Inteligência artificial e startups aceleram a corrida pela longevidade
28 Jun, 2026
Resumo O empresário americano Bryan Johnson, 48, tem uma rotina espartana: alimentação regrada, sono monitorado e uma série de exames de cada parte do corpo. O estilo de vida também inclui injeção de plasma do filho, injeção da própria gordura no rosto e sessões de choques. Tudo para desacelerar seu envelhecimento. "Fomos programados culturalmente para morrer. É hora de questionar essa programação", ele costuma dizer. Desde 2021, quando lançou o experimento Project Blueprint, documentado pela Netflix no longa "O Homem que Quer Viver para Sempre", ele afirma gastar cerca de US$ 2 milhões por ano em tecnologias para alcançar a imortalidade. A busca por viver mais e melhor é um mercado em franca expansão. A empresa de biotecnologia Altos Labs, por exemplo, nasceu com um aporte de R$ 3 bilhões e atraiu investidores como Jeff Bezos. A Hevolution Foundation, organização filantrópica dedicada ao financiamento de pesquisas sobre envelhecimento, colocou na mesa um orçamento de R$ 1 bilhão voltado ao assunto. A XPrize lançou uma competição valendo mais de US$ 100 milhões para iniciativas que busquem melhorar funções associadas ao envelhecimento, como cognição, imunidade e mobilidade. "A gente está vivendo uma explosão de inovação. É a indústria que mais recebe financiamento para usar inteligência artificial", afirma o futurologista e colunista do UOL Gil Giardelli. A longevidade foi um dos temas abordados no segundo episódio do videodcast Missão Saber, do UOL, apresentado por Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL, com participação da médica Luana Araújo. O programa está disponível no YouTube e em todas as plataformas de streaming, e também vai ao ar às sextas-feiras, às 22h30, no Canal UOL na TV. O preço do amanhã O interesse crescente tem impulsionado novos negócios, inclusive no Brasil. As chamadas "longevity techs" apostam em produtos para turbinar performance e qualidade de vida. Enzo Sarney, 21, fundou a BetterBe quando notou esse nicho —seu público-alvo, diz, são esportistas amadores de alto rendimento. Entre os produtos está um suplemento de "performance mitocondrial". Na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, ter uma imagem jovial também está entre os critérios para ser considerado um empresário bem-sucedido. "A gente vira uma extensão dos nossos negócios. Antes eu pesava 151 quilos, estava estressado, cansado. Não queria que esse fosse o reflexo da minha empresa", diz o empresário Alex Araújo, 44. Hoje, ele afirma investir até R$ 6.000 por mês com suplementos, skin care, podologia, design de sobrancelhas e práticas como "criolipólise móvel" (um resfriamento controlado do corpo) e "detox corporal" (com manta térmica). Presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da USP, Bruno Gualano se diz pessimista sobre o mercado de bem-estar. "A indústria do wellness sempre nos faz buscar algo platônico. Quando a gente não alcança, a gente continua consumindo serviços e mercadorias para que a gente chegue mais perto com o ideal de corpo, de desempenho, de longevidade", afirma. O futurista Gil Giardelli acrescenta que a acessibilidade às inovações para longevidade também é um ponto que vem sendo discutido em fóruns internacionais. É o que especialistas chamam de "desigualdades sustentáveis": quando benefícios do avanço acelerado da IA aplicada à saúde ficam restritos a uma parcela pequena da população. Depois de investir milhões de dólares em tecnologias para rejuvenescer, o próprio Bryan Johnson costuma dizer que a etapa mais importante do seu protocolo é gratuita: não se estressar. "Quando isso acontece eu mergulho o rosto em água gelada por 30 segundos, presto atenção à respiração ou faço uma atividade manual que precisa de muita atenção", diz, no documentário da Netflix. Não deixa de ser irônico que, enquanto cientistas tentam reprogramar células, editar genes e desenvolver medicamentos capazes de retardar o relógio biológico, as recomendações mais efetivas dos especialistas são antigas: viver com menos estresse, cultivar vínculos, mover o corpo, comer bem, dormir bem e respirar com calma. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.