Petrobras e Finep lançam edital de R$ 150 milhões para hidrogênio
17 Jun, 2026
247 - A Petrobras e a Finep lançaram, nesta terça-feira (16), um edital de R$ 150 milhões para apoiar o desenvolvimento, no Brasil, de um eletrolisador de porte industrial voltado à produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono. A iniciativa pretende fortalecer a cadeia tecnológica nacional, reduzir custos e ampliar a autonomia do país em um setor considerado estratégico para a transição energética. O edital tem como foco a criação de uma tecnologia nacional para o equipamento que utiliza eletricidade para transformar água em hidrogênio. Hoje, segundo a companhia, há poucas empresas no país capazes de fabricar eletrolisadores, e nenhuma delas produz o Stack, componente central onde ocorre a reação de conversão da água em hidrogênio. A assinatura do termo de cooperação e o lançamento do edital ocorreram na sede da Petrobras, com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A chamada pública terá recursos não reembolsáveis divididos igualmente entre Finep e Petrobras: R$ 75 milhões de cada instituição. A parcela da estatal virá da verba de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, o P&D,I. Luciana Santos afirmou que a iniciativa integra a estratégia do governo federal para estimular áreas tecnológicas consideradas decisivas para o desenvolvimento industrial do país. “Com esta iniciativa, reforçamos o compromisso do MCTI e do Governo Federal com o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a reindustrialização, a sustentabilidade e a soberania nacional. Trabalhamos de forma conjunta para fortalecer uma cadeia tecnológica importante, apoiando nossa indústria, barateando custos e preparando o país para os desafios do futuro”, destacou a ministra. O edital exige, no mínimo, 50% de conteúdo nacional e prevê a possibilidade de desenvolvimento a partir de tecnologias já existentes, desde que haja avanço tecnológico mensurável. A proposta é que o equipamento brasileiro não apenas reduza custos, mas também apresente inovação em relação aos eletrolisadores produzidos no exterior. Magda Chambriard defendeu que o hidrogênio de baixo carbono pode cumprir papel relevante na redução de emissões de setores industriais intensivos em energia. “O hidrogênio de baixo carbono é uma das alavancas mais concretas para descarbonização. Precisamos aprimorar o desenvolvimento científico para viabilizá-lo e assim tornar mais sustentáveis indústrias como siderurgia, química e de refino. O custo de produzir hidrogênio por eletrólise ainda é alto e, por isso, reduzir esse custo é um dos nossos objetivos centrais. O Brasil está bem posicionado para liderar essa agenda. A Petrobras está avançando e comprometida com a transição energética justa”, afirmou a presidente da Petrobras. A chamada pública deverá apoiar um projeto estruturante, organizado em rede, com a participação de pelo menos três empresas envolvidas no desenvolvimento tecnológico e, no mínimo, uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação, as ICTs. Além dos recursos aportados por Petrobras e Finep, as empresas beneficiárias deverão apresentar contrapartidas. A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou que a meta é diminuir a dependência externa e enfrentar um dos principais entraves à expansão do hidrogênio no país. “Queremos reduzir a dependência tecnológica externa e, assim, o custo do hidrogênio, a principal barreira para a sua adoção em larga escala. O desenvolvimento deve cobrir desde a engenharia básica até um protótipo pré-comercial”, explicou. O presidente da Finep, Luis Antonio Elias, disse que o edital reúne instrumentos de fomento à inovação em energia para inserir o Brasil de forma mais robusta na cadeia do hidrogênio. “O Brasil tem condições de liderar a transição energética global, mas nosso objetivo vai além da produção de energia limpa: queremos desenvolver as tecnologias que viabilizarão essa transformação. Este edital reúne, de forma inédita, os principais instrumentos de apoio à inovação em energia para impulsionar um projeto capaz de posicionar o Brasil na cadeia de hidrogênio”, afirmou. A Petrobras prevê, em seu plano de negócios 2026-2030, a destinação de US$ 4 bilhões para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Já a Finep ampliou o financiamento de tecnologias verdes e destinou mais de R$ 12,5 bilhões, entre 2023 e 2025, a projetos e iniciativas relacionados à transição sustentável.