Há 15 anos, Obama anunciava a morte de Osama bin Laden; leia o pronunciamento
3 May, 2026
Por volta da 1 da manhã de 2 de maio de 2011, no terceiro andar de uma residência fortemente protegida em Abbottabad, no Paquistão, Osama bin Laden foi morto a tiros como resultado da Operação Lança de Netuno, realizada por 23 integrantes da tropa de elite dos Estados Unidos, além de um intérprete e um cão, o pastor belga Cairo. Nas roupas que o líder terrorista vestia, havia dois telefones costurados e o equivalente a 500 euros em cédulas. Em Washington, eram aproximadamente 16h. Mais tarde, às 23h35, o presidente Barack Obama anunciou o sucesso da missão durante um discurso de nove minutos em que lembrou o impacto do maior ataque já realizado contra moradores dos Estados Unidos no solo do país, resultado do sequestro de quatro aviões civis no dia 11 de setembro de 2001. Por quase uma década, o líder da organização terrorista Al Qaeda conseguiu escapar da perseguição até ser finalmente capturado, há 15 anos. Leia o anúncio da morte de Osama bin Laden “Boa noite. Esta noite, posso informar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos realizaram uma operação que matou Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes. Há quase 10 anos, um dia ensolarado de setembro foi obscurecido pelo pior ataque contra o povo americano em nossa história. As imagens do 11 de setembro estão gravadas em nossa memória nacional: aviões sequestrados rasgando um céu sem nuvens de setembro; as Torres Gêmeas desabando; fumaça negra subindo do Pentágono; os destroços do Voo 93 em Shanksville, Pensilvânia, onde as ações de cidadãos heroicos evitaram ainda mais sofrimento e destruição. E, no entanto, sabemos que as piores imagens são aquelas que o mundo não viu. O lugar vazio à mesa de jantar. Crianças que foram forçadas a crescer sem a mãe ou o pai. Pais que nunca conhecerão a sensação do abraço de um filho. Quase 3.000 cidadãos foram tirados de nós, deixando um vazio enorme em nossos corações. Em 11 de setembro de 2001, em meio à nossa dor, o povo americano se uniu. Estendemos a mão aos nossos vizinhos e oferecemos nosso sangue aos feridos. Reafirmamos nossos laços uns com os outros e nosso amor pela comunidade e pelo país. Naquele dia, não importava de onde viéssemos, a qual Deus rezássemos ou a qual raça ou etnia fôssemos, estávamos unidos como uma só família americana. Obama anunciou morte de Osama bin Laden em pronunciamento à nação. Estávamos também unidos em nossa determinação de proteger nossa nação e levar à justiça aqueles que cometeram esse ataque brutal. Rapidamente descobrimos que os ataques de 11 de setembro foram realizados pela Al-Qaeda — uma organização liderada por Osama bin Laden, que havia declarado guerra aos Estados Unidos e estava empenhada em matar inocentes em nosso país e em todo o mundo. E assim, entramos em guerra contra a Al-Qaeda para proteger nossos cidadãos, nossos amigos e nossos aliados. Nos últimos 10 anos, graças ao trabalho incansável e heroico de nossas forças armadas e de nossos profissionais de contraterrorismo, fizemos grandes progressos nesse esforço. Interrompemos ataques terroristas e fortalecemos a defesa de nossa pátria. No Afeganistão, derrubamos o governo talibã, que havia dado abrigo e apoio a Bin Laden e à Al-Qaeda. E, ao redor do mundo, trabalhamos com nossos amigos e aliados para capturar ou matar dezenas de terroristas da Al-Qaeda, incluindo vários que participaram do atentado de 11 de setembro. No entanto, Osama bin Laden evitou a captura e escapou através da fronteira afegã para o Paquistão. Enquanto isso, a Al-Qaeda continuou a operar ao longo dessa fronteira e através de suas afiliadas em todo o mundo. Assim, logo após assumir o cargo, instruí Leon Panetta, diretor da CIA, a tornar a captura ou eliminação de bin Laden a principal prioridade de nossa guerra contra a Al-Qaeda, mesmo enquanto prosseguíamos com nossos esforços mais amplos para desarticular, desmantelar e derrotar sua rede. Então, em agosto passado, após anos de trabalho minucioso de nossa comunidade de inteligência, fui informado sobre uma possível pista que levasse a bin Laden. Estava longe de ser uma certeza, e levou muitos meses para investigar essa pista a fundo. Reuni-me repetidamente com minha equipe de segurança nacional enquanto desenvolvíamos mais informações sobre a possibilidade de termos localizado bin Laden escondido em um complexo no interior do Paquistão. E finalmente, na semana passada, determinei que tínhamos informações suficientes para agir e autorizei uma operação para capturar Osama bin Laden e levá-lo à justiça. Hoje, sob minhas ordens, os Estados Unidos lançaram uma operação direcionada contra aquele complexo em Abbottabad, no