IA ajuda a monitorar minas e reservas

admin
29 Apr, 2026
IA ajuda a monitorar minas e reservas Tecnologia é usada para aumentar produtividade das operações e melhorar a gestão de riscos Cada vez mais, a tecnologia se torna uma peça-chave para a competitividade das mineradoras. A inteligência artificial, por exemplo, vem sendo usada para tornar mais preciso o processo de busca e exploração de reservas, atividades historicamente custosas. Por meio de “machine learning”, imagens de satélite e análises de dados geofísicos e geoquímicos, as empresas começam a chegar mais rapidamente aos depósitos, com estimativas mais exatas das reservas. Na Austrália, por exemplo, a integração das informações de mapas geológicos, imagens e dados aos modelos de IA permitiu à Rio Tinto reduzir de 30% a 40% o tempo de exploração, focando os recursos em locais com maior potencial de sucesso e reduzindo a pegada de carbono dos projetos. No Canadá, a mineradora usou IA para dobrar a eficiência na identificação de terras raras. No Brasil, a Vale vem incorporando o uso de IA como peça-chave da gestão de riscos geológicos e geotécnicos, com foco na segurança de pessoas, comunidades e ativos. Apoiado por uma combinação de sensores, equipamentos não tripulados e projetos de análise preditiva, os centros de monitoramento geotécnico funcionam 24 horas por dia, processando grandes volumes de dados, que permitem antecipar cenários e tomar decisões preventivas. Segundo a empresa, o uso de IA está integrado a uma abordagem preventiva e contínua de gestão de riscos. A mineradora mantém parcerias com universidades e centros de pesquisa e modernizou seu Laboratório de Geotecnia, ampliando aplicação de soluções digitais avançadas. A AngloGold Ashanti, mineradora que integra um dos maiores grupos produtores de ouro do mundo, adotou o uso de scanners dinâmicos para monitoramento geomecânico da mina de Cuiabá, em Minas Gerais, a mais profunda do Brasil, com 1.600 metros de profundidade e uma extensa rede de galerias subterrâneas em forma de espiral, com 330 quilômetros de extensão. A tecnologia usa feixes de laser para gerar imagens 3D das escavações, que permitem o acompanhamento mais preciso da estabilidade das rochas. Outra solução adotada pela AngloGold em sua operação brasileira é o sistema teleremote, que permite operar equipamentos pesados a partir da superfície, reduzindo a exposição de profissionais a áreas de maior risco e aumentando a eficiência das atividades. Além disso, a mineradora foi pioneira na América do Sul no uso de uma sonda de circulação reversa para operações subterrâneas, capaz de dobrar a produtividade em comparação a modelos anteriores. Na área de segurança, a AngloGold conta com um sistema de people tracking, que permite localizar pessoas em tempo real, dentro da mina. Com isso, cada pessoa é monitorada ao vivo pelo centro de controle operacional, permitindo mais agilidade na resposta a situações de emergência. A busca por tecnologia impulsiona a cadeia de fornecedores. “O mercado vem crescendo acima de 40% na indústria de minérios”, diz Leonardo Nogueira, diretor de marketing e vendas da Altave, uma das principais empresas de monitoramento por imagem para o setor de mineração no Brasil, sediada em São José dos Campos (SP). O crescimento fez a companhia expandir os negócios para Argentina e Peru. Nogueira explica que o monitoramento de imagens com análise por IA tem grande valor para as mineradoras, não apenas nas áreas de exploração, mas também em barragens e ferrovias. “Um dos grandes desafios nesse tipo de operação é garantir a conectividade, porque na maioria das vezes a exploração de minérios acontece em áreas remotas”, observa. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas