O que faz a camisa de Pelé valer R$ 30 milhões? Exposições mostram o valor da memória das Copas

admin
26 Jun, 2026
Memórias das Copas Exposições no Pátio Higienópolis e Sesc Pompeia trazem objetos raros que contam histórias marcantes dos Mundiais. Crédito: Edição: Júlia Pereira Gerando resumo Uma camisa usada por Pelé na conquista do Mundial de 1958 vai valer, no mínimo, R$ 30 milhões em um leilão que a casa Sotheby’s vai realizar durante a Copa do Mundo, em Nova Iorque. A cifra impressionante exemplifica como as peças esportivas históricas podem atravessar gerações, acumulando camadas afetivas, culturais, sociais e comerciais. Esse valor não é definido apenas pelo nome nas costas. Procedência, contexto histórico e a história que a peça carrega pesam na avaliação. Em outros casos, o valor está na raridade. “Quanto mais exclusiva for a peça, maior seu potencial de valorização”, resume o colecionador Cassio Brandão, fundador da plataforma Alambrado Futebol e Cultura, especializada em camisas históricas. Como uma rara jaqueta usada por Pelé virou figurino de Bad Bunny em show no Brasil Cássio Brandão, maior colecionador de camisas de futebol do mundo, foi o responsável pelo empréstimo ao cantor; ele contou os bastidores da escolha da peça. Crédito: João Abel/Estadão Em sua plataforma, os itens comercializados variam entre R$ 40 mil e R$ 400 mil. Embora algumas camisas históricas alcancem valores de obras de arte, os colecionadores evitam reduzir suas peças a cifras. O tema ainda é tabu. Além da questão da segurança, muitos preferem destacar o aspecto histórico e afetivo dos acervos, principalmente as histórias preservadas em cada peça. “Colecionadores têm papel fundamental em preservar a história do futebol. Muitas vezes são eles que guardam peças que poderiam ter desaparecido”, afirma o colecionador Marcelo Monteiro, criador do perfil Museu Histórico do futebol no Instagram. Essa combinação entre memória, paixão e preservação que está no centro de duas exposições em São Paulo. No Pátio Higienópolis e no Sesc Pompeia, camisas, ingressos, álbuns de figurinhas, revistas e objetos raros ajudam a contar uma história que nem sempre foi preservada por clubes, federações ou instituições esportivas. São espaços também para compartilhar memórias para as próximas gerações. O executivo Felipe Lando, de 40 anos, levou o filho, Roberto, para curtirem o espaço juntos. A mãe está na maternidade: o segundo filho nasceu na segunda-feira. “Vou dividir a licença-paternidade entre a família, que agora está maior, e os jogos da Copa”, sorri. Do manto de Pelé ao agasalho de Bad Bunny No Shopping Pátio Higienópolis, zona central, a exposição “Mantos Campeões” reúne 18 camisas históricas de seleções nacionais, incluindo peças originais da brasileira, dos anos 1950 à Copa de 2022. A mostra foi concebida pelo próprio Brandão, que reúne mais de 7 mil camisas de cerca de 1.800 clubes e seleções. “Infelizmente, somos um País que cuida muito mal da memória. Meu trabalho vem desse lugar: tentar preservar essa memória e ampliá-la para que novas pessoas possam conhecê-la”, afirma. A curadoria foi organizada em três momentos: - o primeiro parte do agasalho da seleção brasileira dos anos 1960 que viralizou mundialmente após ser usado pelo cantor porto-riquenho Bad Bunny em uma apresentação no Brasil; - o segundo percorre a trajetória da camisa da seleção brasileira por meio de peças utilizadas por Djalma Santos, Zito, Pelé, Ronaldo, Kaká, Zetti e Vini Jr. - o último homenageia campeãs mundiais, com exemplares ligados a craques como Messi, Rooney, Zidane e Lugano. Brandão acredita que a aproximação entre futebol, moda e cultura pop contribui para despertar o interesse de novos públicos. O episódio envolvendo Bad Bunny é um exemplo. Quando os colecionadores viram historiadores No Sesc Pompeia, zona oeste, o olhar se abre para todas as formas de memória produzidas em torno das Copas. Com curadoria do jornalista Marcelo Duarte, a exposição “Colecionadores de Copas” reúne objetos cedidos por dezenas de colecionadores, entre eles, Marcelo Monteiro, Moacir Peres e Sergio Paz. O conjunto inclui flâmulas, ingressos, discos, revistas, brinquedos, pins, mascotes, álbuns de figurinhas e camisas utilizadas por jogadores em diferentes edições do Mundial. Leia também A grife e a gafe: veja os fatos que marcaram a segunda rodada da Copa do Mundo Escoceses já ganharam do Brasil em uma coisa: beber cerveja Brasil joga com a Escócia para avançar em 1o e evitar pior campanha em Copas desde 1966 “Existem várias maneiras de viver uma Copa do Mundo. Não apenas para quem viajou, mas também para quem guardou uma figurinha, uma revista ou um chaveiro. Tudo isso também conta uma história”, afirma. Para Duarte, esse é o legado da mostra. “Tudo pode ser memória. Tudo pode ser história. Quando reunimos essas peças, conseguimos enxergar as diferentes formas como as pessoas viveram as Copas ao longo das décadas.” Entre as peças raras estão uma camisa usada por Ronaldo na Copa de 1994, uma de Messi na Copa de 2018, o agasalho utilizado por Nilton Santos em 1958 e uma camisa da Alemanha de 2014, ano do histórico 7 a 1. A mostra está inserida no projeto Sesc na Copa, que reúne várias atividades para conectar futebol, cultura e educação, como explica Carol Seixas, gerente de Desenvolvimento Físico-Esportivo do Sesc SP. “Enquanto o Sesc na Copa convida o público a debater e vivenciar o esporte na prática, a atividade do Sesc Pompeia aprofunda a memória afetiva e a história do país com o futebol”, afirma. Vários perfis de colecionadores Entre os colecionadores que cederam materiais para a mostra está Sergio Paz, colecionador que foge do perfil tradicional. Em vez de concentrar seus esforços na busca por peças específicas, ele transforma cada Copa em uma experiência cultural. Agora, ele está no Canadá. Além dos jogos, visita museus, percorre cidades de bicicleta e guarda ingressos, mascotes, revistas e lembranças. “O valor que o objeto tem para mim eu não consigo medir e se eu perder eu não consigo recuperá-lo”, afirma. Para ele, o patrimônio mais importante não está nas vitrines. “O mais valioso são as lembranças, as conversas com as pessoas, os passeios de bicicleta (...) e as histórias que vão ficando na memória.” Já o desembargador aposentado e professor da FGV Moacir Andrade Peres representa outro tipo de guardião da memória do futebol. Dono de um acervo com cerca de 3 mil álbuns e coleções de figurinhas, ele retomou o hobby da infância no fim dos anos 1990. Serviço Mantos Campeões - Onde: Shopping Pátio Higienópolis – Atrium Central - Quando: até o período da Copa do Mundo de 2026 - Horário: durante o funcionamento do shopping - O que ver: Camisas históricas de seleções nacionais / Peças originais da seleção brasileira dos anos 1950 a 2022 / Camisas de Djalma Santos, Zito, Pelé, Ronaldo, Kaká, Zetti e Vini Jr. / Agasalho da seleção brasileira de 1962 usado por Bad Bunny em show no Brasil / Camisas de Messi, Rooney, Zidane e Lugano Colecionadores de Copas - Onde: Sesc Pompeia – Galpão - Quando: até 19 de julho de 2026 - Horários: Terça a sexta: das 10h às 21h Sábados, domingos e feriados: das 10h às 18h - O que ver: Camisas históricas de Copas / Álbuns de figurinhas raros / Ingressos de partidas históricas / Revistas, jornais e livros / Discos e CDs de músicas de Copas / Mascotes, pins, flâmulas e itens promocionais / Futebol de botão e brinquedos temáticos - Atividades paralelas: - Transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2026 - Troca de figurinhas - Copa do Mundo Virtual - Torneio de videogame com seleções participantes - Encontros com ex-jogadores da Seleção Brasileira e atletas do futebol feminino