A influência do Marrocos no futebol: mito ou realidade? Título da Copa Africana enfrenta polêmica

admin
20 Mar, 2026
Minicraques resurgem para a Copa do Mundo de 2026 com novo estilo, mas ‘mesma cabeça’ Bonecos de jogadores, similares à febre do Mundial de 1998, são lançados por fabricante de brinquedos com 42 modelos. Crédito: Leo Catto | Estadão Gerando resumo A surpreendente e inédita decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de invalidar o título do Senegal na Copa Africana de Nações resolvida em janeiro e conceder o título ao Marrocos está agora sob debate, questionando a influência desse reino nas instâncias deste esporte. Marrocos será coanfitrião da Copa do Mundo em 2030, junto com Espanha e Portugal, e o presidente de sua Federação, Fouzi Lekjaa, se movimenta muito bem nas águas políticas: é primeiro vice-presidente da CAF, membro desde 2021 do Conselho da Fifa e é uma figura próxima ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. No Marrocos costumam ser realizadas numerosas competições internacionais, como a última Copa Africana masculina, e esse país costuma receber partidas de outros países africanos como Burkina Faso, Moçambique, Guiné, Mali, Sudão ou Djibouti, seja pela instabilidade política nesses países ou pela falta de infraestrutura. “Desde que Infantino chegou ao comando da Fifa (em 2016), Marrocos adquiriu uma importância mais acentuada, especialmente através da figura de Fouzi Lekjaa”, explica à AFP Jean-Baptiste Guégan, especialista em geopolítica do esporte e professor na Universidade Sciences Po de Paris. Pedido de uma investigação Sem acusar explicitamente Marrocos, as autoridades senegalesas não hesitaram na quarta-feira em exigir uma investigação internacional por “suspeitas de corrupção” na CAF. “Existe o peso real de Marrocos e depois o mito”, pontua Guégan. “Os discursos conspiracionistas e que falam de complô, relacionados à influência de Marrocos, criaram um ambiente que afetou a final e que pode ter explicado a reação do Senegal”, pontuou. A Confederação Africana de Futebol apoiou sua decisão nos artigos 82 e 84 do regulamento da CAN, segundo os quais se uma equipe “se recusar a jogar ou abandonar o campo antes do final regulamentar da partida, será considerada perdedora e será eliminada definitivamente da competição em curso”. A final caótica da CAN em 18 de janeiro em Rabat foi vencida pelo Senegal por 1 a 0, com um gol na prorrogação. Vários dos jogadores senegaleses tinham abandonado temporariamente o campo como protesto por um pênalti duvidoso marcado a favor de Marrocos no acréscimo do segundo tempo do tempo regulamentar, pouco depois de um gol anulado ao Senegal. Depois, os senegaleses voltaram e decidiram continuar. Brahim Díaz perdeu o pênalti e a partida foi para a prorrogação, onde Senegal saiu vitorioso. O presidente da CAF, o sul-africano Patrice Motsepe, declarou nesta quarta-feira em um vídeo que “nenhum país africano se beneficiará de um tratamento preferencial, mais vantajoso ou mais favorável que outro”, insistindo na independência dos juízes do comitê de apelação de sua organização. O precedente do Espérance A Federação Marroquina lembrou à AFP o caso do Espérance da Tunísia em 2019, que foi declarado vencedor da Liga dos Campeões da África três meses após uma final na qual o Wydad Casablanca marroquino havia abandonado o campo durante o jogo para protestar contra uma falha do VAR. “Encontrai-me uma violação disciplinar mais clara. Senegal abandonou o campo. É preciso compreender a importância que tem para as instâncias não permitir que as equipes gerem caos para pressionar cada decisão arbitral que não lhes agrade”, explica uma figura familiarizada com as instâncias internacionais do futebol. “Não estou nem seguro de que os marroquinos esperassem isso, pretendiam sobretudo corrigir as sanções tomadas em primeira instância”, estimou a mesma fonte. A Federação Marroquina de Futebol havia sido multada em um total de US$ 315 mil dólares (R$ 1,6 milhão na cotação atual) e o capitão de sua seleção, Achraf Hakimi, havia sido suspenso por uma partida. “Esta decisão não beneficia ninguém, nem mesmo os jogadores marroquinos, para os quais ganhar a CAN nos bastidores não terá nenhum sabor”, estimou o francês Alain Giresse, ex-treinador de Senegal. O caso continuará no ar, pois a Federação Senegalesa de Futebol recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para tentar recuperar sua coroa.