Corinthians corre contra o tempo para quitar dívida com Talleres por Rodrigo Garro nesta sexta-feira
12 Jun, 2026
Corinthians corre contra o tempo para quitar dívida com Talleres por Rodrigo Garro nesta sexta-feira 170 visualizações 2 comentários Reportar erro Por Felipe Sales, Daniel Keppler, Fábio Marinho e Rodrigo Vessoni O Corinthians chegou ao último dia do prazo estabelecido pelo Talleres, da Argentina, sem concluir o pagamento da dívida referente à contratação de Rodrigo Garro. O clube do Parque São Jorge ainda busca os recursos necessários para quitar o débito e evitar uma nova disputa na Corte Arbitral do Esporte (CAS). A informação é do Meu Timão. Segundo apurou a reportagem, a diretoria alvinegra enfrenta dificuldades para captar os valores envolvidos na operação e atribui os atrasos à sequência de problemas extracampo vivida nas últimas semanas. Houve um entrave para a conclusão do empréstimo negociado com a Outfield, embora a situação tenha avançado na última quinta-feira. Como informou a Central do Timão, o Corinthians chegou a um acordo com a empresa especializada em investimentos, que disponibilizaria os recursos necessários para o pagamento à vista de US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 44 milhões na cotação atual) ao Talleres, já considerando juros e demais encargos da operação. O débito está relacionado à condenação imposta pela Fifa em fevereiro de 2025, no valor de US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 18,7 milhões na cotação da época). Desde então, o Corinthians recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para evitar um novo transfer ban. As tratativas para um acordo permaneceram travadas durante meses em razão do desgaste na relação entre Augusto Melo, responsável pela contratação de Garro em 2024, e a diretoria do Talleres. Conforme publicou o Meu Timão, inicialmente o clube argentino havia estabelecido o fim de maio como prazo para receber os valores. No entanto, atrasos na troca e validação das minutas contratuais, iniciadas ainda em abril, fizeram com que a data fosse prorrogada para a próxima sexta-feira. O presidente do Talleres, Andrés Fassi, reforçou que não pretende conceder uma nova extensão do prazo e garantiu que recorrerá novamente à Corte Arbitral do Esporte caso o pagamento não seja efetuado. “Estamos esperando que paguem até 12 de junho. É a data limite que esperaremos para receber o pagamento. Se não pagarem, o Talleres vai à CAS para que executem a punição. Eles (Corinthians) estão convencidos de que nos pagam antes. Nós esperaremos até esse dia”, afirmou em entrevista à ESPN. Nos últimos meses, o clube do Parque São Jorge conseguiu reabrir o diálogo com os argentinos. Inicialmente, Fassi demonstrava resistência em negociar por conta do relacionamento desgastado com Augusto Melo, que, segundo relatos, não teria respondido às tentativas de contato do dirigente argentino durante seu mandato. Com a chegada de Osmar Stabile à presidência, porém, as conversas avançaram. O mandatário corinthiano esteve pessoalmente em Córdoba para se reunir com Andrés Fassi, gesto que foi bem recebido pela diretoria do Talleres. Em abril, Stabile afirmou que o Conselho de Orientação (Cori) havia dado aval ao plano financeiro elaborado para a quitação da dívida. Além disso, o presidente também estruturou um grupo interno voltado à reorganização financeira do clube, dissolvido no início de maio após as saídas dos coordenadores André Recoder e Gabriel Diniz Abrão. O departamento teve participação importante na resolução das pendências com o Santos Laguna, do México, pela contratação de Félix Torres — situação que encerrou o último transfer ban imposto pela Fifa —, além das negociações envolvendo Matías Rojas. O mesmo grupo também participou das tratativas com o Talleres. Enquanto o impasse segue nos bastidores, Rodrigo Garro continua sendo uma das principais peças do elenco alvinegro. Em 2026, o meia soma 33 partidas, com dois gols marcados e 11 assistências, liderando o ranking de passes para gol da equipe alvinegra na temporada. Outros problemas financeiros Em 21 de maio, o Corinthians voltou a aparecer na lista de clubes impedidos de registrar novos jogadores pela Fifa. A punição foi aplicada em razão de uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez, que teve o contrato rescindido no início deste ano após se atrasar para a reapresentação do elenco e se apresentar com uma lesão no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho. A condenação foi