SAFiel apresenta novo projeto para membros do Conselho de Orientação do Corinthians
29 May, 2026
SAFiel apresenta novo projeto para membros do Conselho de Orientação do Corinthians Na noite da última quinta-feira, o grupo SAFiel, que defende a transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), se reuniu com membros do Conselho de Orientação (Cori) do clube para apresentar os detalhes do projeto 2.0, lançado oficialmente no início de abril e atualizado no começo de maio. A informação foi divulgada inicialmente pelo perfil Time do Povo, no X (antigo Twitter), e confirmada pelo Meu Timão. Como soube a reportagem, após a reunião do Cori no Parque São Jorge, integrantes da SAFiel tiveram cerca de 30 minutos para conversar de maneira informal com alguns representantes do órgão fiscalizador do Corinthians. Durante o encontro, os ânimos foram cordiais e em tom de receptividade entre as partes. Mesmo com este primeiro contato, ainda não existe qualquer plano de novo encontro ou atuação conjunta entre Cori e SAFiel para um eventual projeto envolvendo o Corinthians. Segundo o Estatuto do clube, qualquer incumbência relacionada a investimentos ou mudanças na estrutura do Timão compete à presidência, atualmente ocupada por Osmar Stabile. O Conselho de Orientação tem apenas a função de analisar e direcionar pautas após determinação da diretoria ou Conselho, desde que constem oficialmente na pauta da reunião. A nova versão da proposta, chamada de book da SAFiel, é apresentada como um complemento ao projeto original, com o alerta de que as alterações não devem ser analisadas de forma isolada, já que complementam ou substituem pontos da proposta inicial, que segue sujeita a ajustes. O documento afirma que a versão 2.0 incorporou sugestões de sócios, torcedores e profissionais ao longo dos últimos cinco meses e ressalta que as projeções financeiras apresentadas são apenas estimativas, sem qualquer garantia de resultado, além de não configurarem oferta de investimento. Na sequência, a SAFiel é definida como uma nova estrutura jurídica, econômica e de governança para o futebol do Corinthians, voltada à captação de recursos, profissionalização da gestão, descentralização do poder e preservação dos vínculos com o clube associativo, sem controle por investidores externos. O projeto afirma se apoiar em cinco pilares, como reequilíbrio financeiro, modernização, popularização, redemocratização e proteção do clube social. Além disso, reforça que a implementação não representaria a venda do Corinthians, mas sim uma separação administrativa entre futebol e clube social, mantendo a associação e os torcedores acionistas como proprietários dos ativos ligados ao futebol. Nos últimos meses, a SAFiel já se reuniu com figuras importantes da política corinthiana, como o presidente do Conselho Deliberativo (CD), Romeu Tuma Júnior, e o próprio Osmar Stabile. O grupo também participou da audiência pública sobre a reforma do Estatuto, quando o tema SAF esteve em debate, além de ter apresentado o projeto na quadra da Gaviões da Fiel. No início do ano, inclusive, a SAFiel enviou uma proposta formal ao clube do Parque São Jorge com o objetivo de equacionar duas das principais pendências financeiras do Corinthians naquele momento: o transfer ban imposto pela Fifa pela dívida com o Santos Laguna, do México, referente à contratação do zagueiro Félix Torres, e o financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal. A proposta previa um aporte financeiro capaz de quitar tanto os cerca de R$ 40 milhões devidos ao clube mexicano — valor pago pelo Corinthians dias depois — quanto o saldo da dívida da Neo Química Arena, que, segundo o último dado consolidado, de dezembro de 2025, é de R$ 642 milhões. O montante seria antecipado e funcionaria como um adiantamento: caso a SAF fosse aprovada futuramente, o valor seria convertido em ações da empresa; se o projeto não avançasse, o clube do Parque São Jorge teria de devolver o dinheiro aos investidores. O que é a SAFiel? A SAFiel é apresentada por seus idealizadores como um projeto de caráter aberto e coletivo, construído ao longo de meses de diálogo com torcedores, profissionais da imprensa e influenciadores. A iniciativa se apoia em um material técnico que aprofunda os fundamentos econômicos, jurídicos e políticos da proposta, além de um documento de princípios (missão, visão e valores) elaborado de forma colaborativa com a própria Fiel. Segundo o grupo, a ideia é promover mudanças estruturais no Corinthians sem romper com sua identidade popular. O plano prevê a profissionalização do futebol, a reorganização das finanças, a equalização das dívidas, a solução do passivo da Neo Química Arena e a implantação de um modelo de governança moderno e sustentável, garantindo participação efetiva dos torcedores nas decisões. Para isso, o projeto propõe uma nova arquitetura corporativa, preservando a autonomia do clube social, mas transferindo os departamentos de futebol masculino, feminino e de base para uma empresa administrada segundo práticas de mercado, com mecanismos de controle, fiscalização e auditorias independentes.