Pegadas de 14 mil anos mudam o que se sabia sobre exploradores pré-históricos
9 Jun, 2026
Muito antes da invenção das lanternas, um grupo de caçadores-coletores encontrou uma solução simples e eficiente para explorar a escuridão. Novas análises de pegadas com cerca de 14 mil anos encontradas na caverna de Bàsura, no noroeste da Itália, estão ajudando arqueólogos a compreender como esses exploradores pré-históricos se aventuravam por túneis profundos durante a última Era Glacial, segundo o portal Los Andes. Continua depois da publicidade As marcas preservadas no interior da caverna pertencem a cinco humanos e um canídeo que percorreram o local há aproximadamente 14.400 anos. Além das pegadas, os pesquisadores encontraram fragmentos de carvão e outros vestígios que permitiram reconstruir parte da jornada realizada pelo grupo. Durante décadas, acreditou-se que as marcas poderiam ter sido deixadas por neandertais. No entanto, técnicas modernas de datação confirmaram que elas pertencem ao período epigravetiano, milhares de anos após o desaparecimento dessa espécie humana. Veja fotos do estudo que muda o que se sabia sobre exploradores pré-históricos O estudo trouxe uma descoberta que surpreendeu os cientistas. Ao contrário da imagem popular de homens pré-históricos carregando grandes tochas de madeira, os exploradores utilizavam galhos finos de pinheiro-silvestre para iluminar o caminho. Os fragmentos encontrados indicam que os ramos tinham menos de três centímetros de diâmetro. Continua depois da publicidade A pesquisa, conduzida por uma equipe multidisciplinar de universidades italianas na Caverna de Bàsura, em Toirano (região da Ligúria), revela que testes realizados em cavernas semelhantes mostraram que apenas dois pequenos galhos acesos eram suficientes para iluminar o trajeto de um grupo de cinco pessoas. Após a adaptação dos olhos à escuridão, a visibilidade podia alcançar até dez metros de distância. Além de fornecer luz adequada, os galhos apresentavam outras vantagens. Produziam menos fumaça, evitavam o excesso de claridade e facilitavam a movimentação por passagens estreitas. As marcas deixadas pelo carvão durante os experimentos coincidiram com os vestígios encontrados na caverna italiana, reforçando a hipótese dos pesquisadores. As evidências também ajudaram a reconstruir a dinâmica da expedição. O grupo caminhava em fila indiana, mantendo contato físico entre os integrantes para evitar acidentes no interior do sistema de túneis, que possui cerca de 800 metros de extensão. Uma fonte de luz seguia à frente e outra permanecia atrás, garantindo orientação durante todo o percurso. Continua depois da publicidade Outro detalhe que chamou atenção foi a eficiência do combustível utilizado. Os cientistas calculam que cerca de 20 galhos eram suficientes para uma viagem de ida e volta até uma das áreas mais profundas da caverna, conhecida como Salão dos Mistérios. A jornada completa durava aproximadamente duas horas. *Sob supervisão de Pablo Brito