Invasão nipônica? Por que carros japoneses podem ficar mais baratos
9 Jun, 2026
Resumo Carros japoneses importados podem ficar mais competitivos no Brasil se avançar a negociação de um acordo comercial entre Japão e Mercosul. Hoje, veículos de passeio vindos de fora do bloco pagam Imposto de Importação de até 35%, uma barreira que encarece alguns modelos de Toyota, Lexus, Honda e Nissan e tornam outros inviáveis para nosso mercado. Segundo o jornal japonês Nikkei, o governo do Japão pretende iniciar neste mês de junho conversas com o Mercosul para um Acordo de Parceria Econômica, com foco na redução de tarifas para automóveis e autopeças, além de temas ligados a petróleo e minerais críticos. Fontes ligadas ao governo brasileiro afirmam que líderes dos países do Mercosul e do Japão, de fato, devem se encontrar para discutir o acordo durante a reunião da cúpula do G7, na França. Como será o acordo Ainda não há uma proposta pública com os percentuais de corte nem com o prazo de implementação. Por isso, não é possível dizer que a tarifa dos carros japoneses cairia de 35% para zero, nem em quanto tempo. Mas acordos desse tipo costumam prever uma redução gradual das alíquotas. No caso do acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro, por exemplo, a tarifa de 35% sobre carros europeus será eliminada progressivamente em até 15 anos. Se o acordo com o Japão seguir lógica parecida, o efeito não seria imediato. Ainda assim, uma queda gradual já poderia mudar a conta de modelos importados que hoje chegam ao Brasil com preço pouco competitivo. No caso das autopeças, as alíquotas de importação costumam ficar na faixa de 14% a 18%. Uma redução também poderia aliviar parte dos custos de componentes, sistemas e equipamentos vindos do Japão, o que também pode impactar no preço dos carros produzidos no Brasil por marcas japonesas. Por que o Japão está interessado Para o economista Igor Lucena, a possibilidade de acordo entre Japão e Mercosul não é nova, mas ganhou mais força depois do avanço do tratado comercial entre Mercosul e União Europeia. A avaliação é que outros países passaram a olhar com mais atenção para o bloco sul-americano para não perder espaço em um mercado que pode se tornar mais atraente para empresas europeias. "Esse acordo com o Mercosul já é discutido há algum tempo, não é uma coisa de agora", afirma Lucena. "Mas o acordo do Mercosul com a União Europeia faz com que os olhos dos outros agentes cresçam.Isso aconteceu com o Japão." O interesse japonês também tem relação com a mudança no mercado automotivo global. As marcas japonesas, que por décadas foram referência em confiabilidade e eficiência, passaram a enfrentar uma concorrência mais agressiva dos carros chineses, especialmente em preço e eletrificação. Ao mesmo tempo, fabricantes europeias ganharão vantagens tarifárias no Mercosul quando o acordo com a União Europeia avançar em sua implementação. "O Japão também está precisando ampliar seu mercado consumidor e entende que perde mercado com os carros chineses, que estão muito baratos", diz Lucena. "Eu não diria que há 100% de chance de acontecer, mas acho que as chances melhoraram muito." A negociação, no entanto, não envolve apenas automóveis. O Japão também busca diversificar suas fontes de petróleo, gás e minerais críticos. O país depende fortemente da importação de energia e tem interesse em reduzir riscos geopolíticos ligados ao Oriente Médio. Nesse contexto, o Brasil aparece como possível fornecedor de petróleo, enquanto a Bolívia, agora integrada ao Mercosul, amplia a relevância energética do bloco por causa do gás natural. Outro ponto de interesse está nos minerais críticos usados em baterias e veículos eletrificados. O Japão tenta reduzir a dependência da China em insumos como terras raras, enquanto o Brasil tem reservas relevantes desses materiais. A Argentina, por sua vez, é uma das principais produtoras globais de lítio, mineral essencial para baterias de carros elétricos. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.