Número de drones cresceu 12 vezes em cinco anos

admin
27 Apr, 2026
Número de drones cresceu 12 vezes em cinco anos Segundo o Ministério da Agricultura, estima-se que o Brasil tenha hoje 35 mil equipamentos em operação É virtualmente impossível dissociar a imagem de operações agrícolas avançadas do uso de drones no campo. A demanda crescente por serviços e tecnologias de agricultura de precisão tem acelerado a disseminação do equipamento, conhecido tecnicamente como veículo aéreo não tripulado, ou “Vant”. Segundo o Ministério da Agricultura, estima-se que existam 35 mil drones em operação no país, um número quase 12 vezes maior do que os 3 mil equipamentos que havia em 2021, quando o ministério publicou a Portaria no 298, que regulamentou o uso de drones. As vendas desses equipamentos têm crescido, em média, 30% ao ano, de acordo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Até 2030, as vendas totais desse mercado chegarão a US$ 6 bilhões no Brasil, projeta a entidade, que avalia que o uso de drones no campo deve passar a ser tão comum quanto o de tratores. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já atestou a importância crescente dos drones nas operações agrícolas. No levantamento Radar Agtech 2025, radiografia das startups do agro brasileiro que a estatal realizou em parceria com a gestora SP Ventures e a consultoria Homo Ludens, drones, máquinas e equipamentos agrícolas já integram a mesma categoria. Aurélio Favarin, analista de inovação aberta da Embrapa, diz que o sucesso do drone está ligado às atividades cotidianas que ele desempenha nas fazendas. “Hoje, os drones têm duas finalidades principais: aplicação de produtos na lavoura e mapeamento por imagem”, afirma ele. Segundo Ricardo Lise, que presta consultoria em operação de drones, a grande vantagem do equipamento em relação a métodos mais tradicionais de aplicação de insumos é qualidade da aplicação, já que o equipamento consegue atingir o alvo com mais precisão e rapidez. A precisão na aplicação deve-se a um efeito conhecido como “vórtice”, explica o especialista. O drone gera uma força de ar direcionada para baixo que ajuda a levar o produto diretamente até o alvo. Em métodos tradicionais, como a dispersão com uso de tratores, afirma o especialista, o produto - um defensivo agrícola, por exemplo - depende, em grande parte, da deposição natural, com a ação da força da gravidade. Outra vantagem, observa Lise, é a eliminação do “amassamento” na lavoura. No uso de pulverizadores tradicionais, os pneus das máquinas deixam marcas na plantação que acabam gerando perdas de produção de até 5%. Com o drone, essa perda é eliminada, já que a aplicação é aérea. Na Fazenda Nova Esperança, em Cesário Lange (SP), para a qual Lise presta consultoria, o agricultor Felipe Ribeiro conta que utiliza o drone diariamente. Inicialmente, ele contratava um serviço terceirizado, mas afirma ter concluído que valia a pena ter um drone próprio. “Isso representou uma mudança importante na operação”, diz. O produtor pretende, até o fim deste ano, usar o equipamento em 100% das áreas da fazenda e diminuir o uso de pulverizadores autopropelidos. A adoção de tecnologia exige um processo de aprendizagem. Jeferson Pereira trabalha há oito anos na Nova Esperança e é um dos responsáveis por operar o pulverizador. Recentemente, ele passou a receber treinamentos para se familiarizar com o drone. “No início, parecia que o drone viria apenas para complementar o que já existia. Mas, hoje, percebemos que ele tem potencial para transformar a operação e até substituir alguns equipamentos”, relata Pereira. Não há uma licença única para o uso de drones pulverizadores. O registro da aeronave é tarefa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) autoriza o uso do espaço aéreo e o Ministério da Agricultura define as regras da atividade aeroagrícola e os requisitos para as operações. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas