GM amplia investimento para R$ 10,5 bi e acelera produção de híbridos no BR
25 Jun, 2026
Resumo Depois de um dos períodos mais desafiadores de sua história recente no Brasil, a General Motors decidiu aumentar sua aposta no país. A montadora anunciou nesta terça-feira (24) um aporte adicional de R$ 3,5 bilhões, elevando para R$ 10,5 bilhões o plano de investimentos previsto até 2028. O novo valor se soma aos R$ 7 bilhões anunciados em janeiro de 2024 e será destinado principalmente às operações da empresa em São Paulo, onde estão três das cinco fábricas da empresa no país. Em Mogi das Cruzes, são produzidos componentes estampados, como a lataria dos veículos; em São Caetano do Sul (SP), os modelos Chevrolet Tracker, Spin e a picape Montana; e em São José dos Campos, o Trailblazer e a picape S10, além de motores e transmissões. Segundo a GM, os recursos financiarão a renovação do portfólio da Chevrolet, a produção de veículos híbridos, a modernização das fábricas e a ampliação da capacidade de engenharia e manufatura. Reorganizando a casa O anúncio representa mais um capítulo da reorganização da Chevrolet no Brasil. Nos últimos anos, a marca viu a concorrência aumentar de forma significativa, principalmente com a chegada das fabricantes chinesas e a rápida expansão do mercado de veículos eletrificados. Embora continue entre as líderes de vendas, a montadora perdeu participação em segmentos importantes, enquanto parte da rede de concessionárias passou por um processo de redução de custos, com fechamento de algumas operações e pressão sobre a rentabilidade. A reação acontece em várias frentes. A Chevrolet renovou modelos de grande volume, prepara a chegada de híbridos leves produzidos no Brasil e passou a recorrer à parceria com a chinesa SGMW para ampliar rapidamente sua oferta de elétricos e híbridos no mercado nacional. É justamente nessa estratégia que entra a fábrica da PACE, em Horizonte (CE). A unidade, operada pela Comexport, começou a montar o Spark EUV em dezembro de 2025 e iniciou na última semana a produção da Captiva EV. A planta não integra diretamente o pacote de investimentos anunciado nesta terça-feira, mas se tornou peça importante na estratégia da Chevrolet para acelerar sua presença no segmento de eletrificados. Segundo apuração do UOL Carros, a operação cearense também deverá produzir outros dois modelos da joint venture SGMW, formada por General Motors, SAIC e Wuling. Um deles será a Captiva híbrida plug-in. O outro será um compacto derivado do Wuling Bingo, previsto para chegar ao mercado brasileiro em 2027 e apontado internamente como o futuro concorrente do BYD Dolphin Mini. Enquanto isso, os investimentos nas fábricas próprias seguem outra direção. O novo aporte de R$ 3,5 bilhões será concentrado principalmente nas unidades paulistas e deverá financiar a próxima geração de produtos nacionais, incluindo a chegada dos híbridos produzidos no Brasil. A expectativa é que Tracker e Montana recebam sistemas híbridos leves ainda este ano, movimento considerado essencial para atender às exigências do programa Mover e melhorar a eficiência energética da linha Chevrolet. O novo aporte foi anunciado um dia após a Anfavea, associação da qual a GM faz parte, elevar o tom contra o governo federal. A entidade afirmou que a decisão do governo de ampliar as cotas para importação de veículos eletrificados em regime CKD e SKD - medida considerada uma vitória da BYD - pode comprometer novos investimentos da indústria no país. Embora o plano da GM já estivesse em elaboração, o anúncio reforça que a montadora mantém sua estratégia de expansão no Brasil apesar do ambiente regulatório. A estratégia também representa o cumprimento de uma promessa da montadora. Quando anunciou os primeiros R$ 7 bilhões, em janeiro de 2024, a empresa classificou aquele investimento como a "primeira fase" de um novo ciclo e deixou aberta a possibilidade de novos aportes caso o mercado evoluísse. Dois anos depois, essa segunda etapa foi oficialmente confirmada. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.