China lança missão espacial de um ano rumo à Lua

admin
24 May, 2026
247 - A China lançou neste domingo (24) a missão Shenzhou-23, levando três astronautas à estação espacial Tiangong em uma etapa considerada estratégica para o plano de realizar um pouso tripulado na Lua até 2030. A missão terá a primeira permanência de um ano de um astronauta chinês em órbita e será usada para estudar os efeitos de longa duração da vida no espaço sobre o corpo humano, segundo a Reuters. A nave Shenzhou-23 decolou às 23h08 no horário local, a bordo do foguete Long March-2F Y23, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China. A tripulação é formada pelo comandante Zhu Yangzhu, pelo piloto Zhang Yuanzhi e pela especialista de carga útil Li Jiaying, ex-inspetora da polícia de Hong Kong e primeira astronauta da cidade a participar de uma missão espacial chinesa. Missão amplia testes para permanência prolongada no espaço Um dos três astronautas permanecerá na Tiangong por um ano, período recorde para o programa espacial chinês. A escolha de quem ficará por mais tempo será definida posteriormente, conforme o andamento da missão, segundo informou a Agência Espacial Tripulada da China. Embora o período seja inédito para Pequim, ele ainda fica abaixo do recorde de 14 meses e meio estabelecido por um cosmonauta russo em 1995. Para a China, no entanto, a permanência prolongada representa uma etapa essencial para compreender os impactos da radiação, da perda de densidade óssea e do estresse psicológico em missões espaciais de longa duração. Desde 2021, as missões Shenzhou vêm transportando grupos de três astronautas para estadias de cerca de seis meses na estação Tiangong. A Shenzhou-23 amplia esse modelo e coloca o programa chinês em uma fase mais exigente de preparação para voos além da órbita baixa da Terra. China e EUA intensificam corrida pela Lua O lançamento ocorre em meio à disputa entre China e Estados Unidos pelo retorno de astronautas à Lua. A Nasa busca realizar um pouso tripulado em 2028, dois anos antes do prazo estabelecido por Pequim para sua própria missão lunar. Washington também pretende consolidar uma presença de longo prazo na Lua como etapa preparatória para futuras viagens humanas a Marte. As autoridades norte-americanas têm feito alertas sobre supostos planos chineses de ocupação e exploração de recursos lunares. Pequim rejeita firmemente essas acusações. Em abril, quatro astronautas da Nasa realizaram uma viagem histórica ao redor da Lua na missão Artemis II, a primeira missão lunar tripulada em meio século. Na sexta-feira, a SpaceX, de Elon Musk, fez um teste não tripulado considerado em grande parte bem-sucedido com o foguete Starship, projetado para ampliar lançamentos de satélites Starlink e apoiar futuras missões lunares da Nasa. Desafio tecnológico até 2030 Com menos de quatro anos para cumprir a meta de 2030, a China precisa concluir o desenvolvimento e a validação de novos sistemas específicos para a missão lunar. O desafio inclui foguetes, cápsulas, módulo de pouso, softwares e procedimentos de segurança capazes de levar astronautas da relativa estabilidade da órbita baixa terrestre à superfície da Lua. Entre os equipamentos em teste estão os foguetes pesados Long March-10, a espaçonave Mengzhou e o módulo lunar Lanyue. A missão Shenzhou-23 também realizará o primeiro procedimento autônomo de encontro rápido e acoplamento com o módulo central da Tiangong, operação vista como preparação para o acoplamento automatizado em órbita lunar entre a cápsula Mengzhou e o módulo Lanyue. A missão anterior, Shenzhou-22, foi lançada antes do previsto em novembro para permitir o retorno de três astronautas chineses à Terra, depois que a nave Shenzhou-20 foi danificada por detritos espaciais em órbita. Base lunar permanente está nos planos de Pequim Até agora, a China enviou apenas robôs à Lua, mas seus avanços recentes reforçam a expansão de suas capacidades espaciais. Em junho de 2024, o país se tornou o primeiro a recuperar amostras do lado oculto da Lua por meio de uma missão robótica. Um pouso tripulado bem-sucedido antes de 2030 fortaleceria o plano chinês de estabelecer uma base permanente na Lua até 2035, em parceria com a Rússia. O cientista-chefe do programa lunar chinês, Wu Weiren, já afirmou que o cronograma público de Pequim é intencionalmente conservador. A China também treina dois astronautas paquistaneses, um dos quais poderá participar de uma missão de curta duração à estação Tiangong ainda neste ano. Experimentos buscam entender vida humana no espaço Além dos testes de navegação e acoplamento, a Shenzhou-23 será usada para estudos sobre fisiologia humana em ambiente espacial. Cientistas acompanharão os efeitos da exposição prolongada à radiação, da redução da densidade óssea e da pressão psicológica associada a missões longas. Segundo a mídia estatal chinesa, Pequim conduz ainda o primeiro experimento humano com “embrião artificial” no espaço. Amostras de células-tronco humanas foram enviadas à tripulação da Shenzhou-22 na Tiangong neste mês, com o objetivo de estudar a permanência, a sobrevivência e a reprodução humana em missões espaciais de longo prazo.