Por que novo SUV da GWM é a maior ameaça para o Corolla Cross no Brasil
4 May, 2026
Resumo Quando o assunto é Brasil, a GWM foi um dos destaques dos dias de prévia do Salão de Pequim, que termina no dia 6 de maio. A marca anunciou o início das vendas do Tank 300 flex, primeiro híbrido plug-in (recarregável na tomada) com a tecnologia que permite ao motor a combustão rodar com etanol ou gasolina. Além disso, confirmou a venda do elétrico Ora 5, modelo que tem chances de ser produzido na nova fábrica do Espírito Santo. Mas o que é mais importante a marca não anunciou oficialmente, embora tenha dado indícios de que é algo que deve ocorrer em breve: a versão HEV do Ora 5. A elétrica, posicionada acima do Ora 03, será como um laboratório para a configuração que vai realmente fazer a diferença da GWM. Não dá para dizer que o Ora 5 HEV será o carro da "virada do jogo" da GWM, pois a montadora já está indo muito bem no mercado brasileiro. Porém, poderá ser aquele que dará à marca volumes que, até hoje, apenas a BYD conseguiu alcançar entre as chinesas - com as linhas Dolphin e, principalmente, Dolphin Mini. Corolla Cross na mira É que o Ora 5 chegará com atributos de dois dos principais representantes do segmento de SUVs: compactos e médios. São 4,47 metros de comprimento, 1 cm a mais que o Corolla Cross. Em relação ao Compass, o GWM é 7 cm maior. O espaço traseiro é muito superior ao dos produtos da Jeep e da Toyota, que são os mais vendidos da categoria. O Ora 5 tem 2,72 metros de entre-eixos e, mesmo em assoalho plano, acomoda bem melhor que os dois SUVs médios brasileiros dois ocupantes. Há um porém: o porta-malas tem pouco mais de 300 litros, menos até que o de muitos SUVs compactos. No entanto, ele contra-ataca com algo que é cada vez mais requisitado pelo cliente de SUVs: tecnologia híbrida HEV, ou híbrida plena. Trata-se do mesmo sistema do Corolla Cross. Alimentado por pequena bateria - geralmente na casa de 1 kWh, e recarregável por meio de processos como desaceleração e frenagem do carro -, o motor elétrico é capaz de movimentar as rodas sozinho, mas tem como principal função auxiliar o a combustão para reduzir o consumo e as emissões - especialmente em ciclo urbano. Porém, enquanto o Corolla Cross híbrido (tecnologia disponível apenas na versão topo de linha - veja abaixo) tem apenas 122 cv, o Ora 5 oferece desempenho de sobra. São 223 cv e 7,7 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h, de acordo com informações da GWM. É mais potência até que as versões flex (sem tecnologia híbrida) do Toyota, que entregam pouco mais de 170 cv. A propósito, quando o Ora 5 HEV vier, a estimativa é de que ele também venha com propulsor a combustão (1.5) capaz de rodar com etanol ou gasolina. Na GWM, essa tecnologia acaba de estrear - o primeiro a receber foi o Tank 300. O Ora 5 traz ainda um acabamento superior ao do Corolla Cross, e até mais caprichado que o do Compass. Bem equipado, tem câmeras multivisão, ADAS completo e multimídia com tela de 15 polegadas. Preço de compacto Os atributos acima já seriam suficientes para atrapalhar o Compass e, especialmente, o Corolla Cross, modelo que atrai muitos consumidores interessados em híbridos - seja pela economia de combustível, a consciência ambiental ou isenções de impostos como IPVA em alguns Estados. Mas há algo mais importante: o preço será de SUV compacto. Assim, espere tabelas entre R$ 150 mil e R$ 180 mil para a versão HEV, semelhantes - ou até inferiores - aos de modelos como T-Cross e Creta. Dessa forma, o Ora 5 híbrido surgirá como um rival desses carros, mas como mais porte e tecnologia. Ou, em outra leitura, um concorrente dos