Premiação de R$ 2,6 mi, salários e clubes: Bob Burnquist explica renovação dos X-Games

admin
25 Mar, 2026
Conhecidos como Olimpíadas dos esportes radicais, os X-Games passaram a dividir atenção com muitas outras competições mainstream depois que o skate, uma das principais modalidades do evento, se tornou olímpico. Esse é um dos motivos que fez os organizadores buscarem novos formatos para o campeonato, que passará a funcionar também em formato de liga, com salários aos atletas dentro de um sistema de clubes, no qual o Brasil estará representado pelo Time São Paulo, cujo manager é a lenda Bob Burnquist . “É uma nova narrativa. A gente estava preso à narrativa olímpica. Tudo é Olimpíada, ponto, país... Meio que puxou um um vácuo. E o skate é muito mais do que isso. Só que dentro de um modelo de negócio, dos investimentos é: ‘vamos investir em campeonato olímpico, em coach para Olimpíada. É tudo em torno disso. Acho que o benefício é sair um pouco dessa narrativa para mim já está velha. Nem é a razão, mas agora você traz uma liga que não tem pontos para Olimpíada, tem pé por si só.” Bob Burnquist e Gui Khury durante draft das X-Games League. As competições individuais dos X-Games continuam, mas, paralelamente, haverá uma disputa entre quatro clubes com nomes de cidades: São Paulo, Tóquio, Nova York e São Francisco. Os integrantes desses times foram escolhidos durante um draft, nos mesmos moldes de esportes americanos como basquete e futebol americano, e vão receber apoio financeiro: passagens e hotel pagos para participar das etapas da liga, além de salário até o final da temporada, cujo valor total para cada atleta está na casa dos US$ 30 mil (R$ 157,1 mil). “Eu não tinha isso. Eu competia os X-Games, me machucava, não pagava nem a conta do hospital, era pela glória”, comenta Bob. “Isso traz uma oportunidade nova para os skatistas e atletas. Imaginam que o skate está em alta e a galera está recebendo bem, mas não é bem assim. Não é todo mundo que recebe bem. A elite ganha. Patrocínio não paga, porque quantos skates você precisa vender para pagar um salário bom?” O clube vencedor da X-Games League vai faturar US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões), valor que será repartido entre todos os setores da equipe . “O time divide com os atletas, então você vai ganhar um dinheirinho, é um dinheiro real, provavelmente a maior premiação da história dos esportes de ação”, explica o manager do Time São Paulo. O novo modelo da competição não segue divisões nacionais. Embora nomeados em homenagem a cidades, os times são compostos por atletas de todas as partes do mundo. O clube liderado por Bob é formado por Gui Khury (Skate), Sky Brown (Skate/Inglaterra), Ryan Williams (BMX/Austrália), Ibuki Matsumoto (Skate/Japão), Queen Saray Villegas (BMX/Colômbia), Garrett Reynolds (BMX/EUA), Giovanni Vianna (Skate), Gabriela Mazetto (Skate), Luigi Cini (Skate) e Raicca Ventura (Skate). São Paulo pode receber edição dos X-Games Há planos para que ações sejam realizadas com a equipe na capital paulista, que, no futuro, pode até voltar a receber uma edição dos X-Games, como ocorreu em 2008. “É óbvio que com um nome assim, teremos ativações em São Paulo com certeza, inclusive a ideia de eventualmente levar um X Games para São Paulo, para fazer parte da liga. Obviamente esse ano está tudo fechado, mas a gente olha sim para o futuro”, diz Bob. Ter um draft para a seleção de atletas não impede que os clubes adquiram atletas como “agentes livres”, assim como ocorre em outros esportes que adotam esse tipo de abordagem de negócios. Rayssa Leal, a grande estrela do skate brasileiro e atualmente lesionada, por exemplo, não participou do draft, mas pode ser contratada por um dos clubes. “Eu acho que se a Rayssa estivesse elegível para draft, provavelmente não chegaria a tempo para mim”, brinca o skatista multicampeão. “No caso dela e outros skatistas que não participaram do draft, eles podem participar como se fossem agentes livres. No caso da Rayssa, não sei como ela está, qual o nível de recuperação.” A ideia é que, com a consolidação do formato, surjam outros clubes, representando outras cidades. Esse tipo de organização pode parecer estranho aos esportes de ação, mas a organização em grupos faz parte da história de alguns deles, como o próprio skate, embora de maneira mais informal, por meio das chamadas crews. Existe um receio da comunidade de que a disposição de símbolos possa gerar rivalidades pouco saudáveis, comuns aos esportes coletivos, mas Bob confia na manutenção da coletividade pela qual as modalidades radicais são conhecidas. Ele tem, inclusive, conversado com a organização para que a identidade não se perca. “Futebol, religião, política são coisas que energizam as pessoas. Acho que as pessoas vão querer torcer pelo time São Paulo, porque se identificam com a Sky Brown, se identificam com o Gui. O cara pode ser de Tóquio. No basquete, rola muito. O LeBron troca de time e a galera vai comprando a camisa. Acho que eles estão tentando trazer um novo layer. Trazer as pessoas para elas torcerem comprarem as peças”, reflete. “Então, existe um tentar trazer a torcida junto. Mas não sei se vai acontecer exatamente como eles imaginam, pode ser um pouco diferente, porque o nosso mundo é um pouco diferente... O lance de tentar traze um uniforme, como de futebol para o nosso time, eu estava falando que não funciona. Mas se você trazer uma uniformidade, cor... é isso que eu estava tentando passar para eles: é a não obrigação”, conclui.