Por que o novo Tiguan é ameaça para os chineses recarregáveis na tomada
13 Jul, 2026
Resumo Desde 2023, montadoras tradicionais no mercado brasileiro vêm perdendo espaço para novas chinesas. E dois segmentos são os principais responsáveis por este fenômeno: hatches elétricos até R$ 150 mil e SUVs médios-grandes híbridos recarregáveis na tomada entre R$ 180 mil e R$ 300 mil. O segundo grupo tira clientes desde modelos médios, como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, até sete-lugares, a exemplo do Commander. Porém, um carro veterano, que acaba de ser lançado em nova geração, pode representar uma ameaça para produtos como Haval H6 e Song Plus. Mesmo custando entre R$ 30 mil e R$ 50 mil a mais que esses dois modelos (que são os chineses híbridos mais vendidos) e sem ter eletrificação. Em seus dois primeiros meses completos de vendas, a terceira geração do Tiguan teve emplacamentos ainda mais significativos que Song Plus e Haval H6 quando estes ainda estavam em início de carreira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e da consultoria Jato Dynamics, o VW teve cerca de 1.200 emplacamentos em maio e pouco mais de mil em junho. Ainda é um número modesto diante das 2.800 unidades do Song Plus e das 3.500 do Haval H6 em junho, mas um grande triunfo para um estreante que custa R$ 300 mil. Mas vale ressaltar que, por o Tiguan vir do México, a tendência é de que o número de exemplares destinados ao Brasil seja bem mais limitado que o dos modelos de origem chinesa. Mesmos mais modestos, os números deixam claro que ainda há espaço para SUVs sem eletrificação no segmento que vem sendo dominado por modelos chineses. E que, com mais unidades disponíveis - o que pode ocorrer, dependendo da demanda -, o Tiguan pode se tornar a pedra de veículos como Song e Haval, que estavam "navegando" com muita tranquilidade nesta categoria. Cautela Vale ressaltar, porém, que ainda é preciso observar esses números iniciais com cautela. São os próximos meses que vão definir se a carreira do Tiguan vai ser realmente promissora. Isso porque havia uma demanda reprimida pelo produto que, na geração anterior, fez grande sucesso no Brasil. O Tiguan, que anteriormente era trazido na versão Allspace (de sete lugares, e não disponível mais na gama atual), conquistou o brasileiro com seu espaço interno, tecnologia, dirigibilidade e motor de 220 cv. No auge, superava facilmente as mil unidades vendidas por mês. Então o carro deixou de ser importado e, quando voltou, com leve reestilização, veio mais fraco, com apenas 184 cv. Além disso, teve a tração integral por demanda substituída pela dianteira. Houve decepção, e o consumidor não aceitou o produto tão bem quanto a versão anterior. Até porque, globalmente, a nova geração já era conhecida, e estava à venda na Europa. Faltava apenas começar a ser produzida no México para chegar ao Brasil. Assim, quando finalmente veio, encontrou uma demanda reprimida de consumidores que aguardavam ansiosamente a chegada do produto. Agora, é observar se, após esse primeiro período, o VW consegue manter o ritmo. Méritos do Tiguan Mas é claro que, para agradar o consumidor que o aguardava, o Tiguan veio com muitos méritos. A tração 4x4 voltou. O desempenho é fundamental e, desta vez, temos um carro com motor 2.0 de 272 cv de potência. Ou seja: ainda mais forte do que antes. De 0 a 100 km/h, são pouco mais de 7 segundos. Além disso, o Tiguan se encaixa perfeitamente ao perfil daquele consumidor que valoriza a boa e velha dirigibilidade alemã, marcada por respostas mais precisas de direção e ajuste de suspensão que não deixa o carro "anestesiado". Nos chineses, o ajuste é mais mole e o prazer ao dirigir não é prioridade. O Tiguan traz coisas que são muito valorizadas pelos clientes que estão aderindo aos SUVs chineses, como ótimo pacote tecnológico (com direito a iluminação personalizável, assistência à condução completa e multimídia com tela imensa, de cerca de 15"). Há ainda amplo espaço interno, teto solar panorâmico e acabamento caprichado (com exceção das portas traseiras). E, claro: não dá para ignorar o tamanho da rede Volkswagen, que ainda tem no Brasil uma cobertura bem maior que de chinesas como GWM, ou mesmo a BYD. Com isso, o Tiguan se mostra o produto ideal para conquistar o consumidor que não faz questão de eletrificação - e também aquele que não quer entrar no universo dos híbridos. Mas há algumas falhas. Falta, por exemplo, a câmera multivisão que vem sendo muito elogiada nos modelos das marcas chinesas - e está disponível até em produtos bem mais baratos. O porta-malas deixa a desejar. Mas, neste aspecto, os compartimentos de Song e Haval também não são grande coisa. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.