Copa começa nos EUA sem ICE nos estádios, mas com drones e scanner corporal

admin
12 Jun, 2026
Resumo "Épico" e "sem precedentes", em tamanho e em riscos. A Copa do Mundo, que tem largada hoje nos Estados Unidos, foi definida com esses adjetivos pelos comandantes da força de segurança do torneio em Nova Jersey, em entrevista ao UOL. A eles, caberá garantir condições tranquilas e seguras para às seleções do Brasil, Marrocos, Haiti e Senegal na fase de grupos e a uma série de partidas, incluindo a final do Mundial, em 19 de julho, no Metlife Stadium. A primeira partida no país será em Los Angeles, entre EUA e Paraguai, às 22h (horário de Brasília). A competição começou ontem, em outro país-sede, o México, que venceu a África do Sul por 2 a 0. O Canadá, que também recebe o Mundial, joga hoje contra a Bósnia, às 16h, em Toronto. Mas é a superpotência que monopoliza a Copa. Os EUA possuem 11 das 16 cidades-sedes do torneio -e um histórico de traumas com atividades terroristas, como o episódio do atentado à bomba na Olimpíada de Atlanta, em 1996, ou os ataques de 11 de setembro de 2001 - o que justifica os US$ 625 milhões (R$3,2 bilhões) em subsídios federais adicionais aos orçamentos locais. Mais de 400 órgãos de segurança pública locais trabalham junto ao governo federal e a empresas de segurança privada que atuarão nos 78 jogos, ao longo de 39 dias, disputados em território norte-americano, e na proteção contínua às equipes das seleções nos hotéis. As forças de segurança, porém, descartam operações de deportação da polícia migratória, o ICE, nos arredores ou dentro dos estádios em dias de jogos. Entre as medidas específicas para proteger os atletas está a designação de um agente do serviço secreto americano para acompanhar 24 horas por dia, sete dias da semana, cada uma das 48 seleções. A exigência é que o agente designado para cada grupo fale a língua nativa do país e faça a interface entre a seleção e as equipes de segurança da Copa. O Serviço Secreto admite que o nível de risco inerente à presença de cada seleção varia, com grupos como o iraniano entre os mais preocupantes, mas não divulga o ranking de risco dos 48 times. A Copa de 2026 é disputada sob uma tensão específica, já que os EUA, um dos três países anfitriões, está em guerra com o Irã, que participa do torneio. A situação tem gerado problemas e assimetrias na disputa, a ponto de forçar os iranianos a mudarem sua base do estado americano de Arizona para a cidade mexicana de Tijuana, embora as partidas do time persa estejam todas programadas para acontecer nos EUA. O risco de ataques com drones Um ataque por drones nos estádios é considerado um dos maiores riscos à segurança na Copa. A tecnologia se tornou barata e popular nos últimos anos, e as guerras da Ucrânia e do Irã têm demonstrado o potencial destrutivo de drones simples. Isso forçou órgãos como o FBI, a Polícia Federal dos EUA, a aumentar sua capacidade de detecção e derrubada de dispositivos voadores que possam representar ameaça durante os jogos. Embora não expliquem como os sistemas anti-drones funcionam, as equipes de segurança da Copa afirmam que os 78 jogos contarão com capacidades tecnológicas para combatê-los. Uma lei assinada em dezembro do ano passado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, garantiu que o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) destinasse US$ 250 milhões (quase R$1,3 bilhão) às cidades-sedes para custear tecnologia anti-drones. Além disso, 60 agentes de 30 jurisdições estaduais e locais receberam treinamento específico do FBI, contra dispositivos aéreos, para atuar durante o torneio. Segurança em estilo aeroporto nos estádios Dentro do estádio, torcedores devem esperar um nível de segurança e inspeção semelhante ao encontrado em aeroportos, com o uso de scanners corporais, detectores de metais, inspeções de mochilas e bolsas e tecnologia de reconhecimento facial, o que tem gerado críticas e controvérsia sobre falta de privacidade e aumento de controle e vigilância de forças policiais. "A questão gira em torno de como essas tecnologias poderão ser utilizadas em operações futuras e por quanto tempo, por exemplo, eles manterão bancos de dados com essas informações. Isso não está claro. Até o momento, a administração Trump afirmou que haverá certas restrições — como, por exemplo, não registrar imagens nem monitorar cidadãos americanos. No entanto, eles foram menos claros quanto ao que acontece com informações de não cidadãos e imigrantes nos Estados Unidos", afirmou ao UOL Ariel Ruiz, analista sênior do Instituto de Políticas Migratórias, think tank em Washington D.C. As forças de segurança da Copa tentam afastar controvérsias e negam que haja qualquer potencial excesso na coleta e uso de informações de torcedores. "Estamos trabalhando com a assessoria do nosso time legal e não estamos preocupados porque não estamos invadindo a privacidade de ninguém", afirmou o Tenente Coronel David Sierotowicz, comandante de Incidente da Copa do Mundo de 2026 em Nova York/ Nova Jersey. Sierotowicz recomenda que aqueles que pretendem assistir aos jogos nas arquibancadas nos EUA "antecipem sua chegada aos estádios", porque a segurança espera filas longas para inspeções e checagens. Sem blitz de deportação do ICE em estádios Parte da preocupação com reconhecimento facial está no risco de que agentes da polícia migratória, o ICE, usem o aparato de vigilância para detectar e capturar imigrantes indocumentados nos estádios norte-americanos. O governo de Donald Trump prometeu realizar a maior deportação em massa da história do país e tem adotado atuação ostensiva de agentes em cidades e regiões com presença de comunidades de migrantes. Em média, a administração tem deportado entre 30 mil e 40 mil pessoas por mês. As forças de segurança que atuam na Copa, porém, descartam operações de deportação do ICE nos arredores ou dentro dos estádios em dias de jogos. "Estamos aqui para proteger os torcedores e o próprios evento, de proporções épicas e sem precedentes; vamos deixar de lado outras prioridades nacionais em prol da segurança nesta área de atuação", disse o tenente-coronel Doug Lemanowicz, da Polícia Estadual de Nova Jersey, vice-comandante de incidente da Copa, quando foi questionado especificamente sobre operações de deportação. Os comandantes de segurança têm primazia sobre as atividades de segurança que podem ou não acontecer no perímetro dos estádios. Mas não há garantias de que o ICE não faça operações para fora dos limites sob comando dessas forças, em bolsões de migrantes e festas de rua. Consultados sobre sua atuação na Copa do Mundo pelo UOL, o ICE afirmou, por meio de um porta-voz do Departamento de Segurança Doméstica, que fará parte das operações de segurança, "assim como fazemos em todos os grandes eventos esportivos, ao mesmo tempo em que exibimos a grandeza americana para todo o mundo". "Visitantes internacionais que vêm legalmente aos Estados Unidos para a Copa do Mundo não têm com o que se preocupar. O que torna alguém um alvo das ações de fiscalização de imigração é o fato de estar ou não ilegalmente nos EUA -ponto final. Especulações em contrário são fruto de desinformação", diz o porta-voz do órgão. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.