Urna eletrônica, que completa 30 anos, funciona fora da internet e é auditável; veja etapas de segurança
14 May, 2026
A urna eletrônica completa 30 anos em 2026. As eleições municipais daquele ano foram as primeiras em que parte dos eleitores decidiu, por meio de um aparelho eletrônico, quem seriam seus representantes. A história do equipamento, entretanto, é mais antiga. O primeiro Código Eleitoral brasileiro, de 1932, já mencionava que uma "máquina de votar" poderia ser usada em eleições futuras. Em 1995, que um plebiscito de emancipação de três distritos do interior de São Paulo fez uso do então denominado CEV (Coletor Eletrônico de Voto). Com a estreia, o ministro Carlos Velloso, então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), lançou um edital internacional, em dezembro de 1995, para desenvolver um equipamento mais próximo do que conhecemos hoje e produzi-lo em larga escala. Meses depois, no dia 13 de maio de 1996, os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) começaram a receber esses equipamentos. Nas eleições municipais realizadas no dia 3 de outubro de 1996, parte dos eleitores já apertou uma tecla verde para confirmar seus votos. O equipamento é utilizado em todas as eleições desde 2000, possui instrumentos que tornam a votação auditável e não trabalha online, ou seja, não pode ser acessada por um usuário externo em nenhum momento da votação. O equipamento passa por uma série de testes públicos antes e também durante o pleito. Entre eles, está o teste público de segurança, que convida profissionais de tecnologia da informação a verificar o sistema e a parte física da urna, tentando invadi-la, e a cerimônia de lacração do equipamento. Conheça os métodos de segurança da urna eletrônica e sua auditabilidade: Teste público de segurança Em todos os anos anteriores a uma eleição, seja ela nacional ou municipal, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) realiza o Teste Público de Segurança, quando uma série de profissionais de tecnologia da informação, programadores e outros especialistas vai à sede da corte eleitoral para verificar a integridade da urna. Eles podem avaliar todos os componentes do equipamento, como o sistema, o gerenciador de dados, a interface e os verificadores pós-pleito instalados. A ideia é atacar a urna, tentando adulterar a integridade da votação, inserir ou remover votos ou quebrar o sigilo da escolha. Caso, nesse teste, sejam constatadas vulnerabilidades, os profissionais devem propor soluções. Já ocorreram sete edições da auditoria, e nenhuma delas encontrou fragilidades capazes de alterar o resultado de uma eleição. Cerimônia de lacração e código-fonte O TSE ainda torna disponível o código-fonte, ou seja, o código que forma o sistema usado pela urna eletrônica, aberto a todos por um ano para fiscalização de entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Polícia Federal, Ministério Público e partidos políticos. Após a finalização das auditorias, os programas recebem hashes —um código único que corresponde a uma impressão digital de cada sistema instalado, para verificação da integridade. As cópias primárias desses programas são inseridas em uma mídia não regravável (ou seja, não suporta a inserção de nada diferente daquilo que já foi inserido) e guardadas em sala-cofre da corte eleitoral. Cada TRE (Tribunal Regional Eleitoral) faz ainda uma cerimônia de lacração das urnas, quando os programas desenvolvidos são instalados nas máquinas publicamente, a lista de eleitores de cada seção e dos candidatos é inserida, e os equipamentos são lacrados fisicamente, com assinatura do juiz eleitoral. A partir desse ponto, os equipamentos não são mais alterados até chegarem às seções. Votação paralela Outro instrumento usado pelo TSE no dia do pleito é a votação paralela. Cerca de 2.000 cédulas de papel são preenchidas por representantes dos partidos políticos com votos nos candidatos oficiais e guardadas. Durante o horário da votação, funcionários da Justiça Eleitoral digitam em urnas eletrônicas os votos contidos nas cédulas de papel, em procedimento filmado e realizado com presença da imprensa, fiscais de legendas e da sociedade civil. Assim que o pleito se encerra, os votos são apurados, e o resultado deve coincidir com os votos em papel, comprovando não haver adulteração. No momento da eleição Na hora da votação, os mesários são quem ligam a urna eletrônica e a preparam para receber os eleitores. Eles acompanham a inicialização do equipamento e a série de verificações internas que a própria máquina realiza para confirmar a integridade dos programas. Vale ressaltar que nenhuma urna eletrônica é conectada à internet, ou seja, não há a possibilidade de interferências externas, já que a ela só está ligado o equipamento de identificação do mesário. Antes de abrir a votação, o equipamento imprime a zerésima, relatório atestando não haver voto para nenhum candidato antes da abertura do pleito. Os mesários precisam verificá-lo e assiná-lo, assumindo responsabilidade sobre a eleição. Boletim de urna e apuração Terminado o período de votação, a urna eletrônica imprime o boletim de urna, relatório com a quantidade de votos que cada candidato recebeu. Ele é verificado e assinado pelos mesários e tornado público na frente da seção de votação. São impressas cinco vias —uma para fiscalização, outra fica guardada com o presidente da seção, duas são encaminhadas ao cartório eleitoral, e a última é fixada na porta da seção. Os boletins possuem um código QR que atesta a autenticidade do documento, podendo ser escaneado por qualquer um. Após a impressão do relatório, o mesário rompe um dos lacres da urna e remove a mídia de resultado, um pen drive que carrega o total de votos. Ele é enviado ao cartório eleitoral e acoplado a um computador que possui os programas da eleição. Os votos são transmitidos em rede segura para o TSE, em Brasília. Para confirmar que não houve interferências, são rechecados e, depois, contabilizados por um supercomputador que reúne todos os votos e anuncia os resultados. Depois da eleição, qualquer um pode somar os resultados de todos os boletins de urna disponíveis e compará-los com a apuração final, tornando o resultado auditável em termos de contagem de votos.