Fofoca: por que não conseguimos parar de falar dos outros?
24 Jun, 2026
Um dos principais motivos pelos quais as pessoas espalham fofocas prejudiciais são problemas não resolvidos em suas próprias vidas. Pessoas feridas ferem outras pessoas, afirmam especialistas em comportamento e desenvolvimento humano. De acordo com eles, a fofoca não precisa necessariamente prejudicar, tudo depende de como é usada. Feita com sabedoria, pode até proteger, informar ou conectar pessoas; usada de forma descuidada, pode prejudicar relacionamentos e até afetar a saúde física. O algoritmo da fofoca: como notícias bizarras viralizam tão rapidamente Desculpem, mas nunca vi fofoca protetora. Afinal de contas, por que fofocamos? Uma das 100 pesquisadoras de fofoca no mundo, a doutora em comunicação Shawne Duperon diz que os seres humanos são antropologicamente programados para fofocar e não podem deixar de fazê-lo. Vale ressaltar que ela criou o Project Forgive, fundação de liderança sem fins lucrativos indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 2016. Leia Mais Quem doa sangue, doa vida e amor Socorro, como limpar box de banheiro? Ciclovia da Afonso Pena volta a ser assunto em BH Eshin Jolly, doutor em psicologia pela Universidade da Califórnia, afirma que a fofoca é uma ferramenta com múltiplas funções: criar laços, compartilhar experiências e ajudar as pessoas a ajustarem seu comportamento. A conexão entre fofoca e saúde A fofoca negativa pode prejudicar não apenas a reputação e os relacionamentos, mas também a saúde. Quem foi alvo de fofocas maldosas sabe que dói. Quando a reputação de alguém é ameaçada ou essa pessoa se sente excluída, o corpo pode entrar em modo de “luta ou fuga”, liberando hormônios do estresse como cortisol e adrenalina. Isso contribui para ansiedade, depressão, dores de cabeça e problemas digestivos. Com as redes sociais, a fofoca se espalha muito rapidamente, tornando-se mais perigosa. Parte do que a torna tão atraente, online ou offline, tem origem neurológica. Ela ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, e ocitocina, que promove o vínculo social. No entanto, a fofoca digital dilui as nuances de uma forma que raramente ocorre em conversas presenciais. Veja como se proteger emocionalmente da fofoca Especialistas apontam que fofocas nas redes sociais são reduzidas a narrativas simples e fáceis de digerir, com vencedores, perdedores, heróis e vilões bem definidos. A informação falsa se espalha mais depressa porque tende a ser inovadora, incomum, ameaçadora e emocionalmente envolvente. Antes de fazer fofoca, passe-a por este filtro: não diga nada que você não diria na frente da pessoa em questão. Antes de se deixar levar pela tentação de fofocar, pergunte-se: o que você está prestes a dizer é pesado e maldoso? Fato é que a fofoca tem o poder de unir as pessoas ou separá-las. Segundo Shawne Duperon, a fofoca não é o problema, mas sim como a usamos. * Isabela Teixeira da Costa/Interina