Prefeitos de capitais mantêm renúncia em segredo e agitam bastidores no NE
27 Mar, 2026
Prefeitos de capitais mantêm renúncia em segredo e agitam bastidores no NE Resumo A uma semana do fim do prazo para que políticos deixem seus cargos públicos para concorrer nas eleições de 2026, dois prefeitos de capitais do Nordeste seguem fazendo mistério sobre renúncias, apesar de figurarem como nomes fortes nas disputas ao governo. São eles: João Henrique Caldas, o JHC (PL), de Maceió; e Eduardo Braide (PSD), de São Luís. Até ontem, eles não confirmavam, nem negavam suas saídas. O prazo para renúncia termina no dia 4 de abril, e no Nordeste dois prefeitos de capitais já anunciaram que vão renunciar: João Campos (PSB), do Recife; e Cícero Lucena (MDB), de João Pessoa. Eles vão concorrer aos governos de Pernambuco e Paraíba, respectivamente. Nem mulher sabe em São Luís No caso de Eduardo Braide, aliados dizem que "nem a esposa dele" sabe se ele vai renunciar. Braide lidera a corrida de intenção de votos para o governo maranhense, mas viu a distância cair nos últimos levantamentos diante do maior concorrente, o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão (sem partido). Como revelou o UOL na semana passada, Braide está em conversas com o PT para formar uma chapa conjunta e que teria o vice-governador Felipe Camarão (PT) na disputa ao Senado. Braide, porém, analisa qual seria a receptividade do eleitor, já que nas duas eleições à Prefeitura de São Luís venceu usando o discurso de neutralidade e isento a ideologias. "Nem esquerda, nem direita: pra frente", costuma dizer. Rachas e dúvidas No caso de Maceió, a situação é mais enigmática: o prefeito foi destituído da presidência do PL no fim de semana passado, após vazar a informação de que ele negocia sua filiação ao PSDB. Em seu lugar, o PL no estado passou a ser comandado pelo deputado federal bolsonarista Alfredo Gaspar, que deixa o União Brasil. Ele é o relator da CPMI do INSS e deve ser candidato ao governo ou ao Senado. Procurado por meio de sua assessoria ontem, JHC não confirma nada. Na quarta-feira disse à imprensa durante agenda como prefeito que vai resolver apenas "na hora certa". Nem mesmo sua saída do PL foi confirmada por ele. Desde 2022 que o nome do prefeito é cogitado para candidatura ao governo de Alagoas. Naquela ocasião, ele preferiu não renunciar ao cargo porque tinha apenas um ano e três meses à frente da Prefeitura de Maceió. Desde aquela eleição, ele é tido como candidato natural ao governo alagoano, mas as coisas mudaram em julho do ano passado, quando JHC emplacou a tia Marluce Caldas como ministra do Superior Tribunal de Justiça. Para conseguir a indicação do presidente Lula, fez um acordo para não disputar o governo, abrindo assim o caminho para uma eleição do ministro do Transportes, Renan Filho (MDB); nem ao Senado, facilitando assim a vida de Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP). Entretanto, JHC rompeu com Lira nos últimos dias após ensaiar uma candidatura ao Senado, mesmo cargo de Lira. Aliados espalham a versão de que ele deve ser candidato ao governo, mas nos bastidores duvida-se que ele entre na disputa por falta de apoio no interior. Segundo apurou o UOL, JHC está avaliando os cenários e analisa a possibilidade da candidatura da esposa Marina Candia (sem partido) para o Senado ou a Câmara Federal. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.