Este documentário é o mais assistido da Netflix, e por um bom motivo: ele mostra como a internet pode criar monstros perfeitos

admin
24 May, 2026
Este documentário é o mais assistido da Netflix, e por um bom motivo: ele mostra como a internet pode criar monstros perfeitos As redes sociais servem como prova? A mais recente aposta da Netflix no gênero true crime foi Colisão: Acidente ou Homicídio?, um documentário que reconstitui o caso de Mackenzie Shirilla, jovem condenada por causar o acidente de carro em que morreram seu namorado, Dominic Russo, e seu amigo, Davion Flanagan, em 2022. O filme começa antes mesmo de entrar nos detalhes judiciais, com a câmera transformando o perfil da Shirilla no TikTok em uma espécie de prova contra ela. Selfies, vídeos de maquiagem e postagens superficiais se misturam com imagens do acidente e manchetes da TV, até formar o retrato de uma garota obcecada por atenção, incapaz de aceitar uma rejeição e emocionalmente distante da tragédia. Retrato de uma adolescente Desde os primeiros minutos, o documentário utiliza os vídeos e as postagens de Mackenzie Shirilla como se fossem uma extensão direta de seu perfil criminoso. A Netflix monta tutoriais de maquiagem, selfies e vídeos do dia a dia ao lado de imagens do acidente para reforçar a ideia de uma adolescente narcisista e emocionalmente instável. E o resultado é inquietante, pois o filme parece insinuar constantemente que sua presença online explica o crime. O problema é que, embora as provas do caso pareçam esmagadoras, o documentário também nos deixa uma sensação incômoda, ao abordar a facilidade com que as redes sociais de uma adolescente podem se transformar em uma evidência moral aos olhos do espectador. Mais do que questionar se Mackenzie é culpada ou não, Colisão: Acidente ou Homicídio? acaba abrindo outro debate muito mais inquietante sobre como a internet constrói identidades e como essas identidades podem ser utilizadas para contar uma história já decidida de antemão. Para além da abordagem visual do documentário, os fatos continuam sendo devastadores. A investigação concluiu que Shirilla acelerou até atingir mais de 160 km/h antes de colidir contra um prédio, sem frear nem tentar evitar o impacto. Além disso, a ausência de marcas de frenagem, os dados do veículo e vários depoimentos formam uma acusação muito difícil de refutar. O mais incômodo aqui não é o crime em si, mas a maneira como o comportamento de Mackenzie pode ser interpretado. O documentário transforma publicações superficiais, vídeos provocativos e atitudes adolescentes em sinais quase definitivos de patologia emocional. E aí surge a dúvida: será que um adolescente que se exibisse constantemente nas redes sociais seria julgado da mesma forma, ou isso seria considerado simplesmente imaturidade? No fim das contas, o documentário funciona porque sabe exatamente qual imagem quer projetar de sua protagonista: a de uma jovem mimada, obcecada por atenção e emocionalmente dependente das redes sociais. No entanto, ele também deixa claro algo bastante perturbador sobre a era atual, já que há milhões de pessoas criando versões artificiais de si mesmas na internet todos os dias. Inscreva-se no canal do IGN Brasil no Youtube e visite as nossas páginas no Facebook, Twitter, BlueSky, Threads, Instagram e Twitch!