PT transforma convenção de Haddad num palco para Lula

admin
25 Jul, 2026
PT transforma convenção de Haddad num palco para Lula Resumo Estrela da convenção que lançou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, Lula federalizou o evento. Injetou no seu discurso um repto ao presidente argentino Javier Milei, que adornou com sua presença o ato de formação da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Em timbre de desafio, Lula declarou: "Quem vier de fora querendo se meter nas eleições brasileiras, já aviso logo: Vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. O Brasil é soberano." Haddad soou saudoso da época em que o petismo polarizava com o tucanato: "No tempo do PSDB, a gente disputava para ver quem fazia mais para a população". Associou o bolsonarismo, abraçado pelo rival Tarcísio de Freitas, ao retrocesso civilizatório: "Esses caras querem voltar para a Idade da Pedra". Ex-tucano, o vice-presidente Geraldo Alckmin engrossou o coro nacional: "O Brasil já viu o bolsonarismo escancarado. Com o Flávio, o bolsonarismo encurralado. Aqui em São Paulo, o bolsonarismo envergonhado. Mas o que o povo quer é o bolsonarismo derrotado". Alckmin foi ecoado por duas ex-ministras de Lula, candidatas ao Senado na chapa de Haddad. "Do lado de lá, não é um democrata, mas um golpista de plantão, porque tal pai, tal filho", bateu Simone Tebet. "Ele começou a questionar as urnas porque já sente o cheiro da derrota em outubro." Marina Silva criticou o tarifaço de Trump, apelidado de "Tariflávio" pelo petismo. E emendou: "Não podemos abrir mão da democracia, da soberania do enfrentamento das mudanças climáticas". Ao enaltecer o time que reuniu em São Paulo, Lula espinafrou os vínculos milicianos de Flávio Bolsonaro com Adriano da Nóbrega, um ex-PM que, antes de morrer, chefiou o Escritório do Crime, no Rio de Janeiro. "Nessa turma aqui ninguém tem vergonha do que fez na vida. Ninguém nasceu com miliciano, com o crime organizado." Haddad frequenta as pesquisas como candidato favorito a fazer de Tarcísio governador reeleito de São Paulo. Foi empurrado por Lula para o que pode ser o seu quarto infortúnio eleitoral. Perdeu em 2016, quando tentou se reeleger prefeito. Em 2018, com Lula preso, perdeu o Planalto para Bolsonaro. Em 2022, quando parecia favorito, perdeu o governo de São Paulo para Tarcísio, um forasteiro carioca. Lula sabia de antemão que empurrava o amigo para a cova dos leões. Mas deu à empreitada um caráter de "missão". O papel de Haddad é fornecer palanque para o ex-chefe e, no mínimo, repetir em São Paulo o desempenho de 2022, quando perdeu para Tarcísio no segundo turno por 2,4 milhões de votos. Não será uma tarefa simples. No momento, as pesquisas informam que Tarcísio pode prevalecer no primeiro turno, privando Lula de um palanque paulista no segundo round da corrida presidencial. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.