Governo Lula amplia verba para câncer e inclui 23 medicamentos no SUS
16 May, 2026
247 - O governo federal anunciou nesta sexta-feira (15) a ampliação dos repasses para procedimentos oncológicos e a inclusão de 23 novos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de 18 tipos de câncer. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento realizado no Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo. As informações foram divulgadas originalmente pela Folha de S.Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, as medidas fazem parte de um pacote de investimentos de R$ 2,2 bilhões voltado à ampliação do acesso a tratamentos contra o câncer na rede pública. De acordo com a pasta, os valores pagos pelo SUS à rede privada para atendimentos oncológicos poderão passar dos atuais R$ 1.200 para até R$ 25 mil, dependendo do procedimento realizado. A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, aposta do governo federal para fortalecer os atendimentos especializados no país. Novos medicamentos serão incorporados Durante a cerimônia, Alexandre Padilha afirmou que os 23 novos medicamentos começam a ser incorporados à nova tabela da oncologia dentro do programa federal. Segundo ele, milhares de pacientes já poderiam ser beneficiados pelos tratamentos. “Isso significa tratamento para 18 tipos de câncer. Hoje tem 112 mil pacientes no Brasil que já poderiam ser beneficiados com esses medicamentos, que não são, porque a gente não tem ainda esse medicamento da tabela da oncologia [...] Tem medicamento que custa R$ 25 mil por mês para ele fazer o tratamento. Tem medicamento que, para concluir o tratamento de quimioterapia, [custa] R$ 630 mil, agora é de graça pelo SUS”, declarou o ministro. O governo pretende ampliar os atendimentos especializados por meio da contratação de leitos ociosos em hospitais e clínicas privadas. Além disso, as unidades poderão utilizar atendimentos prestados ao SUS para abater dívidas junto à União. O Hospital de Amor, considerado uma das principais referências em oncologia no Brasil, também apresentou números relacionados à pesquisa clínica realizada na instituição. Segundo dados divulgados no evento, somente em 2025 foram mais de 9.500 atendimentos nessa área. Hospital amplia pesquisa e inovação Ainda conforme o hospital, atualmente existem 233 protocolos ativos de pesquisa clínica na instituição, além de aproximadamente 800 pacientes acompanhados em tratamentos ligados a estudos científicos. Durante o encontro, foi apresentado o projeto de um novo centro de pesquisa clínica e cirurgia robótica. A proposta busca ampliar a capacidade do hospital em integrar assistência oncológica, inovação médica, produção científica e formação profissional. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo centro contou também com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho. Cirurgia robótica terá financiamento permanente Outra medida anunciada pelo governo foi a criação de um financiamento permanente para cirurgias robóticas de câncer de próstata no SUS. O investimento previsto para essa frente é de R$ 50 milhões. Também foi assinada uma portaria que libera R$ 129 milhões em recursos suplementares para o Hospital de Amor. O pacote inclui ainda um acordo entre o Ministério das Comunicações e a instituição para a criação da Rede Saúde Brasil de Cibersegurança. Segundo o governo, o investimento inicial no projeto será de R$ 2 milhões. A iniciativa pretende conectar as unidades do Hospital de Amor em Barretos e Porto Velho, permitindo a realização das primeiras telecirurgias robóticas do SUS. A expectativa da instituição é iniciar os procedimentos a partir de julho. Hospital vê avanço no acesso ao tratamento Para o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, os anúncios representam uma mudança importante na estrutura do atendimento oncológico no país. Segundo ele, as medidas anunciadas pelo governo federal ajudam a ampliar o acesso à cirurgia robótica para pacientes do SUS, além de fortalecer a pesquisa clínica e melhorar a capacidade de atendimento da instituição.