"Queremos ampliar nosso impacto na sociedade"

admin
6 Apr, 2026
O novo reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Alessandro Fernandes Moreira, anunciou tratativas com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais para firmar uma parceria com a instituição em cursos de graduação e pós-graduação na área de mudanças climáticas e desastres, durante entrevista ao EM Minas, programa da TV Alterosa em parceria com o Portal Uai e o Estado de Minas. Moreira foi empossado no cargo em 19 de março e permanece até 2030. Ele citou os desafios a serem enfrentados, neste período, à frente da instituição: um novo câmpus em Betim, repasse de verbas do governo federal e políticas de permanência para os alunos. Moreira ainda fez uma avaliação do primeiro ano do processo seletivo seriado para ingresso na universidade, o Centro Nacional de Vacinas e a possibilidade do fim do ensino em tempo integral do Centro Pedagógico da UFMG. Confira a seguir os principais trechos da entrevista. O conteúdo também está disponível no canal do Portal Uai no YouTube. O senhor tem uma trajetória de mais de 30 anos na UFMG, inclusive com passagem como vice-reitor...Sim. Este ano faz 40 anos que pus meu pé pela primeira vez na universidade, como estudante de Engenharia Elétrica. Sou engenheiro eletricista formado na Escola de Engenharia da UFMG. Já estive em vários cargos de gestão na universidade, não apenas nesses últimos oito anos ao lado da professora Sandra (Goulart Almeida), como vice-reitor da instituição. Mas também como diretor e vice da Escola de Engenharia. Tenho uma trajetória de gestão acadêmica na universidade já com alguns anos de estrada. Qual seu principal desafio à frente da UFMG?São vários, mas tem um com importância muito grande para a universidade. A UFMG é a cara do Brasil. Temos uma política de inclusão muito madura, permitida inclusive pela Lei de Cotas. Costumo dizer que a inclusão precisa de uma política de permanência. Um grande desafio que a instituição tem é a política de permanência estudantil, não apenas do ponto de vista material (despesas), que são os investimentos que fazemos em restaurante, moradia, políticas acadêmicas, políticas de bolsa. Mas uma permanência qualificada do estudante.Outro desafio é o relacionamento que a gente tem com a sociedade. Essa é uma marca que queremos nessa gestão: ampliar nosso impacto na sociedade. São problemas cotidianos, da cidade de Belo Horizonte, do estado de Minas, do Brasil. Queremos estar sempre ali em sintonia, em sinergia, para solucioná-los. A evasão escolar na UFMG é uma preocupação?Evasão é uma preocupação em qualquer instituição de ensino. Precisamos qualificar o que é evasão. A universidade pública, em geral, tem uma forma de migração de estudantes que, às vezes, acontece. Isso é muito normal. Temos processos internos de troca de cursos, por exemplo. Evasão não é nosso principal problema. Muitas vezes, a migração de um curso para o outro não necessariamente é uma evasão. O senhor disse que se reuniu com o Corpo de Bombeiros para firmar um termo de compromisso. É um projeto que está começando, mas envolve um curso de formação?Estivemos reunidos com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e acertamos que vamos elaborar um protocolo de intenções, de formação de pessoas. A intenção é trabalhar e pensar na prevenção de desastres, por exemplo, nas enchentes, como podemos formar pessoas, conscientizar a população de um grande tema hoje, que são as mudanças climáticas. Estamos em uma parceria muito interessante com o Corpo de Bombeiros para criar, na instituição, cursos de formação, de graduação, de pós-graduação, principalmente, nessa área de mudanças climáticas e desastres. Vamos envolver Engenharia, Ciências Socioambientais, o Instituto de Geociências. Tem um campus novo da UFMG, em Betim, surgindo. Em que pé está?É uma demanda que veio do MEC (Ministério da Educação), provocado pela Prefeitura de Betim, para instalar naquela cidade, um campus universitário, principalmente nas áreas de tecnologia, inteligência artificial e outras que possam ser agregadas. Esse assunto está tramitando internamente, em nossos órgãos superiores e estamos nos preparando. Existe um cenário muito favorável, mas é um projeto, uma proposta que ainda está tramitando na universidade. Sobre o vestibular seriado, quais são os pontos positivos e negativos dessa implementação?O processo seletivo seriado tem uma importância grande de criar uma alternativa de ingresso na instituição. Há mais de 10 anos, a UFMG é 100% do Sistema Unificado (Sisu) pelo MEC. Vislumbramos que uma forma de ampliar a forma de ingresso é criar uma alternativa. Vamos pegar 30% das vagas da UFMG e colocar no processo seletivo seriado. Os outros 70% continuam no Sisu como sempre estiveram. Com isso, conseguimos trabalhar conceitos que muitas vezes, somente a prova do Enem não consegue. Estamos projetando, pelo sucesso do primeiro ano, algo em torno de 80 mil candidatos fazendo a prova. Pretendemos também ampliar para outras cidades. Como está a questão do repasse de verbas do governo federal para a universidade?Nos últimos anos, tivemos uma recomposição orçamentária. De fato, alguns anos atrás, tivemos dificuldades muito grandes com cortes mais profundos, não só na questão do orçamento discricionário da instituição, mas também nos órgãos de fomento. A gente vem reequilibrando. Costumo dizer que estamos saindo do CTI. Mas, a questão orçamentária ainda é muito séria. Não temos o orçamento que precisamos. A UFMG, recentemente, avançou em um ranking internacional que avalia universidades. Ele foi feito por uma agência que classifica universidades em todo o mundo e a UFMG subiu de posição mais uma vez. Em quais critérios? Qual a importância dessa avaliação?Os rankings são muito importantes e esse é o QS World University Rankings. Ampliamos em 50% as áreas que têm relevância dentro desse ranking, entre as 200 do país. Temos 33 áreas da instituição de ensino, que hoje figuram entre as 200 mais importantes do país. O ranking pode ser um balizador de para onde a instituição está migrando. O que faz a UFMG ser reconhecida, nacionalmente e até internacionalmente, como uma das maiores e melhores universidades do Brasil?A importância de uma universidade passa por orçamento, investimento em pesquisa, isso é fundamental. Nenhuma pesquisa aplicada nasce por acaso, é sempre resultado de um investimento numa pesquisa básica. Investimos em pesquisa básica, avançamos para pesquisa aplicada, investimos em nossas estratégias de transferência de tecnologia e conhecimento. Isso faz a importância da universidade. O que faz a universidade se mover é o seu corpo discente, nossos técnicos administrativos e nossos professores. Isso tudo é que faz a universidade acontecer.