Volvo EX60 é o melhor elétrico da marca e terá preço agressivo no Brasil
20 May, 2026
Há meia década, quando os carros elétricos começavam a ser vendidos, de fato, no Brasil, a Volvo largou na frente. Foi a primeira fabricante a eletrificar completamente seu catálogo e, por algumas vezes, chegou a emplacar o XC40 como o veículo 100% a baterias mais vendido do Brasil. Desde então, muita coisa mudou e os chineses chegaram com tudo. A montadora sueca, entretanto, já preparava seu contra-ataque com sua segunda geração de elétricos: a linha EX, que agora ganha seu principal componente, o novo Volvo EX60. É um SUV médio que, aos poucos, substituirá o XC60 — carro mais vendido da marca no mundo inteiro. Ainda que muita coisa seja igual ao que há no EX30 (SUV compacto) e no EX90 (SUV grande de sete lugares), também há bastante evolução. A principal delas está na autonomia, que chegará a 810 km (em ciclo WLTP) na versão topo de linha P12 Ultra, que deve estrear no Brasil no ano que vem. Antes disso, estreará o EX60 P10 Ultra, uma variante intermediária mas que já traz números fartos: 510 cv, 72,4 kgfm e 660 km de alcance com uma única carga. A melhor notícia para os interessados, entretanto, talvez seja a política de preços agressiva da Volvo: segundo indicado por porta-vozes ao UOL Carros, o preço do EX60 deve girar em torno de R$ 550.000. É suficiente para competir com os chineses e, além disso, mostra a evolução na fabricação do carro — que, mesmo muito mais moderno, será pouco mais caro do que o atual XC60, que beira os R$ 540.000 nas versões mais caras aqui. Nesta avaliação, nos aprofundamos no que há de mais interessante nessa nova geração de carros elétricos da Volvo. As novidades incluem o uso inovador de inteligência artificial e resultados concretos de novos processos de fabricação e manufatura. Por outro lado, também há aspectos que, desde o lançamento do EX30, já são apontados como incômodos pelos clientes, mas seguem adotados. Desvendando o Volvo EX60 Design: o Volvo EX60 não quis ser diferente dos irmãos e segue rigorosamente a identidade visual aplicada à linha EX. O destaque fica por conta da dianteira, onde o "Martelo de Thor" — assinatura luminosa dos faróis da marca — vira o formato das DRLs em si, com vários LEDs quadriculados compondo-as. A grade dianteira dá lugar a uma superfície lisa, com o emblema da montadora acompanhado de uma faixa em baixo-relevo. A traseira, por sua vez, é mais discreta que a do EX90, com as lanternas totalmente verticais e embutidas nas extremidades da carroceria. Graças ao trem-de-força elétrico, o SUV de 4,8 metros de comprimento tem balanço curto, com entre-eixos de 2,97 m em uma carroceria de linhas discretas, assim como as pequenas aletas na linha de cintura que funcionam como as maçanetas do carro. Chamam mais atenção, por outro lado, as rodas de 22 polegadas, que dão imponência ao veículo. Mas esses são itens opcionais e que, na visão da Volvo, podem estar mais suscetíveis a rasgos no asfalto brasileiro. Desse modo, ainda não estão confirmadas no catálogo local. Vida a bordo: a Volvo afirma buscar inspiração na arquitetura escandinava para decorar seus carros. Isso significa um luxo discreto, em que os materiais são de qualidade, mas cores, texturas e estampas chamam pouca atenção. É essa combinação que dita o interior do EX60, que aposta em material ecológico que imita couro e em plásticos reciclados no revestimento de bancos e painéis. Há diferentes opções de tecidos, predominantemente claros. Essa claridade é ainda mais reforçada por conta do teto solar panorâmico, que não traz cortina e consegue, no máximo, se tornar opaco através de indução elétrica. Com ajustes finos, aquecimento, ventilação e massagem nos bancos, os ocupantes da frente têm facilidade de encontrar a posição ideal no SUV. Quem vai atrás pode recorrer à inclinação elétrica do encosto traseiro, que acaba roubando alguns litros do porta-malas de 523 litros — acompanhado por outro, de 58 litros, sob o capô. Equipamentos: para gerir tanta coisa, o viajante do EX60 pode recorrer ao Gemini, a inteligência artificial do Google. Graças a uma parceria longeva entre as marcas, o software consegue acessar uma vasta gama de funções do carro, podendo desde calcular rotas com base no consumo real até auxiliar na leitura do painel e das placas de trânsito na rua. Também é possível conversar com uma voz artificial, de sotaque carioca, que faz o que as IAs sabem de melhor: responde sobre os assuntos mais variados possíveis, de resultados do futebol a receitas de bolo. A maior parte dos comandos, porém, será feita através da central multimídia de 15", que utiliza processamento gráfico elevado para oferecer resposta ao toque semelhante à de um iPad. Apesar da fluidez, a concentração de botões na tela é excessiva: é necessário usar a touchscreen para ajustar a direção do ar-condicionado, ativar o pisca-alerta e ajustar os retrovisores, entre outras coisas. Ainda