‘Celular sem chip’: O jovem inventor que criou telefone sem saldo e acabou esquecido pelo sistema
19 Jul, 2026
A história de Simon Petrus, jovem inventor da Namíbia, ganhou destaque internacional ao mostrar que a inovação nem sempre encontra espaço para crescer. Em 2016, ainda estudante, ele desenvolveu um celular sem chip capaz de realizar chamadas sem a necessidade de créditos, utilizando frequências de rádio para estabelecer comunicação. A invenção chamou a atenção durante uma competição nacional de tecnologia e conquistou o primeiro lugar. No entanto, apesar da repercussão, o projeto não conseguiu avançar para a produção comercial. A combinação entre falta de investimentos, dificuldades financeiras e barreiras regulatórias interrompeu o desenvolvimento da tecnologia. Celular sem chip foi construído com peças recicladas Simon Petrus montou o protótipo utilizando componentes retirados de televisores antigos e telefones descartados. O aparelho dispensava chips convencionais e utilizava frequências de rádio para permitir chamadas gratuitas. Além do telefone, o sistema desenvolvido pelo inventor também integrava outras funcionalidades, como rádio, ventilador e tomada elétrica, todos alimentados pela mesma estrutura. A criatividade do projeto fez do jovem um dos principais destaques da inovação na Namíbia e despertou o interesse de empresas do setor de telecomunicações. Recentemente, um empresário chegou a afirmar que lançaria um novo modelo que também deixaria os chips com os dias contados. Promessas de apoio nunca saíram do papel Após a conquista na competição de inovação, operadoras de telefonia prometeram bolsas de estudo e apoio financeiro para que Simon pudesse aperfeiçoar sua criação. Entretanto, essas iniciativas não avançaram. O inventor enfrentou dificuldades para concluir o ensino básico e perdeu o suporte prometido pelas instituições. Sem novos investimentos, a própria família destinou mais de US$ 2 mil para manter o desenvolvimento do projeto. Mesmo assim, o recurso não foi suficiente para transformar o protótipo em um produto comercial. Burocracia impediu o avanço da tecnologia Outro obstáculo surgiu durante a tentativa de regularizar o funcionamento do celular sem chip. A Autoridade Reguladora de Comunicações da Namíbia (CRAN) não autorizou o uso do espectro de rádio utilizado pela invenção, citando a ausência de registros formais e homologações técnicas. Posteriormente, a agência afirmou que nunca recebeu um pedido oficial para analisar o projeto e informou que poderia orientar o inventor caso ele apresentasse a documentação necessária. Enquanto isso, Simon viu sua criação permanecer fora do mercado. Inventor lamenta oportunidade perdida Anos após desenvolver o protótipo, Simon Petrus continua acreditando no potencial da tecnologia. Em entrevista à imprensa local, ele revelou sua frustração com o rumo do projeto. “Imaginava que, a esta altura, os namíbios estariam usando um telefone celular sem chip.” Apesar das dificuldades, o inventor pretende continuar desenvolvendo suas tecnologias de forma independente. Além disso, ele afirma que prefere permanecer na África, pois teme que suas ideias percam identidade caso sejam levadas para outros países. Caso evidencia desafios da inovação na África A trajetória de Simon Petrus reforça um debate recorrente sobre os obstáculos enfrentados por inventores em países em desenvolvimento. Embora ideias inovadoras despertem interesse inicial, muitos projetos acabam esbarrando na falta de financiamento, na burocracia e na ausência de políticas capazes de transformar protótipos em soluções comerciais. Hoje, o jovem permanece desempregado e vive com os pais enquanto busca investidores privados interessados em desenvolver sua invenção. Sua história continua como um exemplo do potencial criativo existente no continente africano e dos desafios que ainda limitam o crescimento da inovação local.