Prêmio Turing 2026 coroa pioneiros da criptografia quântica

admin
20 Mar, 2026
Os pesquisadores Charles Bennett , físico americano da IBM, e Gilles Brassard , professor da Universidade de Montreal, receberam nesta quarta-feira (18) o Prêmio Turing de 2026 — considerado o “Nobel da computação” — pelo desenvolvimento da criptografia quântica. O método de segurança é baseado nas leis da física e pode se tornar o escudo definitivo das comunicações digitais na era das máquinas quânticas. O anúncio foi feito pela Association for Computing Machinery (ACM). A conquista vem acompanhada de US$ 1 milhão, que será dividido igualmente entre os dois pesquisadores, e representa o reconhecimento de décadas de trabalho que, por muito tempo, foi visto apenas como uma curiosidade teórica. Leia mais: Cientistas criam material quântico onde eletricidade flui sem gerar calor pela primeira vez Teletransporte quântico é demonstrado em redes de fibra existentes com 90% de precisão Nova tecnologia de laser pode revolucionar a computação quântica, apontam pesquisadores O RISCO DOS COMPUTADORES QUÂNTICOS Na computação quântica, as informações são processadas por qubits, que podem expressar os valores 0 e 1 simultaneamente — fenômeno chamado de superposição. Esse poder dá às máquinas quânticas uma capacidade de processamento incomparável, mas também representa uma ameaça direta à segurança digital atual. Algoritmos como o RSA poderiam ser quebrados, expondo dados de governos, bancos e bilhões de usuários. Pesquisas recentes mostram que o avanço dos materiais quânticos acelera esse cenário. Gigantes como Google, IBM e Microsoft, além de startups chinesas e europeias, correm para desenvolver computadores quânticos funcionais — o que acendeu a luz amarela em agências de defesa e no sistema financeiro global. O ex-CEO da Intel, Pat Gelsinger, chegou a afirmar que a computação quântica pode ser o estopim do fim da bolha da IA como a conhecemos. IBM/Divulgação – Universidade de Montrel/Divulgação O PROTOCOLO BB84 Em 1984, Bennett e Brassard publicaram um artigo que levou suas iniciais como nome: o BB84. Veja como o protocolo funciona na prática: Elemento Criptografia clássica Criptografia quântica (BB84) Base de proteção Complexidade matemática Leis da física quântica Detecção de espionagem Não detecta em tempo real Altera o sinal automaticamente Vulnerabilidade quântica Alta (RSA quebrável) Nenhuma conhecida Meio de transmissão Digital (algoritmos) Fótons via fibra óptica “É como se você tivesse um cadeado no envelope e, caso alguém tente violar o cadeado, o envelope se autodestrói. Na física quântica, se você tenta observar a informação, você atrapalha todo o sistema” , explicou Ana Paula Appel, embaixadora técnica de tecnologias quânticas e arquiteta sênior de IA na Red Hat. DA REJEIÇÃO AO PRÊMIO MÁXIMO A trajetória da dupla não foi linear. Nos anos 1980, Bennett e Brassard tentaram apresentar sua pesquisa em uma conferência da própria ACM e foram rejeitados. Décadas depois, a mesma organização descreve o BB84 como “um momento transformador na história da ciência da computação” . Os dois se conheceram por acaso em 1979, durante uma conferência em Porto Rico — e a parceria nasceu à beira de uma piscina. “Isso significa que a área de pesquisa que iniciei há décadas com Charles Bennett finalmente recebeu seu mais importante reconhecimento internacional” , disse Brassard ao The Globe and Mail. Bennett, por sua vez, afirmou: “Comecei a pensar na relação entre a física e a computação, e se poderia haver processos físicos que fossem fundamentalmente não computáveis.” Não à toa, o Nobel de Física de 2025 também foi para avanços ligados à computação quântica , sinalizando que a área vive seu momento mais relevante da história. O MERCADO E O “Q-DAY” O temor pela quebra da criptografia clássica — o chamado “Q-Day” — já é realidade no setor financeiro. No Brasil, Bradesco e Itaú mantêm áreas dedicadas ao tema. O mercado de tecnologia quântica deve movimentar: US$ 106 bilhões em 2040, segundo a Qureca US$ 2 trilhões em acréscimo até 2035 nos setores de química, finanças, ciência e mobilidade, segundo a McKinsey Conteúdo Relacionado Ficou confuso! O que muda com a "Lei Felca"? Todos os detalhes da Lei 15.211/2025 Via: BBC