Corinthians projeta custo milionário de ampliação da Arena bancada por gestora do estacionamento
4 Jun, 2026
Corinthians projeta custo milionário de ampliação da Arena bancada por gestora do estacionamento Na última quarta-feira, o Corinthians oficializou um novo acordo com a Indigo para a administração do estacionamento da Neo Química Arena. Além do ajuste na participação da arrecadação líquida gerada pelo espaço e do perdão de uma dívida, a empresa também assumirá o financiamento das obras de ampliação do setor Leste Superior da Casa do Povo. O investimento, segundo estimativa do clube, será de R$ 7,5 milhões. A informação é do Meu Timão. Como apurou a reportagem, a Indigo aceitou custear a construção de cerca de dois mil novos lugares na ampliação da Leste Superior do estádio. As intervenções ainda dependem da aprovação dos laudos de segurança pelos órgãos competentes. Diferentemente das estruturas provisórias utilizadas na Copa do Mundo de 2014 e em partidas da NFL (National Football League), a instalação será definitiva e de alvenaria. O Corinthians projeta ampliar a capacidade da Casa do Povo para 51 mil torcedores. Atualmente, o estádio comporta 48.905 pessoas. O novo contrato terá validade de 12 anos e prevê o repasse de 35% da receita líquida mensal gerada pelo estacionamento ao clube do Parque São Jorge. O acordo também contempla o perdão de aproximadamente R$ 2,5 milhões em dívidas que o clube mantinha com a empresa responsável pela operação do espaço. A partir de 2030, a Indigo ainda passará a pagar cerca de R$ 13 milhões ao Corinthians pela cessão de uso da área, conforme divulgado pela diretoria alvinegra. A gestão do estacionamento da Neo Química Arena foi tema de debate ao longo de 2025, ainda durante a administração de Augusto Melo. Na ocasião, o clube avaliava alterações no modelo vigente, motivado principalmente pela baixa rentabilidade obtida com a operação e por divergências relacionadas ao valor de uma eventual multa rescisória. Nesse contexto, a diretoria chegou a consultar alternativas no mercado em busca de empresas que pudessem oferecer uma participação maior na receita mensal destinada ao clube, além de um possível adiantamento financeiro que viabilizasse a ruptura do vínculo com a administradora então responsável pelo estacionamento. Entre as opções analisadas esteve a MultiPark, que avançou nas negociações para assumir a operação em maio do ano passado. A mudança, porém, não foi concretizada. O Corinthians optou por manter as tratativas e chegou a um novo acordo com a empresa que já administrava o estacionamento da Arena. Antigo contrato O estacionamento da Neo Química Arena está sob administração da Indigo desde 2018, após contrato firmado ainda na gestão do então presidente Andrés Sanchez. Na ocasião, o Corinthians recebeu R$ 11,4 milhões pelo acordo, sendo R$ 2,5 milhões direcionados à Omni, responsável pela operação anterior, e R$ 8,9 milhões destinados ao fundo da Arena, divididos em duas parcelas. O vínculo estabelecia que a empresa não poderia ser retirada por um período de 120 meses, além de impedir qualquer tipo de rescisão por justa causa. Já a rescisão sem justa causa só poderia ocorrer após os dez anos iniciais de contrato, em caso de renovação automática, desde que fosse respeitado aviso prévio de 30 dias. Em março de 2025, uma troca de e-mails entre o clube e a consultoria Ernst & Young apontou que a multa para rompimento antecipado era estimada em R$ 12.630.915,00. Outro ponto relevante do acordo previa que a Indigo ficaria isenta do pagamento de aluguel sempre que o faturamento líquido anual do estacionamento fosse igual ou inferior a R$ 4,888 milhões, valor sujeito a reajustes anuais. Na prática, isso significa que, mesmo operando em uma propriedade do clube, a empresa não realizava pagamentos mensais ao Corinthians - situação que motivou críticas do ex-presidente Augusto Melo, ainda como do clube, que se posicionou sobre o tema em fevereiro de 2025. "O Corinthians deve para o estacionamento acho que R$ 1 milhão. Você vê como é difícil pagar as dívidas do Corinthians, né? Um contrato de estacionamento onde nós não recebemos um real do estacionamento. Ou seja, a propriedade é nossa, o estacionamento está ali junto com a nossa Arena. (...) De 2014 para cá, o Corinthians, assim que eu saiba, nunca recebeu nada", declarou Augusto em entrevista ao programa Benja Me Mucho. O contrato também entrou na pauta de uma auditoria interna conduzida pela Ernst & Young, contratada pela atual diretoria para revisar acordos firmados pela gestão anterior, incluindo o do estacionamento. Apesar disso, o relatório final nunca foi divulgado oficialmente. Enquanto a consultoria afirmava ter entregue o documento, a diretoria do ex-presidente Augusto Melo sustentava que não o recebeu. O ex-mandatário ainda declarou que o contrato havia sido renovado pela gestão de Duilio Monteiro Alves até 2030. No entanto, documentos obtidos à época pela reportagem e informações da própria consultoria contestam essa versão. Uma ata do Conselho Deliberativo, datada de fevereiro de 2024, mostra que o contrato foi analisado pela Comissão de Justiça do clube. Em maio daquele ano, os resultados foram apresentados sem qualquer menção a aditivos ou prorrogações. Antes mesmo de qualquer discussão sobre possível mudança na administração, a Indigo anunciou, em fevereiro de 2025, um reajuste nos preços do estacionamento da Arena. Os setores E2 e E3 passaram a custar R$ 170, representando aumento de 21%, enquanto os espaços E4 e E5 foram reajustados para R$ 140, alta de 27%. O ajuste anterior havia ocorrido em 2023.