Fórum no RS defende indústria química competitiva e soberana
19 May, 2026
247 - A indústria química do Rio Grande do Sul reuniu representantes do setor produtivo, empresários, lideranças institucionais e autoridades públicas nesta segunda-feira (18), em Porto Alegre (RS), durante o Fórum Indústria Química RS: competitividade, inovação e desenvolvimento do Brasil. O encontro foi realizado no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e debateu os desafios e caminhos para fortalecer a cadeia química brasileira diante do aumento da concorrência internacional e das transformações no cenário econômico global. Promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em parceria com o Sindicato das Indústrias Químicas do RS (Sindiquim RS) e o Comitê de Fomento Industrial do Polo RS (Cofip), o evento destacou a necessidade de ampliar a competitividade da indústria nacional, fortalecer a produção local e consolidar políticas industriais de longo prazo. As informações foram divulgadas pela Abiquim. Durante os debates, representantes da indústria e do poder público reforçaram a importância estratégica do setor químico para o desenvolvimento econômico brasileiro, ressaltando o papel da inovação, da sustentabilidade e da integração entre Estado e iniciativa privada na construção de uma política industrial robusta. Defesa da soberania industrial Na abertura do evento, o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, afirmou que a indústria química é fundamental para diferentes cadeias produtivas e destacou a necessidade de fortalecer a produção nacional diante do avanço das importações. “Nosso propósito de trabalho é aumentar a soberania nacional de uma cadeia produtiva que é fundamental para o desenvolvimento do País, principalmente em frentes como as importações de resinas estrangeiras que impactam a nossa competitividade. Com as implementações do REIQ e do Presiq estamos caminhando na direção de uma nova indústria, mais competitiva, tecnológica e sustentável”, declarou. Passos também destacou que a indústria química brasileira possui diferenciais competitivos relevantes, como menor pegada de carbono em relação aos principais mercados internacionais, produtos de alto valor agregado e capacidade de abastecimento mesmo em cenários adversos. Concorrência internacional preocupa setor O impacto das importações sobre a indústria nacional também esteve no centro das discussões. Para o presidente do Sindiquim RS, Maurício Ecker Fontana, o Brasil precisa investir em qualificação profissional e ampliar sua capacidade produtiva para enfrentar a concorrência global. “Temos de fazer o dever de casa, como o fez a China de forma muito bem-feita e que hoje é referência número um em insumos químicos. Certamente, no ritmo que vai, será também competitiva em produtos pré-elaborados e acabados”, alertou. Representando o Cofip RS, o diretor administrativo Sidnei Anjos defendeu maior integração entre os diferentes setores envolvidos no desenvolvimento da indústria química brasileira. “Os interesses de todas as partes devem vir para a mesa para aí sim fazermos um plano de médio e longo prazo no qual o Estado, em seu sentido mais amplo, precisa vir com investimentos para colher retorno positivo lá na frente”, afirmou. Polo de Triunfo é apontado como estratégico A importância do Polo Petroquímico de Triunfo para o desenvolvimento industrial do país foi outro tema central do encontro. O engenheiro químico e sócio-fundador da MaxiQuim, João Luiz Zuñeda, destacou os impactos positivos do Regime Especial da Indústria Química (REIQ) e do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) para o Rio Grande do Sul. “A indústria química está no centro da estratégia de desenvolvimento da indústria brasileira como um todo e está pronta para voltar a crescer. O Polo Petroquímico de Triunfo não gera apenas matéria-prima, gera inovação e conhecimento, com profissionais extremamente qualificados. Trata-se de um complexo de dar inveja ao mundo, com logística integrada internacional, de valor único”, afirmou. Zuñeda também ressaltou a importância do projeto de importação de gás natural via Uruguaiana, conectando o Brasil ao polo energético de Vaca Muerta, na Argentina. Segundo ele, a iniciativa pode transformar a competitividade industrial da região Sul. Entre os benefícios apontados estão a diversificação das fontes energéticas, redução da dependência de combustíveis líquidos, atração de investimentos, geração de empregos e fortalecimento da cadeia petroquímica nacional por meio de um feedstock mais competitivo. Parlamentares defendem política industrial Representantes do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa gaúcha também participaram do fórum e defenderam políticas públicas voltadas ao fortalecimento da indústria química. O deputado federal Afonso Motta (PDT-RS), presidente da Frente Parlamentar da Química no Congresso Nacional e autor do Presiq, afirmou que o setor precisa de estabilidade e previsibilidade para ampliar investimentos. “REIQ e Presiq foram pensados de forma a garantir maior competitividade para o setor, pelo menos até 2031. Foram projetos aprovados quase que por unanimidade, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, o que demonstra como a indústria química não é apenas importante para a economia, para os empregos, mas é fundamental para a vida das pessoas e para o desenvolvimento nacional”, disse. Já o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) destacou o compromisso do governo federal com a retomada do crescimento industrial. “A indústria química é um patrimônio nacional e o momento é de retomada do Brasil como protagonista de desenvolvimento econômico. Temos um governo que acredita na indústria química. Não há, na América Latina, outro polo petroquímico como o Polo Petroquímico de Triunfo”, declarou. Setor tem peso econômico no RS O deputado estadual Miguel Rossetto (PT-RS), coordenador da Frente Parlamentar em defesa da cadeia produtiva sustentável do setor químico, petroquímico e petroleiro do Rio Grande do Sul, ressaltou o peso econômico da indústria química no estado. “É preciso dizer para a sociedade que a indústria química importa. E esse Estado tem uma indústria poderosa, forte, pujante, geradora de empregos, renda e riqueza. Somos uma das maiores indústrias químicas do país, a segunda maior exportadora do País”, afirmou. Segundo dados apresentados no evento, a indústria química responde por 9,5% da transformação industrial gaúcha, o segundo maior percentual entre os estados brasileiros, atrás apenas de São Paulo. Em 2025, as exportações do setor no Rio Grande do Sul somaram US$ 1,4 bilhão, equivalente a 11% das exportações nacionais da indústria química. O setor também foi responsável pela geração de cerca de 18,9 mil empregos formais no estado, concentrados principalmente nos municípios de Rio Grande, Triunfo e Porto Alegre. Entre as principais atividades econômicas estão a produção de fertilizantes, resinas e petroquímicos básicos. “A química que nos une” Nas considerações finais do encontro, André Passos Cordeiro voltou a defender a articulação entre indústria, governos e sociedade civil para garantir a competitividade da indústria química brasileira no longo prazo. Ao citar o conceito de “A química que nos une”, o dirigente afirmou que o aprofundamento do diálogo institucional será decisivo para ampliar investimentos e fortalecer a produção nacional. O evento também contou com a presença do prefeito de Triunfo, Marcelo Essvein; do diretor industrial da Braskem no RS e presidente do Conselho do Cofip RS, Nelzo da Silva; do presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho; e da diretora da Fiergs, Vick Martinez.