Lula manda estudar novos limites para juros do rotativo
30 Mar, 2026
Lula manda estudar novos limites para juros do rotativo Planalto compara rotativo ao cheque especial, cita teto de 100% já vigente e avalia novas regras com juros altos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que a equipe econômica estude mudanças no crédito rotativo do cartão, modalidade com os juros mais altos do país. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) afirmou nesta 2a feira (30.mar.2026) que o presidente também pediu estudos sobre a taxa de juros. De acordo com ela, Lula comparou a modalidade ao cheque especial, que já tem limites, e defendeu a criação de algum tipo de referência para os juros do cartão. Gleisi disse que há uma regra que limita os juros a 100% da dívida, mas afirmou que a medida ainda não foi “operacionalizada”. Na prática, o teto já está em vigor, mas não impediu que o rotativo siga como a linha mais cara do país, o que tem levado o governo a discutir novas formas de regulação. Segundo ela, Lula questionou o nível cobrado no rotativo. “Ele disse: ‘Como é que pode um juro de crédito rotativo? Isso não tem justificativa. O juro do cheque especial já está tabelado em 8%, por que não ter referência?’”, afirmou, ao relatar a fala do presidente. O limite de 100% da dívida significa que os juros e encargos do rotativo não podem ultrapassar o valor original devido. Na prática, uma dívida de R$ 1.000 não pode gerar mais de R$ 1.000 em juros, limitando o total a R$ 2.000. A orientação foi dada ao secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, dentro de uma estratégia para reduzir o endividamento das famílias e atacar o custo do crédito. Dados mais recentes do BC (Banco Central) mostram que o rotativo segue como a linha mais cara do sistema financeiro. A taxa média chegou a 435,9% ao ano em fevereiro. Eis a íntegra do comunicado (PDF – 383 kB). No mesmo período, a taxa média de juros da economia subiu para 33,0% ao ano. Já as operações com recursos livres, onde está o cartão de crédito, atingiram 48,6% ao ano. O estoque total de crédito no país chegou a R$ 7,15 trilhões em fevereiro, com alta de 0,4% no mês. O avanço foi puxado principalmente pelas operações com pessoas físicas. Apesar da melhora recente, o endividamento segue elevado. Dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) mostram que 78,9% das famílias tinham dívidas no fim de 2025. Levantamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) indica que 73,3 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em janeiro de 2026. Lula tem defendido medidas para facilitar o pagamento das dívidas. O presidente afirmou que o governo busca alternativas para reorganizar o orçamento das famílias e reduzir o peso dos juros no crédito. Assista ao vídeo(58s): O debate sobre o crédito ocorre em meio a uma estratégia mais ampla do governo para melhorar o cenário econômico e reduzir a pressão sobre as famílias em ano eleitoral. Levantamento do Poder360 mostra que o conjunto de medidas já adotadas ou anunciadas pelo presidente soma ao menos R$ 403,2 bilhões em 2026, com foco em programas sociais, estímulo ao crédito e alívio financeiro para diferentes faixas da população.