imposta pela Fifa ainda em setembro de 2025. Na ocasião, o clube do Parque São Jorge foi obrigado a pagar 1,425 milhão de dólares (cerca de R$ 7,4 milhões na cotação atual), valor acrescido de juros de 15% ao ano. O Timão recorreu à Corte Arbitral do Esporte, mas não efetuou o pagamento e segue sob transfer ban até a regularização da pendência. Além da restrição para registrar novos atletas nas próximas três janelas de transferências, o Corinthians também enfrenta dificuldades para manter em dia os compromissos com o elenco profissional. Pelo segundo mês consecutivo, a diretoria alvinegra atrasou o pagamento dos salários dos jogadores e da comissão técnica comandada por Fernando Diniz. Conforme soube a reportagem do Meu Timão, os vencimentos referentes a maio deveriam ter sido depositados no último sábado, quinto dia útil de junho, mas ainda não haviam sido quitados até a publicação desta matéria. A situação repete o cenário do mês anterior, quando os salários de abril também foram pagos com atraso. Na ocasião, jogadores e comissão técnica receberam os valores cinco dias depois do prazo, enquanto os demais funcionários tiveram os vencimentos quitados normalmente. Neste momento, não há uma previsão oficial para a regularização dos pagamentos. Internamente, porém, a diretoria trabalha para evitar que o atraso se prolongue por mais tempo. Agora, além de administrar uma dívida que supera os R$ 2,7 bilhões, o Corinthians também precisa resolver a pendência com o Philadelphia Union, colocar os salários em dia e solucionar o imbróglio com o Talleres. Polêmicas extracampo A situação extracampo segue turbulenta para a diretoria corinthiana nas últimas semanas. O próprio presidente Osmar Stabile foi alvo de um pedido de impeachment protocolado por um grupo de associados e conselheiros, que alega supostas violações estatutárias e legais relacionadas à contratação de empresas de segurança e pede a abertura de um processo de afastamento do mandatário. Os autores sustentam que as irregularidades apontadas comprometem a transparência, a governança e a saúde financeira da instituição. Segundo o documento ao qual o Meu Timão teve acesso, as acusações envolvem possíveis descumprimentos do Estatuto do Corinthians, da Lei Geral do Esporte (LGE) e de normas administrativas internas. O principal ponto do pedido diz respeito à contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa ligada a Fernando José da Silva, conhecido como “Nandão”, atual gerente operacional do clube. De acordo com os signatários, a contratação teria ocorrido sem contrato formal e sem a aprovação prévia do Conselho de Orientação, exigência prevista no Estatuto para determinadas despesas administrativas. O caso chegou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que incluiu Osmar Stabile na lista de investigados do procedimento criminal que apura possíveis irregularidades na contratação da empresa de segurança. O aditamento foi realizado na última terça-feira por determinação do promotor Cassio Conserino, responsável por diversas investigações envolvendo as últimas gestões do Corinthians. Além disso, ainda em abril deste ano, um grupo de conselheiros já havia protocolado um pedido de impeachment contra o presidente. O processo avançou nos órgãos internos do clube, e Osmar Stabile já foi oficialmente notificado para apresentar sua defesa. O argumento utilizado pelos autores do pedido está relacionado ao acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociar uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão. Segundo o documento, o clube ofereceu o Parque São Jorge como garantia da operação, com o complexo avaliado em R$ 602,2 milhões. Os signatários alegam que a medida foi adotada sem a autorização prévia dos órgãos competentes do clube, exigida pelo Estatuto. Eles também sustentam que a utilização da sede como garantia representa uma forma de oneração patrimonial, uma vez que o bem poderia ser executado em caso de descumprimento do acordo. Além de Stabile, o segundo vice-presidente Armando Mendonça também também vive dias conturbados. O dirigente anunciou o afastamento do cargo por 30 dias em meio aos desdobramentos da investigação sobre o suposto desvio de materiais esportivos da Nike no Corinthians. Nos últimos dias, conselheiros e associados encaminharam um pedido de afastamento cautelar contra Mendonça junto ao Conselho Deliberativo (CD). O dirigente foi denunciado pelo MP-SP na última semana pelos crimes de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.