França e Marrocos abrem as 4as com trabalhos que servem de modelo ao Brasil
9 Jul, 2026
Resumo Antes de a bola rolar para França e Marrocos, às 17h (de Brasília), em Boston, o confronto pelas quartas de final da Copa do Mundo oferece um retrato interessante do momento vivido pela seleção brasileira. De um lado estará o modelo de longo prazo que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) sonha construir. Do outro, uma equipe que mostra que também é possível obter resultados relevantes em pouco tempo —para não normalizar a terceira eliminação consecutiva para europeus de segunda prateleira (Bélgica, em 2018, Croácia, em 2022, e Noruega, em 2026). Em campo, estarão o plano a longo prazo e a realidade que cercam o Brasil após a eliminação diante da Noruega. A França representa exatamente o caminho que a direção da CBF deseja seguir. Não por acaso, o coordenador executivo das seleções masculinas, Rodrigo Caetano, citou Didier Deschamps como exemplo depois da queda brasileira. A ideia defendida pela entidade é oferecer estabilidade ao comando técnico e permitir que Carlo Ancelotti tenha um ciclo completo para desenvolver seu trabalho, mesmo sem resultados imediatos. "Veja a França, que perdeu algumas vezes antes de ganhar a primeira. Claro que não queremos ter o mesmo nível de tolerância, mas queremos um ciclo mais calmo", afirmou Rodrigo Caetano na zona mista ainda em Nova Jersey. Os números ajudam a explicar por que ele virou referência. Antes do início da chamada "era Deschamps" em Copas, que começou em 1998, quando ele foi capitão do time que seria campeão do mundo, os franceses haviam disputado 34 partidas de Mundiais em nove participações, com apenas 15 vitórias e nenhuma final disputada. O melhor resultado eram dois terceiros lugares, em 1958 e 1986. Em 1996, ele também já havia sido destaque da Eurocopa, quando a presença na semifinal foi bastante comemorada depois da ausência em duas Copas (a França não passou das eliminatórias para 1990 e 94), em um projeto que já visava um time forte para receber o Mundial em casa dois anos depois. Como técnico da seleção, a transformação começou justamente na Copa de 2014, quando Deschamps já completava dois anos no cargo. Desde então, a França se consolidou entre as maiores forças do futebol mundial. A equipe alcançou as quartas de final pela quarta Copa consecutiva, feito anteriormente obtido apenas por União Soviética, Brasil e Alemanha. Em 24 partidas de Mundial sob seu comando, o treinador soma 19 vitórias, três empates e apenas duas derrotas, além de comandar as gerações responsáveis por dois títulos mundiais (uma como jogador), o que virou destaque até no site da Fifa. Se a França representa o projeto idealizado pela CBF, Marrocos mostra uma realidade muito mais próxima da brasileira. Mohamed Ouahbi assumiu a seleção africana em março, apenas quatro meses atrás, sucedendo Walid Regragui, responsável pela histórica semifinal no Qatar. Herdou uma base consolidada, mas rapidamente mudou a identidade da equipe aproveitando a sua experiência como técnico da seleção olímpica. O time Marrocos deixou de ser reconhecido apenas pela solidez defensiva para buscar maior protagonismo com a bola, mudança implementada em poucos meses. Os resultados apareceram rapidamente. Marrocos estreou empatando com o Brasil, eliminou a Holanda no mata-mata e superou o Canadá nas oitavas para chegar às quartas de final. O cenário guarda semelhanças com o vivido por Ancelotti, que também precisou adaptar ideias a uma equipe formada em grande parte por jogadores que não participaram de um ciclo construído por ele. A diferença é que o italiano dispõe de um elenco considerado tecnicamente superior e teve mais tempo de trabalho. Ouahbi também simboliza uma renovação acelerada. Campeão da Copa do Mundo Sub-20 de 2025, promoveu mudanças importantes na seleção principal e apostou em jovens como Ayyoub Bouaddi, de apenas 18 anos, uma das revelações desta Copa. O meia fez sua estreia em competições oficiais justamente contra o Brasil e se tornou um dos símbolos da nova geração marroquina. Ao chegar ao Brasil, Ancelotti não tinha a experiência de ter sido técnico da base, mas sua ideia também foi se cercar de quem conhecia, convocando até mesmo nomes que já estavam descartados pelos seus antecessores, como Danilo, Casemiro, Alex Sandro e Richarlison, que acabou perdendo a vaga na reta final. França e Marrocos chegam às quartas por caminhos completamente distintos. Uma comprova o valor da continuidade e da paciência para consolidar um projeto vencedor ao longo de mais de uma década. A outra mostra que mudanças rápidas também podem produzir resultados quando existe uma base sólida e um plano claro. Para a seleção brasileira, que tenta reconstruir seu caminho após mais uma eliminação precoce, o duelo em Boston coloca frente a frente exatamente o que a CBF espera alcançar no futuro e o desafio imediato que Ancelotti tenta resolver no presente. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.