Alta no custo de vida reduz alcance do vale-alimentação e vale-refeição

admin
4 May, 2026
No mês em que se celebra o Dia do Trabalhador, os dados mais recentes sobre o mercado formal brasileiro revelam um cenário de avanço na oferta de benefícios, mas também de pressão crescente no orçamento. Com inflação acumulada de 4,14% nos últimos 12 meses e alta de 0,88% no último mês, o custo de vida – especialmente com alimentação – segue pesando no bolso e desafiando o equilíbrio financeiro dos trabalhadores. O levantamento “Retrato do Trabalhador Formal”, realizado em fevereiro de 2026 pela Pluxee, líder global em benefícios e engajamento, com mais de 1.200 pessoas, mostra que 62% dos trabalhadores utilizam parte do próprio salário para cobrir gastos com alimentação, já que o valor recebido no vale-alimentação não é suficiente para as compras do mês. Além disso, 44% afirmam que o vale-refeição também não cobre as despesas com refeições no período. O dado ganha ainda mais relevância quando observado em perspectiva de uma tendência estrutural. Em 2025, o vale-refeição cobriu, em média, apenas 10 dias úteis do mês – menos da metade do período trabalhado – e distante dos 18 dias registrados em 2019, evidenciando a perda de poder de compra do benefício ao longo dos últimos anos. Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta um avanço na oferta de benefícios. Em 2026, os trabalhadores formais passaram a receber, em média, 4,65 benefícios, acima dos 4,28 registrados no ano anterior. Também houve redução na parcela de profissionais sem acesso a qualquer benefício, que caiu para 9%, (ante 11% em 2025), indicando maior inclusão e maturidade na estratégia das empresas. A pesquisa reforça que os benefícios ligados à alimentação continuam sendo os mais desejados e relevantes para os trabalhadores: 49% citam preferência pelo vale-alimentação e 31% pelo vale-refeição. Ao mesmo tempo, esses benefícios também se consolidam como os mais oferecidos pelas empresas, com 61% disponibilizando vale-alimentação e 44% vale-refeição. O estudo indica ainda que colaboradores que recebem benefícios, especialmente a combinação de vale-alimentação, vale-refeição e outros, são mais propensos a recomendar suas empresas, com um NPS (Net Promoter Score) de +44, em comparação com um NPS de apenas +2 para aqueles que não recebem nenhum benefício. Alimentação respondeu por 82% das transações de benefícios corporativos em 2025 A alimentação segue como o principal destino dos benefícios corporativos no Brasil, concentrando 82% das transações registradas em 2025, segundo o Panorama do RH 2026 da Caju. Ao mesmo tempo, as empresas vêm modernizando a forma de estruturar esse benefício: modelos que permitem unificar vale-refeição e vale-alimentação em um único saldo – prática adotada por empresas que optam conceder o benefício fora do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), com base na legislação CLT – já estão presentes em 63% das empresas analisadas, refletindo uma mudança na gestão de benefícios e maior autonomia para o colaborador decidir como utilizar o recurso. Os dados fazem parte do Panorama do RH 2026, estudo baseado na análise de 59 mil empresas e mais de 127 milhões de transações realizadas ao longo de 2025, que busca entender como as organizações brasileiras estruturam políticas de benefícios e como esses recursos são utilizados pelos colaboradores. Segundo a Caju, o avanço dos benefícios flexíveis reflete uma mudança mais ampla na forma como as empresas pensam sobre a experiência do colaborador. Em vez de pacotes rígidos e categorias totalmente separadas, cresce o modelo em que a empresa define o valor do benefício e oferece mais liberdade para que cada profissional utilize o recurso conforme sua rotina e suas necessidades. Dentro desse cenário, a alimentação continua sendo o núcleo da política de benefícios. Ao longo de 2025, as categorias relacionadas à alimentação (vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-alimentação) somaram mais de 104 milhões de transações, o que representa 82% do total registrado na base analisada. Esse movimento também aparece quando se observa a oferta de categorias pelas empresas. O auxílio-alimentação, categoria que permite integrar os valores destinados a alimentação e refeição em uma única carteira para empresas que optam por conceder o benefício fora do PAT, já está presente em 63% das empresas. Em seguida aparecem mobilidade, em 49,7%, e o saldo multi, que permite uso ainda mais flexível do benefício, em 28,6%. Já os benefícios ligados a desenvolvimento e qualidade de vida ainda têm presença mais limitada nas políticas corporativas: educação está presente em 2,1% das empresas e cultura em 3,6%. Quando analisadas separadamente, as categorias tradicionais também apresentam volumes expressivos. A categoria alimentação registrou mais de 24 milhões de transações no ano, com tíquete médio de R$ 63,82, concentrado principalmente em supermercados e clubes de atacado. Já a categoria refeição somou mais de 21 milhões de transações, com tíquete médio de R$ 56,43, associada ao consumo de refeições prontas durante a jornada de trabalho. O post Alta no custo de vida reduz alcance do vale-alimentação e vale-refeição apareceu primeiro em Monitor Mercantil .