Baigorri: Brasil precisa competir no desenvolvimento de aplicações de IA
30 Jun, 2026
Na disputa por protagonismo em inteligência artificial , o Brasil deveria concentrar seus esforços no desenvolvimento de aplicações de IA, sugeriu o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, durante a abertura do evento Digital Nation Summit, nesta terça-feira, 30, em São Paulo. “O que gera valor para os cidadãos não é o LLM ou a GPU da NVIDIA, mas as aplicações desenvolvidas em cima deles. Para isso, não há barreira de entrada, basta criatividade no uso dessas plataformas para gerar valor para a sociedade. Se conseguirmos, o Brasil vai ser um player relevante em IA, mesmo se não tiver data center, LLM que fale português ou chip nacional”, disse Baigorri. IA nas redes de telecom No mesmo evento, executivos de fabricantes de infraestrutura móvel destacaram como as redes móveis precisam ser adaptadas para o tráfego gerado por aplicações de IA, mas também como novas oportunidades de receita serão abertas com a evolução dessas redes. Enquanto, na era pré-IA, o downlink responde por 90% do tráfego móvel e o uplink por apenas 10%, em aplicações de IA essa proporção muda para 60% e 40%, respectivamente. Isso vai obrigar a uma adaptação das redes móveis, incluindo o próprio uso de IA para o gerenciamento e a otimização dos recursos, comentou Carlos Roseiro, diretor de marketing ICT da Huawei. Com o avanço do 5G Standalone e a implementação do 5G Advanced (ou 5,5G), as operadoras podem adotar soluções de conectividade diferenciada, garantindo certos níveis de velocidade e de latência previstos em contrato para aplicações Enterprise, sugeriu Andrea Faustino, CTO da Ericsson para o Cone Sul. Na opinião de Roseiro, as teles deveriam começar a cobrar a mais pela oferta de conectividade diferenciada, como já acontece na China e como fazem outros setores econômicos — citou o exemplo específico das companhias aéreas.