Kleber Mendonça Filho: ‘Um filme pode ser mais verdadeiro que as narrativas oficiais’
14 Mar, 2026
LOS ANGELES - Na antevéspera do Oscar, o diretor Kleber Mendonça Filho , diretor de O Agente Secreto , refletiu sobre como o cinema pode refletir a realidade de forma mais precisa do que outros formatos de imagens. Ele participou de um painel, nesta sexta-feira, 13, ao lado dos demais diretores que tiveram seus trabalhos indicados na categoria de Melhor Filme Internacional. PUBLICIDADE “Acho que chegamos em um momento em que os filmes de ficção podem nos oferecer mais verdade do que o que é visto comumente como ‘imagens reais’ no noticiário”, disse o cineasta brasileiro. “Acho isso fascinante e ao mesmo tempo assustador e incrível. Podemos fazer filmes em que usamos atores, efeitos especiais, um ótimo som, um roteiro, e ainda assim ser mais verdadeiro que a maioria das narrativas oficiais que são tidas como a verdade.” Na reflexão, ele citou as imagens da guerra do Irã que circulam nas redes sociais. “não sabemos mais ao certo o que estamos vendo. Há a propaganda e, agora, os vídeos de IA [inteligência artificial]”. O evento ocorreu no Museu da Academia e colocou Kleber Mendonça Filho ao lado dos colegas J afar Panahi ( Foi Apenas Um Acidente ), Joachim Trier ( Valor Sentimental ), Oliver Laxe ( Sirât ) e Kaouther Ben-Hania ( A Voz de Hind Rajab ). Publicidade O diretor brasileiro foi recebido com palmas entusiasmadas do público, que contava não só com membros da equipe de O Agente Secreto como também com os atores Marco Pigossi e Samantha Schmutz – e, claro, brasileiros anônimos e cinéfilos. “Há muitos brasileiros na plateia”, divertiu-se uma das moderadoras. O painel é parte da chamada Oscars Spotlight Week, em que os indicados de diversas categorias discutem seus trabalhos diante do público. O ingresso para cada sessão custa US$ 10. ‘O Agente Secreto’: O que você precisa saber sobre o filme que concorre a quatro estatuetas no Oscar ‘O Agente Secreto’ é baseado em história real? Tem livro? Em nome do pai: Como os filmes do Oscar 2026 problematizam e colocam a figura paterna na berlinda Ao longo da conversa, Mendonça Filho falou sobre o vasto elenco de O Agente Secreto , que leva a assinatura do diretor de elenco Gabriel Domingues, indicado a um Oscar inédito. “Eu gosto de todos os processos de fazer um filme, mas o processo de escalar o elenco é o mais bonito, porque é quando você começa a encontrar o filme”, disse ele. O cineasta falou sobre a diversidade que se vê retratada no longa. “O Brasil é tudo. É negro, branco, indígenas, é uma mistura de tudo. E desde o meu primeiro filme eu tinha essa vontade de mostrar esses rostos que são reais no meu País, tenho muito orgulho dos rostos que temos em O Agente Secreto . Eu acho que eles são uma representação possível da vida no Brasil.” Tânia Maria , destaque de O Agente Secreto como Dona Sebastiana, foi citada. “Não conseguia parar de pensar nela quando escrevia. Ela se tornou uma grande estrela no Brasil, ela não pode mais sair na rua”, contou Mendonça Filho, que a definiu comp “ótima pessoa e ótima atriz”. Publicidade O cineasta relembrou ainda o ator alemão Udo Kier, que morreu no ano passado, e teve no longa um de seus últimos trabalhos. “Também escrevi para ele, a quem amo muito.”