Prevista para o começo de março, visita de Lula a Trump segue sem data

admin
21 Mar, 2026
Resumo O encontro entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estimado para o início deste mês em Washington, segue sem data para ocorrer. O que aconteceu A intenção foi expressada por Trump. Deste o final do ano passado, o governo norte-americano vem desenhando uma visita oficial de Lula à Casa Branca, mas a sucessão de conflitos em que os Estados Unidos têm se envolvido está empurrando a agenda, afirma o Itamaraty. A avaliação do Itamaraty é que, com o acirramento do conflito no Oriente Médio, visitas oficiais estão fora da prioridade de Trump. Nesta semana, o norte-americano cancelou, por exemplo, uma viagem à China —principal concorrente internacional dos EUA. O Brasil está em uma escala menor de importância. A estimativa de março foi feita pelo próprio presidente. "No começo de março, eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro, para que a gente possa discutir as boas relações entre Brasil e Estados Unidos", disse o presidente a jornalistas no final de janeiro, durante viagem à Cidade do Panamá. Como Trump que convidou, argumentam diplomatas, é ele quem deve estimar o formato e a data do encontro. A última vez que Lula foi à residência oficial dos Estados Unidos, o presidente ainda era o democrata Joe Biden. Segurança e economia estão na pauta principal. Como levantou no ano passado, o governo brasileiro quer aumentar a integração das inteligências dos dois países, junto a outras nações do continente, para tentar intermediar e bloquear o trânsito das mercadorias e o fluxo de dinheiro de organizações criminosas, sem que isso afete "qualquer questão de soberania". Esta conversa se mostrou ainda mais urgente depois de a possibilidade de classificação do Comando Vermelho e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. Na visão do Itamaraty, ela abre caminho para sanções financeiras e para interferência em assuntos internos. Lula também quer abordar as sequelas do tarifaço. Uma das intenções é debater suspensão total das taxações extra, em especial após a decisão de ilegalidade pela Suprema Corte norte-americana —e Trump ter dobrado a aposta. Minerais críticos também devem fazer parte da discussão. As chamadas terras raras, nas quais o Brasil é abundante, se tornaram foco de interesse internacional e norte-americano. Lula já indicou que aceita cooperação sobre o tema, mas sem interferir no gerenciamento pelo Estado brasileiro. Os dois governos continuam o diálogo. Embora o encontro não tenha data, diplomatas dizem que os setores econômicos e de segurança dos dois governos, incluindo a Polícia Federal, continuam cooperando entre si. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.