Pela 1a vez, ONS corta geração por excesso de oferta de energia
8 Jun, 2026
Pela 1a vez, ONS corta geração por excesso de oferta de energia Ação preventiva para evitar desequilíbrios no sistema elétrico foi ‘um sucesso’, informou o operador O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), pela primeira vez, o acionamento de plano emergencial, para garantir a segurança do sistema elétrico nacional em função da expectativa de um menor consumo de energia elétrica devido ao final de semana prolongado com o feriado de Corpus Christi. Em nota, o ONS afirmou que o acionamento do plano de gestão de excedentes para a operação foi realizado com “sucesso”. O plano de gestão de excedente prevê que as distribuidoras de energia cortem a geração de energia de pequenas usinas para atender aos comandos do ONS durante momentos de excedente de geração no país. A medida envolve as chamadas usinas Tipo III, que são pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa, além de eólicas e solares de menor porte que ficam sob responsabilidade de gestão das empresas. O acionamento do plano foi informado pelo ONS no sábado (6). A medida foi indicada para poder equilibrar a alta geração de micro e minigeração distribuída, combinada a uma carga menor por conta do final de semana prolongado. Ao todo, foi solicitado o gerenciamento de 1.000 megawatts (MW) entre 10h e 14h, quantidade de energia suficiente para abastecer, em média, cerca de 2 a 4 milhões de pessoas, dependendo do consumo da região. “Os distribuidores foram avisados no sábado e seguiram com as manobras necessárias para manter o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN). Adicionalmente, o ONS implementou medidas operativas complementares para redução da geração no SIN”, disse o ONS em nota. O Operador informou ainda que, em tempo real, manteve os agentes atualizados e coordenou as ações no sistema elétrico, realizando a gestão dos recursos disponíveis de acordo com a demanda da sociedade, em comunicação direta com os agentes do setor. “O Operador segue também atento à nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema, de acordo com os procedimentos de rede vigentes.” O mecanismo plano emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025, em meio aos desafios impostos para operação do sistema elétrico devido à expansão da geração distribuída, especialmente por meio de painéis solares instalados em telhados. Em agosto do ano passado, no Dia dos Pais, a geração distribuída chegou a atender a 37,6% de toda a demanda nacional, o que deixou o operador com margem mínima de segurança para a operação do sistema. Para equilibrar a rede e evitar problemas, o ONS precisou reduzir fortemente a geração de hidrelétricas e termelétricas e cortar 98,5% da produção de grandes usinas eólicas e solares. Pelas regras dispostas pela agência reguladora, as distribuidoras que participaram da atuação preventiva foram: CPFL Paulista, Cemig, Energisa Mato Grosso, Copel, Elektro, Equatorial Goiás, Energisa Mato Grosso do Sul, Coelba, RGE, RDP Espírito Santo e Neoenergia Pernambuco. O grupo foi selecionado pois, juntas, elas respondem por 80% da capacidade instalada das usinas Tipo III. Neoenergia, Copel e EDP informaram que cumpriram integralmente a determinação do ONS. As demais empresas envolvidas foram procuradas pela reportagem, mas informaram que o posicionamento seria feito pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Em nota, a Abradee afirmou que as distribuidoras executaram os cortes de acordo com o estabelecido. “Após avaliação técnica da execução do plano, a Abradee informará os principais impactos e resultados do acionamento do plano emergencial”, afirma a nota. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas