Airbus e Boeing lideram vendas em feira de aviação; Embraer ganha destaque
24 Jul, 2026
Airbus e Boeing lideram vendas em feira de aviação; Embraer ganha destaque Resumo Termina hoje a FIA (Farnborough International Airshow), em Farnborough, na Inglaterra. Realizada a cada dois anos e alternada com a Paris Air Show, a feira é uma das principais vitrines da indústria aeronáutica mundial e concentra o anúncio de grandes contratos entre fabricantes, companhias aéreas, empresas de leasing e governos. Até o penúltimo dia do evento, Airbus e Boeing concentraram a maior parte dos pedidos anunciados, com centenas de aeronaves negociadas e bilhões de dólares em contratos. A Embraer também vive um grande momento na feira, impulsionada por encomendas de jatos comerciais, avanços na área de defesa e novos passos da Eve Air Mobility no mercado de eVTOLs. Vendas Os anúncios costumam reunir pedidos firmes, que representam compras já contratadas, e opções ou direitos de compra, que permitem ao cliente adquirir aeronaves futuramente nas condições previamente negociadas, mas sem obrigação de concluir o negócio. Por isso, o número de aeronaves potencialmente envolvidas costuma ser superior ao total de encomendas efetivamente confirmadas. A Airbus, por exemplo, contabilizou mais de 150 pedidos firmes e compromissos de compra, número que pode ultrapassar 200 aeronaves caso todas as opções sejam confirmadas. Entre os principais contratos estão a venda de 100 jatos da família A320neo para a SMBC Aviation Capital, 20 A321neo e cinco A330neo para a Flynas, nove A350-1000 para a Philippine Airlines, dez A220-300 para a BermudAir, além de um pedido adicional de seis A350-1000 da Riyadh Air. A Boeing acumulou cerca de 170 pedidos firmes e compromissos durante a feira. Entre os principais anúncios estão a encomenda de 100 jatos 737 MAX pela SMBC Aviation Capital, até 20 Boeing 787-10 para a Philippine Airlines, a compra de quatro 737 MAX 8 e quatro 787-9 Dreamliner pela Uganda Airlines, além de 15 Boeing 787-9 para a AerCap e cinco cargueiros 777-8F destinados à MSC Air Cargo. A Embraer anunciou 30 pedidos firmes, com potencial para chegar a 60 aeronaves caso todas as opções e direitos de compra sejam exercidos. Os contratos incluem 20 E195-E2 para o Abra Group, controlador da Gol e da Avianca, cinco E195-E2 para a espanhola Binter, três E190-E2 para a Luxair e dois E175 para a Fuji Dream Airlines. A fabricante também confirmou acordos ligados ao programa E-Freighter, versão cargueira dos E-Jets convertida a partir de aeronaves de passageiros. Outros destaques da feira incluem a Bombardier, que levou pela primeira vez o jato executivo Global 8000 a Farnborough após a aeronave estabelecer um novo recorde de velocidade entre Los Angeles e o Reino Unido. A fabricante também anunciou uma carta de intenções da saudita The Helicopter Company para uma frota de até 60 jatos executivos de diversos modelos, sendo 12 pedidos firmes e 48 opções de compra. Na aviação de asas rotativas, a Airbus Helicopters fechou contratos para oito H145 destinados à The Helicopter Company e dois H135 para o National Police Air Service do Reino Unido. A italiana Leonardo também confirmou a venda de 11 helicópteros AW139 para a The Helicopter Company, reforçando o aquecimento do mercado civil no Oriente Médio. Durante o evento também são anunciadas outras parcerias e iniciativas, que vão além da feira de aeronaves. Duas delas envolvem o grupo Abra. Uma é a parceria com a Etihad Airways para fortalecer a conectividade entre a América Latina e o Oriente Médio, com benefícios recíprocos entre as empresas, como programas de fidelidade, colaboração comercial e acordos de codeshare. Também foi anunciada a escolha do motor LEAP-1A, da CFM International, para equipar 50 aeronaves da família Airbus A320neo da Avianca (um total de 100 motores adquiridos pelo grupo). Ao mesmo tempo, foi fechado um acordo que inclui motores sobressalentes e serviços de manutenção de longo prazo, abrangendo também a frota de jatos Boeing 737 MAX da Gol. Em tempo, duas curiosidades: o motor custa uma fatia significativa do preço final de um avião e, quando disponível, pode ser adquirido de diferentes fabricantes. O motor LEAP-1A pode passar por um ciclo completo de manutenção dentro do Brasil, nas instalações da GE Aerospace, no Rio de Janeiro, empresa que integra o consórcio CFM International ao lado da Safran Aircraft Engines. Grande momento da Embraer A fabricante brasileira foi um dos principais destaques de Farnborough ao concentrar anúncios em diferentes segmentos da aviação. O maior deles foi o contrato com o Abra Group, que, além das 20 aeronaves confirmadas, prevê dez opções de compra e 15 direitos de aquisição, podendo elevar o negócio para até 45 E195-E2. Na aviação regional, a Embraer ampliou sua presença na Europa com novos pedidos da Binter e da Luxair, reforçando a boa aceitação da família E2 entre companhias que operam rotas de média densidade. Na área de defesa, a fabricante anunciou uma parceria com a americana Anduril para integrar o sistema de cruzeiro de baixo custo Barracuda-500M ao cargueiro militar C-390 Millennium, abrindo caminho para uma inédita capacidade de ataque de longo alcance a partir de cargas paletizadas. A parceria com a fabricante sueca Saab ganhou um reforço histórico com a assinatura do acordo que estabelece as bases industriais para a produção prevista de mais 20 caças F-39 Gripen no complexo de Gavião Peixoto (SP). A cooperação visa preparar as instalações nacionais para suprir tanto a futura demanda brasileira — após o Ministério da Defesa manifestar o desejo de ampliar sua frota para 56 caças — quanto novos contratos de exportação na América Latina. Outro destaque veio da Eve Air Mobility, controlada pela Embraer. A empresa aproveitou a feira para anunciar avanços no processo de certificação internacional de seu eVTOL EVE-100. No Brasil, o tema ganhou força com a abertura, pela Anac, de consultas públicas sobre os requisitos de aeronavegabilidade e certificação de ruído da aeronave, consideradas etapas importantes para a futura entrada do modelo em operação. Feira dita o ritmo da indústria Mais do que uma exposição de aeronaves, a Farnborough International Airshow é considerada um dos principais termômetros da aviação mundial. É durante o evento que fabricantes costumam oficializar negociações conduzidas ao longo de meses, aproveitando a presença simultânea de companhias aéreas, empresas de leasing, fornecedores, investidores e representantes de governos. A edição de 2026 também evidenciou o crescimento da área de defesa dentro da feira. Metade dos cerca de 1.600 expositores atua no segmento militar, que ganhou ainda mais espaço diante do aumento dos investimentos em segurança e dos conflitos em andamento no Leste Europeu e no Oriente Médio. Sistemas autônomos, drones, mísseis e aeronaves militares dividiram espaço com os tradicionais anúncios da aviação comercial. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.