CCXP México tem Homem-Aranha pendurado no teto e colecionáveis de R$ 35 mil

admin
27 Apr, 2026
De tempos em tempos, a estação de rádio não deixava o ouvinte esquecer que os próximos dias seriam agitados na Cidade do México. "Na sexta-feira, nós teremos uma transmissão especial, porque é o começo da CCXP, o maior evento de cultura pop do mundo", dizia a locutora, sem fazer questão de esconder o entusiasmo. A euforia não era injustificada. Ao longo de seus 12 anos de existência, a feira se firmou como uma vitrine do que há de mais quente nas séries, nos quadrinhos e no cinema, atraindo sempre uma legião de nerds. A grande procura por ingressos para o evento, entre sexta (24) a domingo (26), se fez sentir ao andar pelos estandes mais populares do festival, como aquele dedicado à série "Supergirl". Estrelada por Milly Alcock, a produção deve estrear só no final de junho, mas já provocava burburinho na CCXP. Em frente ao estande da atração, dezenas de fãs se aglomeravam em uma fila para tirar fotos ao lado da fantasia da heroína ou para desenhar o emblema da personagem em uma tela interativa. Frenesi parecido pôde ser visto no estande dedicado a "The Boys" — série que se tornou queridinha dos geeks desde que estreou no Prime Video, há sete anos. Na entrada do ambiente, a réplica de uma baleia partida ao meio recepcionava o público, referência a uma cena emblemática da segunda temporada da série. Aqueles que tinham paciência para ficar na fila participavam de uma brincadeira ao entrar no estande. Dois grupos eram divididos para competir um contra o outro. Cada um dos competidores era instruído a colocar a mão dentro de uma piscina de bolinhas e retirar de lá um polvo de brinquedo. O grupo que encontrasse o objeto de forma mais rápida recebia um broche da série como prêmio. Apesar do grande número de frequentadores, o festival não teve transtornos relacionados à superlotação. Nos dias do evento, o público conseguia circular com tranquilidade pelos 34 mil m2 do Centro Banamex, onde a feira foi realizada. Por outro lado, a superlotação se tornou um problema recorrente na edição brasileira, onde é comum ver empurra-empurra e pessoas presas em filas por uma hora e meia. Como resultado, os frequentadores precisam ter muita persistência para entrar nos estandes ou acompanhar as entrevistas com os artistas. Os painéis da CCXP México, aliás, reservaram surpresas ao público. No sábado (25), cerca de 2.000 pessoas se reuniram para prestigiar o elenco da série "Spider Noir", que tem estreia prevista para o dia 27 de maio no Prime Video. Na produção, Nicolas Cage dá vida a uma versão sombria e melancólica do Homem-Aranha, herói que protege com seus poderes a Nova York dos anos 1930. Embora o artista não tenha conseguido ir ao festival por conflitos de agenda, o público não pareceu desapontado. Eufóricas, as pessoas gritaram e aplaudiram em diversos momentos do painel, que contou com a presença dos atores Li Jun Li, Lamorne Morris, Karen Rodriguez e Jack Huston, além do produtor executivo Oren Uziel. O entusiasmo aumentou quando o trailer da atração foi revelado. A animação do público, porém, atingiu o ponto mais alto no final do painel. Nesse momento, um dublê trajando o uniforme que Cage usa na série surgiu de uma plataforma presa no teto e aterrissou sobre o palco em meio à gritaria das pessoas. Comoção parecida foi observada no domingo (26), quando Pedro Pascal apareceu de surpresa durante o painel do filme "Star Wars: O Mandaloriano e Grogu", no qual ele dá vida ao protagonista. Vestindo uma camisa da seleção mexicana, o artista se emocionou ao ser ovacionado por uma multidão que gritava em uníssono o seu nome. O público, porém, não estava na CCXP só para prestigiar artistas ou tirar fotos de espaços instagramáveis. Muita gente apareceu por lá também para fazer compras. Uma das lojas mais disputadas era a IG Comics, especializada na venda de colecionáveis –réplicas detalhadas de personagens célebres da cultura pop. Quem quisesse levar um busto do ator Tom Holland na pele do Homem-Aranha, por exemplo, teria que desembolsar R$ 35 mil. É o mesmo valor do colecionável de Benedict Cumberbatch como o Doutor Estranho. Já os interessados pelo predador precisariam pagar R$ 33 mil para ter um colecionável desse personagem na prateleira de casa. Outra loja que comercializava esses itens era a Iron Store, fundada há nove anos em São Paulo. No estande da marca, era possível encontrar uma réplica dos protagonistas do filme "A Bela e a Fera" por R$ 5.900 e outra da Pequena Sereia por R$ 5.500. Apesar dos valores salgados, as peças seguem fazendo sucesso entre os aficionados por cultura pop. CEO da Iron Store, Renan Pizii diz que a nostalgia está por trás desse interesse. "Os colecionáveis são peças que remetem a algo importante da vida de uma pessoa", diz o empresário, que também é um dos fundadores da CCXP. "Existe um apego emocional com filme, série e vídeo game que faz o público querer imortalizar essas produções em suas prateleiras." O repórter viajou a convite do Amazon Prime Video