México se divide entre empolgação pré-Copa e frustração social

admin
9 Jun, 2026
México se divide entre empolgação pré-Copa e frustração social Resumo A dois dias da abertura da Copa do Mundo, a Cidade do México reúne uma empolgação inerente ao início da caminhada da seleção no Mundial com um clima explícito de frustração social. Isso se reflete na manifestação e no acampamento de trabalhadores da educação na parte central da cidade, mas que se deslocou para bloquear vias de acesso ao Estádio Azteca. O palco do jogo México x África do Sul, nesta quinta-feira, é o retrato de uma tensão direcionada ao governo. Para quem é brasileiro, bate na lembrança os protestos pré-Copa das Confederações 2013 e Copa 2014 no Brasil. A marcha na capital mexicana é capitaneada por um grupo dissidente da Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE). O grupo cobra cumprimento de compromissos governamentais com a categoria. "Governo, maldito, reprimir é um delito!" foi um dos gritos ouvidos na tarde desta terça, como relatou o jornal El Universal. O movimento incorporou outros setores da sociedade, como as mães dos mais de 130 mil desaparecidos no país, que cobram do governo uma postura mais firme para achar os parentes. Aponta-se que esse número foi gerado pelo alto nível de criminalidade dos cartéis de drogas. Na capital, a polícia acompanhou a movimentação e os protestos, montando ainda barreiras físicas nos arredores do estádio. Essa tensão social se une à expectativa pelo início da seleção mexicana na Copa. De todo modo, o protesto deixa opaca uma imagem que poderia ser de torcedores circulando e vira um chamariz mais vivo de que há um conflito de prioridades para parte da população local. O clima é tenso, apesar da proximidade ao início do torneio. Ainda que os mexicanos gostem mais de futebol do que os americanos, o ambiente não é aquele clássico de Copa. A presidente Claudia Sheinbaum nega que haja "caos", apesar da oposição crescente. Um motorista de van com quem o UOL conversou relatou que a empresa na qual trabalha vai obrigar os profissionais a trabalharem com a camisa da seleção mexicana na quinta-feira, sábado e no domingo, dia de jogos na cidade. "Vou usar a camisa com gosto. Gostamos das nossas cores, da nossa bandeira, do nosso hino. Não temos respeito é pelo nosso governo", disse o motorista Gregório Gil. Mas essa insatisfação, inclusive ao redor do estádio, gera outras cenas em contraste: espaço para troca de figurinhas esteve movimentado em uma praça próxima. Houve exposição também do troféu da Copa e a procura foi alta, com estimativa de presença 15 mil a 20 mil pessoas em quatro dias, segundo organizadores. Para tentar esvaziar mais as ruas, o governo até conclamou aplicação de home office nas empresas e assinou um decreto sobre isso, com outras medidas para tentar aumentar a segurança e a mobilidade na cidade. No meio disso tudo, a Fifa traz sua mobilização para o evento. O UOL apurou, inclusive, que a cúpula da CBF viajou hoje para a capital mexicana para participar do evento. A bola rola para México x África do Sul na quinta-feira, às 16h (de Brasília). O árbitro será brasileiro: Wilton Pereira Sampaio. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.