsíndico foi eleito. Manoel Freitas, que trabalha no edifício há 20 anos, foi escolhido em chapa única. Prédio esteve cercado de polêmicas. Em 2024 , a Folha de S.Paulo divulgou uma denúncia de moradores que disseram que a administração do edifício exigiu o pagamento do condomínio em dinheiro em espécie. Já em 2023 , o jornal mostrou decisões controversas de Maria, como a exigência de um código de vestimenta para atendimento na administração do prédio. Maria e Manoel foram réus em um processo por omissão na conservação do Edifício JK, tombado em 2022. Na denúncia, o Ministério Público de Minas Gerais apontou que a falta de ação causou danos ao patrimônio cultural e indicou a ausência de documentos como o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) do prédio. Justiça negou afastamento dos dois das funções. Na época, a magistrada Maria Isabel Fleck disse que o tempo da dupla em seus cargos atestava a capacidade deles, "pelo menos por ora", de gerirem o edifício. Em fevereiro deste ano, o Condomínio JK e Manoel foram condenados. O atual síndico, que pode recorrer, recebeu pena de três anos, um mês e nove dias em regime inicial aberto. A pena, no entanto, foi substituída por prestação de serviços e ao pagamento de multa. Já o edifício terá de pagar R$ 300 mil para entidade pública ambiental ou cultural indicada pela Justiça. O processo contra Maria, por sua vez, foi desmembrado. Ele tramitava em segredo de justiça, mas deve ser ser suspenso com a morte dela.