Argentina cresce na base do coração, mas time de Scaloni ainda tem falhas

admin
10 Jul, 2026
Resumo A Argentina entra em campo neste sábado pelas quartas de final da Copa do Mundo e segue como uma das maiores favoritas ao título e na busca pelo bicampeonato. Mas a seleção de Lionel Scaloni, Messi e cia ainda deixa a sensação de que não convenceu. Emoção não falta à campanha argentina. Depois de uma fase de grupos tranquila diante de adversários mais frágeis, a segunda fase matou do coração o mais frio dos hermanos (se é que este perfil existe). Contra Cabo Verde, a vitória por 3 a 2 veio nos minutos finais da prorrogação. Diante do Egito, outro drama. Perdia por 2 a 0 e conseguiu uma virada histórica nos últimos 13 minutos. Virtudes o time tem de sobra. Capacidade de reação, talentos individuais, uma força mental que virou marca registrada desde a conquista no Catar e o craque sobrenatural que é Lionel Messi. Mas por que a Argentina ainda não convence? Dependente de Messi É natural que um time jogue em função de um craque como Messi, mas a Argentina concentra praticamente toda sua força ofensiva no jogador. Ele balançou as redes em todas as partidas do torneio. É o único a conseguir o feito e nem os principais concorrentes na briga pelo topo da artilharia como Mbappé e Haaland fizeram isso. Artilheiro do Mundial com oito gols, ainda deu uma assistência. Dos 14 gols marcados pela Argentina até agora no Mundial, ele participou diretamente de nove. Ou seja, 64,2% dos gols passaram diretamente por ele. No jogo contra o Egito em que Messi estava marcado e em dificuldades, a Argentina teve pouco poder de fogo. Adversários mais frágeis até aqui Desde o início do Mundial, o debate é que a Argentina teve um caminho facilitado pela fragilidade dos adversários. Após uma fase de grupos com Áustria, Argélia e Jordânia, o adversário na segunda fase foi Cabo Verde. O time africano ocupa apenas a 64a posição do ranking e foi uma das grandes surpresas do torneio só por ter avançado. Nas oitavas, o adversário foi o Egito, 24o colocado. Nas quartas, pega a 14a colocada Suíça. A título de comparação, entre os favoritos França enfrentou Paraguai (34o no ranking) e Marrocos (6o), Espanha pegou Portugal (7o) e a Bélgica pegou EUA (16o). Defesa vulnerável Na fase de grupos, a Argentina só tomou um gol diante da Jordânia. Mas em dois jogos de mata-mata, foram quatro sofridos diante de Cabo Verde e Egito. O time de Scaloni não cedeu tantas chances em seus jogos, mas todo erro custou caro. Segundo dados oficiais da Fifa, Cabo Verde produziu apenas 0,52 de expectativa de gol, mas marcou dois gols. Foram 16 finalizações, sendo cinco no alvo. Já o Egito finalizou apenas cinco vezes, sendo duas no alvo, ambas entraram. O índice de expectativa de gol foi de 0,76. A preocupação com o equilíbrio do time fez o técnico Lionel Scaloni promover mudanças na última partida e escalar três homens no meio de campo Produção ofensiva menor que maior rival A Argentina não tem problema para controlar seus jogos. É adepta do controle e da posse da bola. Mas produz menos que a França, por exemplo. Tem mais posse de bola com 55% a 53%, mas os franceses marcaram dois gols mais: 16 a 14. A França finaliza mais (110 a 76) e ainda cria mais chances reais de gols: tem 13,31 xG, enquanto a Argentina tem 11,91 xG. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.