que a interface caprichada facilite as coisas, é um excesso de telas que vem sendo crescentemente criticado e até penalizado por órgãos de segurança. Também se destaca o sistema de 21 a 28 alto-falantes do carro, assinado pela Bose ou pela Bowers & Wilkins, respectivamente. Há caixas de som até nos encostos de cabeça, e o áudio é processado em tempo real para simular desde o estúdio em que foi gravado até a sala de apresentação da Orquestra Sinfônica de Gotemburgo. Com Apple Music e outros apps de streaming nativos, também dá para aproveitar a tecnologia Dolby Atmos e, seguramente, ter uma das melhores experiências audiófilas dos veículos produzidos no mundo hoje. A lista de equipamentos ainda inclui cintos de segurança inteligentes — que se adaptam dinamicamente ao corpo de cada ocupante — e pacote ADAS. Entre os recursos de direção autônoma, há desde piloto de cruzeiro adaptativo até sistema que troca de faixas sozinho em rodovias. Há também o recurso de estacionamento automático e até um par de câmeras em infravermelho que monitoram o motorista e podem parar o carro, em segurança e por conta própria, em caso de mal súbito. Desempenho: inicialmente, o mercado brasileiro receberá o Volvo EX60 P10 Ultra: é a versão com mecânica intermediária, mas com pacote de equipamentos máximo do SUV. São 510 cv e 72,4 kgfm divididos em um motor para cada eixo, que proveem tração integral ao veículo e permitem uma aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 4,6 segundos. O ajuste de volante e pedais permite um comando preciso do EX60, que se destaca pelo silêncio e cuja suspensão adaptativa que pode ser ajustada através da multimídia, a fim de minimizar a rolagem dependendo da estrada. Graças a sua nova "megaprensa" na fábrica de Torslanda, na Suécia, a Volvo ainda conseguiu chegar a um novo processo de fabricação do carro, em que uma única chapa de alumínio forma peças inteiriças da carroceria, que normalmente seriam compostas por até 100 peças menores. É um detalhe de manufatura, mas que se reflete diretamente na rigidez torcional do EX60, tornando-o mais resistente e com uma dinâmica de condução mais apurada, com pegada esportiva. Graças a isso, também foi possível criar um novo compartimento, com mais espaço para as baterias, que têm fartos 95 kWh de energia armazenável. Isso, somado às novas tecnologias de sistemas elétricos que vêm da chinesa Geely — dona da Volvo —, permitiu ao EX60 P10 uma autonomia de 660 km no ciclo WLTP, usado na Europa. São números impressionantes por si, mas que tendem a melhorar com a chegada do EX60 P12, no ano que vem. Aí serão 680 cv e 80,6 kgfm, com tração integral que o leva de zero a 100 km/h em 3,9 s. O principal destaque, entretanto, ficará por conta dos 810 km de alcance: acaba sendo menos na vida real, mas pode ser o suficiente para torná-lo o carro elétrico com maior autonomia do Brasil — desde que a concorrência não se adiante. Pontos Positivos - Conforto dos ocupantes - Desempenho esportivo - Autonomia farta Pontos Negativos - Falta de maçanetas convencionais - Assistências à condução invasivas - Ausência de controles físicos Veredito Quando comparado a um Volvo elétrico de cinco anos atrás, o novo EX60 mostra o quanto a marca evoluiu. Destaca-se a performance do conjunto elétrico, a dinâmica de condução do carro e a eficiência que garantem-no um novo patamar de autonomia. Por outro lado, a fabricante sueca ainda resiste na correção de aspectos como a falta de botões físicos. No conjunto da obra, entretanto, esse é um SUV médio páreo para qualquer chinês (ou ocidental) na sua faixa de preço. Motorização Dois motores elétricos Combustível Eletricidade Potência (cv) 510 Torque (kgf.m) 72,4 Aceleração de 0 a 100 (segundos) (km/h) 4,6 Velocidade máxima (km/h) 180 Câmbio Automático Tração Integral Direção Elétrica Suspensão Dianteira Independente, duplo A Suspensão Traseira Independente, multilink Freios Dianteiros Discos ventilados Freios Traseiros Discos sólidos Pneus 275/35 Rodas 22 polegadas Altura (mm) 1.639 Comprimento (mm) 4.803 Entre-eixos (mm) 2.970 Largura (mm) 1.993 Ocupantes 5 Peso (kg) 2.114 Porta-malas (L) 523 + 58 Airbags Motorista Airbags Passageiro Airbags Laterais Airbags do tipo Cortina Airbags para joelho do motorista Controle de Estabilidade Controle de Tração Freios ABS Distribuição Eletrônica de Frenagem Ar-Condicionado Travas Elétricas Ar Quente Piloto Automático Volante com Regulagem de Altura Vidros Elétricos Dianteiros Vidros Elétricos Traseiros Central Multimídia Rádio FM/AM Entrada USB Banco de Couro Banco do motorista com ajuste de altura Bancos com ajustes elétricos Desembaçador Traseiro Teto Solar Computador de Bordo Acendimento automático dos faróis Faróis de neblina Frenagem autônoma de emergência Alerta de permanência em faixa Sensor de pressão dos pneus Sensor de pontos cegos Alerta de colisão Abertura elétrica do porta-malas Faróis com regulagem de altura Sistema de estacionamento autônomo