Barata ciborgue pode ajudar a achar vazamentos em dutos

admin
29 Mar, 2026
Em um laboratório universitário na zona industrial do oeste de Singapura, uma parede de caixas plásticas abriga os mais novos recrutas do serviço de emergência da nação insular: baratas ciborgues. Dezenas de baratas-de-madagascar —insetos marrons sem asas com aproximadamente o tamanho de um polegar humano adulto— foram equipadas com mochilas robóticas e treinadas para ajudar equipes de busca e resgate a localizar pessoas presas em zonas de desastre. Acadêmicos da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, vêm desenvolvendo os robôs híbridos de insetos há mais de uma década. Mas eles foram utilizados pela primeira vez há um ano, após o terremoto de magnitude 7,7 em Mianmar, que matou mais de 3.300 pessoas. Agora, o professor por trás do programa está trabalhando em uma tarefa mais prosaica para seu exército de insetos modificados, inspirada em sua infância no Japão. "No Japão, temos uma infraestrutura muito antiga", diz Hirotaka Sato, professor da Escola de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da NTU. "Estamos testando usos mais cotidianos, como verificar tubulações antigas." Sato é um pioneiro no campo dos insetos ciborgues. Seus primeiros esforços se concentraram em acoplar dispositivos nas costas de besouros-das-flores para controlar seu voo. Seu trabalho é reconhecido no Livro Guinness dos Recordes pelo primeiro voo controlado sem cabos de um besouro ciborgue, em 2015. As mochilas acopladas às suas baratas ciborgues também permitem que sejam controladas remotamente. Os dispositivos enviam pequenos sinais elétricos ao sistema nervoso da barata por meio de uma placa de circuito fixada em suas costas para fazê-las mudar de direção. No laboratório, um dos assistentes de Sato faz uma demonstração, usando um dispositivo portátil que parece ter saído de um console de videogame dos anos 1990. Ele guia a barata por um minicircuito de obstáculos usando pulsos elétricos que, segundo ele, não causam dor à barata. O modelo mais recente, diz o pesquisador, usa 25% menos voltagem do que as versões anteriores. A melhoria não é apenas uma questão de bem-estar animal —o uso mais eficiente de energia faz as baterias durarem mais. A vantagem de usar insetos modificados em vez de robôs é que as baratas, ao longo de milhões de anos de evolução, adquiriram agilidade e flexibilidade para rastejar por espaços apertados. E embora os dez ciborgues implantados em Mianmar não tenham conseguido localizar sobreviventes (por meio das câmeras infravermelhas que carregavam), Sato diz acreditar que funcionarão melhor em números maiores. Enxames de baratas ciborgues são mais viáveis agora que Sato e sua equipe desenvolveram um processo automatizado de fusão dos dispositivos às costas da barata em pouco mais de 60 segundos (o método manual anterior levava cerca de uma hora). Os dispositivos mais novos, projetados para ajudar nas inspeções de infraestrutura, parecem mais minicarruagens do que mochilas. Eles têm uma bateria maior, uma lanterna e uma câmera acopladas a uma plataforma com rodas que a barata puxa. Esse design é menos focado em manobrabilidade porque as missões que as baratas assumirão terão mais espaço do que operações de busca e resgate. Normalmente, elas serão usadas para percorrer quilômetros de tubulações subterrâneas, capturando imagens de danos e vazamentos. E, quando as baratas tiverem cumprido seu propósito, podem se aposentar, vivendo o resto de suas vidas em recipientes abastecidos diariamente com folhas frescas de alface. Singapura não é o único país desenvolvendo insetos modificados. Uma startup alemã anunciou no mês passado que também estava fabricando mochilas para baratas que poderiam ser usadas em guerras. A Swarm Biotactics disse que estava construindo dispositivos em miniatura equipados com sensores e dispositivos de comunicação. Estes poderiam então ser implantados em massa para fornecer reconhecimento. Em Singapura, as carruagens de baratas devem ser testadas primeiro no sistema de transporte para monitorar tubulações subterrâneas. Depois disso, Sato diz que imagina que mais lugares vão aderir à ideia. "A infraestrutura em muitos países está envelhecendo. Posso ver isso sendo usado em todos os lugares." Mas, ele acrescenta, Singapura não está interessada em evoluir para uso militar. As baratas, de acordo com ele, são "apenas para fins pacíficos".