Torcida na Copa do Mundo: o que pode e o que não pode em condomínios
12 Jun, 2026
Na Copa do Mundo, são comuns as reuniões para acompanhar e torcer, especialmente em jogos da Seleção Brasileira. Nesta edição de 2026, serão 39 dias de competição, e muitas partidas terão início às 21h30, 22h, 22h30 e 1h, no limite do período de silêncio nos condomínios. Ingredientes para o cuscuz marroquino podem ser encontrados nos mercados de Curitiba Os horários dos jogos neste ano acrescentam um complicador para quem está à frente dos condomínios nesta época. Apesar do clima de festa, o período exige atenção redobrada para evitar conflitos entre vizinhos. Para garantir que a celebração não termine em multa ou desentendimento nos condomínios, o advogado Jon Bergamo, vice-presidente jurídico da Loft, dá dicas para evitar conflitos. Época de festa, mas regras continuam valendo O aumento do barulho, o uso intensivo de áreas comuns e a chegada constante de visitantes podem ser uma tempestade perfeita para gerar desentendimentos, mesmo entre vizinhos que convivem bem o ano todo. O Capítulo V do Código Civil, que regra os Direitos de Vizinhança, preserva o “sossego” e estabelece que devem ser observados os “limites ordinários de tolerância dos moradores da vizinhança”. É uma referência à legislação específica, de competência dos municípios, que definem os locais e horários em que se deve ser respeitado o silêncio e se evitar aglomerações. “A Copa cria um clima de celebração, e isso é legítimo. Mas a lei não entra em recesso. O que pode haver é uma flexibilização de horário, se decidida em assembleia e desde que respeitados os limites legais. A festa pode durar mais, porém tem que se ter cuidado com a intensidade de som, especialmente”, explica o vice-presidente jurídico da Loft. Ainda segundo o advogado, qualquer mudança temporária, como a alteração do horário de silêncio para um jogo específico, deve ser antes decidida por meio de uma assembleia-geral, observado o quórum específico e sem se esquecer dos limites legais definidos pelo município. Só assim, ela poderá ter (ou não) validade para todos os moradores. O que o síndico deve fazer durante a Copa Síndicos que se antecipam com comunicação clara tendem a atravessar o período com muito menos atrito. “O síndico que age antes não precisa apagar incêndio depois. Conflitos de vizinhança geram consequências jurídicas reais.” O especialista lembra que a demanda por áreas comuns e a circulação de visitantes disparam neste período. “Uma comunicação bem feita não só informa, mas aumenta a tolerância coletiva. Vale lembrar que são, no máximo, oito jogos do Brasil. Apenas oito eventos de maior empolgação coletiva das pessoas, vale a pena atravessá-lo com boa vizinhança.” Áreas comuns são as mais problemáticas Salões de festas, espaços gourmet e áreas de lazer são os mais utilizados durante os jogos. O uso intenso exige controle rigoroso. Limite de pessoas, horários permitidos e regras de conduta precisam ser respeitados e comunicados com antecedência. A recomendação é que as regras sejam claramente definidas e divulgadas, de modo a evitar a superlotação. “A comunicação pode ser feita, inclusive, pelo WhatsApp, em um canal de transmissão, para que não haja discussões. O mais importante é garantir que a mensagem chegue nas pessoas e elas se preparem, tanto para tolerar mais a festa dos demais, como para não cometerem excessos atrapalhando o sossego dos vizinhos de prédio e bairro.” Pode ter flexibilidade no condomínio durante a Copa? Alguns condomínios adotam medidas mais flexíveis durante a Copa, e isso é possível desde que feito com critério e respeitada a convenção e legislação. A postura de uma maior tolerância se assemelha à adotada nas festas de final de ano, em que muitas vezes as celebrações entram madrugada adentro, mesmo com a convenção prevendo silêncio às 22h. Limites que não mudam Apesar da flexibilidade, alguns pontos são inegociáveis, sobretudo os relacionados à segurança e sossego, que são prioridades absolutas. “Fogos de artifício são proibidos em qualquer circunstância e representam risco à segurança das pessoas e patrimonial sério. O mesmo vale para instrumentos de ruído excessivo e contínuo, como vuvuzelas. Nessas situações, a multa é aplicada sem relativização.” Outras infrações graves, como o uso de garrafas de vidro em áreas de piscina, também costuma ser punidas com rigor e podem chegar a multas de até 10 taxas condominiais. Responsabilidade sobre os convidados O aumento de visitantes durante a Copa exige atenção especial ao controle de acesso. “O fluxo de visitantes aumenta muito durante a Copa, e o morador precisa entender que é juridicamente responsável pelo comportamento de quem ele traz para o condomínio. Controle de acesso e identificação não são burocracia, são proteção”. Pela lei, o morador é sempre responsável pelo comportamento de seus convidados dentro do condomínio e qualquer excesso pode gerar penalidades. Respeito é fundamental Apesar de todos os desafios, o período da Copa pode ser aproveitado para fortalecer a convivência entre vizinhos. Há casos em que condomínios promovem exibição dos jogos em telões nos salões de festas. O mesmo acontece naqueles que são dotados de cinemas dentro dos empreendimentos. “A Copa pode ser uma oportunidade real de fortalecer a comunidade do condomínio e ao mesmo tempo ter mais controle sobre os limites das festas.” Outro exemplo de ação é a troca de figurinhas, uma prática muito comum no passado e que vem sendo retomada pelas novas gerações. O que pode na Copa em condomínios Decorar a sacada com a bandeira do Brasil: há um entendimento de flexibilidade durante o período da Copa, mesmo onde a regra padrão proíba objetos na fachada. Reservar o salão de festas ou cinema: para assistir aos jogos com convidados, respeitando o limite de lotação e as regras de agendamento do condomínio. Receber convidados: dentro dos limites estabelecidos pelo regimento, com identificação e responsabilidade do morador anfitrião. Trocar figurinhas nas áreas comuns: atividade incentivada para promover a convivência entre vizinhos de todas as idades. Comemorar os gols com moderação: a tolerância mútua é a principal recomendação para os dias de jogos da seleção. Levar latinhas para a área de lazer: cada condomínio possui a sua regra, e, em muitos, é permitido desde que não sejam consumidas dentro da piscina. O que não pode na Copa Soltar fogos de artifício: proibido em qualquer circunstância, pelo risco de incêndio, danos a pessoas e terceiros e impacto em pessoas com autismo, crianças e animais. Usar vuvuzelas, megafones, cornetas e demais equipamentos que causem ruído excessivo e contínuo e perturbem os demais moradores são proibidos. Exceder o volume sonoro: mesmo com flexibilização de horário, o volume deve ser respeitoso para não atrapalhar quem está trabalhando ou descansando. Usar garrafas de vidro na piscina: pelo risco de quebrar e provocar acidentes, rende multa imediata. Exceder o limite de convidados: quando previsto em regras internas, essa prática é vetada. Mesmo se não for, pode provocar desconforto aos demais moradores. Desrespeitar horários definidos em assembleia: as regras continuam valendo, exceto se for flexibilizada por meio de assembleia. Fonte: Loft O post Torcida na Copa do Mundo: o que pode e o que não pode em condomínios apareceu primeiro em Bem Paraná .