RJ: eleição indireta com voto secreto para governo favorece candidato do PT

admin
30 Mar, 2026
Resumo André Ceciliano (PT) deve ser beneficiado caso o formato apoiado pela maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para a escolha do próximo governador do estado do Rio tenha sua aplicação confirmada. O que aconteceu STF formou maioria por eleição seja indireta e com voto secreto. Decisão veio após PSD questionar regras aprovadas pela Alerj (Assembleia Legislativo do Rio) em fevereiro para disputa. O formato abre espaço para que deputados da antiga base aliada de Cláudio Castro (PL) votem num nome de esquerda sem se comprometer. Espaço para "traição" joga a favor de Ceciliano. Sob condição de anonimato, fontes na Alerj disseram que o petista é bem-visto na Casa, presidida por ele entre 2019 e 2023, e que o voto secreto pode levar nomes de centro e direita a votarem nele sem medo de retaliação contra si e prefeitos aliados. Caso de vereador preso por morar na Cidade de Deus é lembrado. No último dia 11, Salvino Oliveira (PSD) foi detido pela Polícia Civil por suposta associação com o Comando Vermelho, posteriormente desmentida. Lideranças fluminenses como Washington Quaquá (PT) citam situação como exemplo da retaliação política. O aparelho do Estado no Rio é todo utilizado para esquemas políticos Washington Quaquá (PT), prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT, ao UOL News Ceciliano tem apoio de ex-presidente da Alerj. Na segunda (23), Rodrigo Bacellar (União) se reuniu com, pelo menos, 12 deputados que devem votar na eleição e apoiaram Douglas Ruas (PL) na disputa pelo comando da Alerj realizada na quinta-feira (26). Bacellar foi afastado da presidênca da Casa em dezembro pelo STF. À época, ele havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal por ter vazado dados de uma ação anterior da instituição a pessoas suspeitas de ligação com o crime organizado. Na última sexta (27), Bacellar voltou a ser detido por desdobramentos da mesma investigação. Somado aos votos que Ruas não teve, apoio de deputados que estiveram com Bacellar seria suficiente para eleger Ceciliano. Na votação posteriormente anulada pela Justiça do Rio, Ruas teve 45 dos 69 votos em disputa. Ao todo, 24 membros da oposição não o apoiaram. Somados aos 12 de Bacellar, eles seriam 36. Ruas é o nome a ser batido por Ceciliano. Filho do atual prefeito de São Gonçalo, o deputado estadual em primeiro mandato tem apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL) e Valdemar da Costa Neto para disputar o Palácio Guanabara na eleição indireta prevista para abril e na direta, marcada para outubro. Na direita, chances de Ceciliano são vistas com desconfiança. Entre os conservadores, há quem creia que o voto secreto "não muda muita coisa" e destacam a "grande maioria" obtida por Ruas. Uma pessoa ligada ao centro admitiu que a votação dele representou uma "demonstração clara de força política" da direita. Para complicar ainda mais o cenário, votação indireta para escolha de próximo governador deixou de ser certeza na sexta. Por decisão de Cristiano Zanin, ministro do STF, suspendeu por liminar a realização do pleito nesse formato. Agora, a questão deve ser debatida em plenário pelo tribunal. Desinteresse por reeleição em outubro faz com que Ceciliano não represente risco para Eduardo Paes (PSD). Pré-candidato ao governo do Rio na eleição direta de outubro, o ex-prefeito carioca lidera pesquisas sobre a disputa pelo Palácio Guanabara e é aliado do presidente Lula (PT), que é ex-chefe de Ceciliano. Petista comandava Secretaria Especial de Assuntos Parlamentares da Presidência até o último dia 20. Sua saída do cargo nessa data permite que ele seja candidato na eleição indireta, já que as regras da disputa preveem que ocupantes de cargos públicos se desincompatibilizem para poderem concorrer. Caso vença, Ceciliano governará o Rio até dezembro, num mandato-tampão. Ele será o primeiro petista a ocupar o cargo desde Benedita da Silva, que comandou o estado entre abril e dezembro de 2002 — após Anthony Garotinho, que era o governador, deixar a vaga para tentar disputar a Presidência da República. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.