Paquistão. Uma pequena equipe de americanos realizou a operação com extraordinária coragem e capacidade. Nenhum americano foi ferido. Eles tomaram cuidado para evitar baixas civis. Após um tiroteio, mataram Osama bin Laden e tomaram posse de seu corpo. Por mais de duas décadas, bin Laden foi o líder e símbolo da Al-Qaeda e continuou a planejar ataques contra nosso país, nossos amigos e aliados. A morte de bin Laden representa a conquista mais significativa até o momento no esforço de nossa nação para derrotar a Al-Qaeda. No dia seguinte ao ataque, jornalistas se aglomeraram do lado de fora da casa onde Osama bin Laden foi morto. No entanto, sua morte não marca o fim de nossos esforços. Não há dúvida de que a Al-Qaeda continuará a realizar ataques contra nós. Devemos – e iremos – permanecer vigilantes em casa e no exterior. Ao fazermos isso, devemos também reafirmar que os Estados Unidos não estão – e nunca estarão – em guerra com o Islã. Deixei claro, assim como o Presidente Bush fez logo após o 11 de setembro, que nossa guerra não é contra o Islã. Bin Laden não era um líder muçulmano; ele era um assassino em massa de muçulmanos. De fato, a Al-Qaeda massacrou dezenas de muçulmanos em muitos países, incluindo o nosso. Portanto, sua morte deve ser comemorada por todos que acreditam na paz e na dignidade humana. Ao longo dos anos, deixei claro repetidamente que agiríamos dentro do Paquistão se soubéssemos onde Bin Laden estava. E foi o que fizemos. Mas é importante ressaltar que nossa cooperação antiterrorista com o Paquistão nos ajudou a encontrar Bin Laden e o complexo onde ele estava escondido. De fato, Bin Laden também havia declarado guerra ao Paquistão e ordenado ataques contra o povo paquistanês. Esta noite, liguei para o presidente Zardari, e minha equipe também conversou com seus homólogos paquistaneses. Eles concordam que este é um dia bom e histórico para ambas as nações. E, daqui para frente, é essencial que o Paquistão continue a se unir a nós na luta contra a Al-Qaeda e seus afiliados. O povo americano não escolheu esta luta. Ela chegou às nossas costas e começou com o massacre sem sentido de nossos cidadãos. Após quase 10 anos de serviço, luta e sacrifício, conhecemos bem o custo da guerra. Esses esforços me pesam cada vez que eu, como Comandante-em-Chefe, tenho que assinar uma carta para uma família que perdeu um ente querido ou olhar nos olhos de um militar gravemente ferido. Portanto, os americanos entendem os custos da guerra. Contudo, como país, jamais toleraremos que nossa segurança seja ameaçada, nem ficaremos de braços cruzados enquanto nosso povo for morto. Seremos implacáveis na defesa de nossos cidadãos, nossos amigos e aliados. Seremos fiéis aos valores que nos definem. E em noites como esta, podemos dizer às famílias que perderam entes queridos para o terror da Al-Qaeda: a justiça foi feita. Esta noite, agradecemos aos inúmeros profissionais de inteligência e contraterrorismo que trabalharam incansavelmente para alcançar este resultado. O povo americano não vê o seu trabalho, nem conhece os seus nomes. Mas esta noite, eles sentem a satisfação do seu trabalho e o resultado da sua busca por justiça. Agradecemos aos homens que realizaram esta operação, pois eles exemplificam o profissionalismo, o patriotismo e a coragem inigualável daqueles que servem o nosso país. E eles fazem parte de uma geração que carregou o fardo mais pesado desde aquele dia de setembro. Finalmente, gostaria de dizer às famílias que perderam entes queridos no 11 de setembro que nunca nos esquecemos da sua perda, nem vacilamos no nosso compromisso de fazer tudo o que for necessário para evitar outro ataque em nosso território. E esta noite, recordemos o espírito de união que prevaleceu no 11 de setembro. Sei que, por vezes, esse espírito se fragilizou. Contudo, a conquista de hoje é uma prova da grandeza do nosso país e da determinação do povo americano. A causa de garantir a segurança do nosso país ainda não está completa. Mas esta noite, somos mais uma vez lembrados de que a América pode fazer tudo o que se propuser. Essa é a história da nossa trajetória, seja na busca pela prosperidade do nosso povo, seja na luta pela igualdade para todos os nossos cidadãos; no nosso compromisso de defender os nossos valores no exterior e nos nossos sacrifícios para tornar o mundo um lugar mais seguro. Lembremo-nos de que podemos fazer essas coisas não apenas por causa da riqueza ou do poder, mas por causa de quem somos: uma nação, sob Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos. Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América.” Fonte: Arquivos do governo Barack Obama [https://obamawhitehouse.archives.gov/blog/2011/05/02/osama-bin-laden-dead].