Alunos e professores paralisam UnDF contra transferência de campus

admin
30 Mar, 2026
A transferência de cursos do Lago Norte para Ceilândia, sem consulta prévia, provoca paralisação, ocupação e críticas ao uso de recursos da universidade. Por Redação, com CartaCapital – de São Paulo Começou nesta segunda-feira a transferência do Campus Norte da Universidade do Distrito Federal (UnDF), que deixará o Lago Norte, em Brasília, para funcionar em Ceilândia, a mais de 30 quilômetros de distância. A medida foi determinada pelo governo do DF, que firmou contrato para instalar 11 cursos em um prédio alugado do Centro Universitário IESB, ao custo aproximado de R$ 110 milhões por cinco anos. O Campus Norte da UnDF foi inaugurado em 2022 A decisão, sem consulta prévia, desencadeou uma greve por tempo indeterminado de professores e estudantes. A paralisação foi aprovada em assembleia docente em 12 de março e teve adesão estudantil dias depois. Desde então, as aulas estão suspensas, e o movimento chegou a ocupar o Campus Norte por dois dias na última semana. Entre as principais críticas estão a falta de diálogo, o impacto financeiro do contrato — que será pago com recursos do fundo da universidade — e o que estudantes e docentes classificam como um processo de precarização do ensino público. O movimento também ocorre em meio a reivindicações mais amplas dos professores, que incluem valorização da carreira, melhores condições de trabalho e maior participação nas decisões administrativas da universidade, como uma eleição direta para a reitoria. A categoria ainda aponta ausência de instâncias deliberativas consolidadas e dificuldades no funcionamento de órgãos colegiados, o que, segundo os docentes, limita o debate interno sobre medidas estruturais. Uma representante da seção sindical dos docentes (SinDUnDF) que preferiu não se identificar destacou como central a falta de instâncias deliberativas formais. Ela ressaltou também que a legislação determina a composição majoritária de docentes nesses colegiados. De acordo com a representante, a inexistência desse espaço impacta diretamente decisões estruturais, como o caso da transferência de campus. “Por não ter conselho universitário, alunos e professores receberam um e-mail falando que no meio do semestre seria feita a transferência.” A alteração de endereço também levanta preocupações sobre permanência estudantil. Um levantamento do Diretório Central Acadêmico indica que cerca de 70% dos alunos podem ser impactados pela mudança, com risco de trancamento ou abandono dos cursos. Em um questionário aplicado a estudantes, 313 de 454 respondentes afirmaram não ter condições de se deslocar até Ceilândia. Grande parte dos alunos reside em regiões próximas ao atual campus, como Planaltina, Sobradinho, Paranoá e Varjão. Com a transferência, o trajeto até a universidade tende a se tornar mais longo e custoso. Já há registro de trancamentos de matrícula nas últimas semanas. A universidade orientou que as atividades acadêmicas dos cursos transferidos comecem em Ceilândia nesta segunda-feira. Também abriu um prazo até a próxima sexta-feira 3 para que estudantes manifestem interesse em mudança interna de curso, como alternativa para permanecer em unidades que não foram transferidas. Ou seja, um estudante que cursa o quarto semestre de Letras-Português pode se transferir para o curso de Tecnologia da Informação, por exemplo – o que demonstra improviso da gestão. A reitoria O governo do Distrito Federal e a reitoria da UnDF afirmam que a medida faz parte de um processo de reorganização administrativa e expansão da universidade, com o objetivo de ampliar o acesso ao ensino superior em regiões mais populosas do DF. Ceilândia é a maior região administrativa do Distrito Federal e uma das mais pobres. Apesar disso, estudantes e professores defendem que o investimento poderia ser direcionado à construção de campi próprios em terrenos e prédios já disponíveis para a universidade, em vez da locação de um espaço temporário. Também cobram políticas de permanência, como melhorias no transporte e na infraestrutura estudantil. A greve é encabeçada pelo SinDUnDF, que convocou um ato para esta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Distrito Federal. A posse de Celina Leão (PP) está marcada para esta segunda, exatamente no local.