médios, só que com preço mais competitivo. Afinal, modelos como Corolla Cross e Compass começam em torno de R$ 180 mil, e têm versões topo de linha bem mais caras. O Toyota XRX Hybrid (único híbrido da linha), aliás, sai por cerca de R$ 220 mil. Modelos como Caoa Chery Tiggo 7, na versão de entrada Sport, e Omoda 5, já estão desempenhando papel semelhante ao que será executado pelo Ora 5. Há ainda o novo Uni-T, da Caoa Changan, um dos lançamentos mais comentados de 2026 nas redes sociais, até agora. No caso do Tiggo 7 e do Uni-T, ambos não trazem a tecnologia híbrida. São modelos a combustão. Além disso, o Caoa Changan ocupa uma faixa de preço mais alta daquela em que deverá vir posicionado o Ora 5 (custa R$ 175 mil). O posicionamento do Ora 5 será muito semelhante ao do Omoda 5, que é um pouco menor (tem 4,42 metros de comprimento). A diferença é que a GWM está dois anos à frente da Omoda Jaecoo, que estreou apenas no ano passado. A GWM, no Brasil desde 2023, já está consolidando uma boa reputação no Brasil, com clientes satisfeitos em segmentos de maior valor agregado - algo que acaba atraindo consumidores para os de menor preço e maior volume. Se o Omoda 5 já está fazendo bonito no mercado, com mais de mil unidades vendidas por mês, imagine o Ora 5. E ainda há a possibilidade de o novo híbrido da GWM ser produzido na fábrica que a montadora planeja abrir no Espírito Santo. Entre outras vantagens, isso aumentaria a capacidade de entrega do carro. Assim, o Ora 5 é um perigo ainda maior que o Uni-T para Corolla Cross e Compass. Além disso, acaba sendo uma ameaça também aos SUVs compactos. Outros lançamentos Após os dias de prévia do Salão de Pequim, a GWM reuniu jornaliastas, influenciadores, clientes e concessionários em um evento em Boading, cidade que é sede de suas operações e fica a 160 km da capital chinesa. De acordo com os diversos revendedores presentes, além do Ora 5, em 2026 a montadora também lançará no mercado brasileiro o Tank 400 e o Haval H7. Ambos serão importados na versão híbrida plug-in, com a mesma mecânica do Tank 300. E, assim como este modelo, terão tecnologia flex no propulsor a combustão. A potência, nos dois casos, é de 394 cv. Com 4,80 metros de comprimento, o H7 tem porte semelhante ao do Tank 300, mas é mais rústico. Enquanto o primeiro investe mais na sofisticação, com acabamento requintado, o Haval traz uma pegada mais espartana na cabine. É como um H9 menor. Aliás, ele ficará posicionado entre o H6 e o H9. Além disso, terá preços entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, marcando a estreia dos SUVs com jeitão de jipe da GWM nessa faixa de preço. Tanto Tank 300 quanto Haval H9 estão acima dos R$ 300 mil. Porém, diferentemente desses dois modelos, o Haval H7 não usa carroceria sobre chassi. O modelo é feito em base de carro de passeio - a mesma do Haval H6. Já o Tank 400 deverá ser o novo topo de linha da GWM no mercado brasileiro, posicionado acima do Wey 07. Como este custa R$ 424 mil, o novo modelo deverá vir na faixa dos R$ 450 mil, para concorrer diretamente com o Denza B5. Feito com carroceria sobre chassi, o Tank 400 tem um estilo mais sofisticado que o 300, com linhas recortadas e interior ainda mais requintado. Virá com foco em clientes que buscam luxo, independentemente de serem adeptos do fora de estrada - embora o carro tenha todos os atributos do irmão menor, como reduzida e bloqueios do diferencial. Com o Tank 400, pela primeira vez a GWM terá a cor roxa na gama do Brasil. Esse exterior virá combinado à cabine preta. Haverá também cabine vinho, combinada à carroceria preta. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.