Nissan alerta: se não lançar carros novos, não irá sobreviver

admin
2 Aug, 2026
A Nissan voltou a expor publicamente o tamanho do desafio que enfrenta para recuperar sua competitividade. Depois de anunciar uma ampla reestruturação global, um dos principais executivos da fabricante afirmou que a empresa precisa colocar novos modelos nas ruas muito mais rapidamente. Caso contrário, o futuro da marca estará em risco. A declaração foi dada por Kazuyuki Yamaguchi, vice-presidente corporativo da divisão de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D), durante entrevista ao Automotive News. Segundo o executivo, a Nissan não pode mais manter o ritmo tradicional de desenvolvimento de veículos, considerado lento demais diante das mudanças na indústria. "Precisamos introduzir produtos atraentes no mercado mais rapidamente. Caso contrário, não vamos sobreviver. É uma mensagem muito simples", afirmou Yamaguchi. O executivo explica que o antigo processo de desenvolvimento era excessivamente burocrático e consumia tempo demais. "Antes, o desenvolvimento de produtos era muito democrático, mas também muito demorado. Não temos mais esse luxo. Hoje o processo é mais enxuto, eliminando etapas ineficientes e reduzindo significativamente o cronograma." Nissan quer lançar carros muito mais rápido A principal mudança será justamente no tempo necessário para desenvolver novos veículos. Hoje, um modelo totalmente inédito leva cerca de 52 meses para ficar pronto. A meta da Nissan é reduzir esse prazo para 37 meses, ou até menos. Já os modelos derivados de uma mesma plataforma deverão passar de aproximadamente 50 meses para apenas 30 meses de desenvolvimento. Segundo a empresa, a inspiração vem do chamado "China Speed", expressão usada pela indústria para definir a velocidade com que as montadoras chinesas conseguem desenvolver e lançar novos produtos. Essa aceleração faz parte de uma estratégia mais ampla para simplificar a operação global da fabricante. Entre as metas anunciadas estão a redução do número de plataformas, que passará de 13 para apenas sete até meados da próxima década, além de diminuir em até 70% a complexidade dos componentes utilizados nos veículos. A própria gama de produtos também ficará menor. A Nissan pretende reduzir seu portfólio global de 56 para 45 modelos, organizados em quatro categorias: Heartbeat, Core, Growth e Partner. Renderização do Nissan Skyline 2027 por Motor1.com Foto de: Theophilus Chin | Motor1 Novo Skyline inaugura a nova estratégia De acordo com Yamaguchi, a próxima geração do Skyline, prevista para estrear ainda neste inverno no Japão, foi desenvolvida em apenas 26 meses, tornando-se o primeiro veículo criado dentro da nova filosofia de desenvolvimento da Nissan. O sedã terá um modelo equivalente da Infiniti para o mercado norte-americano, cotado para substituir o atual Q50. Na sequência, a fabricante também prepara o retorno do Xterra, SUV com carroceria sobre chassi que terá missão de ser um modelo de volume na América do Norte. Já a próxima GT-R, o Godzilla, será movido a combustão mas ainda levará vários anos para chegar ao mercado. O mesmo vale para a nova geração do Nissan Z, que não deve ser lançada antes de 2030. Reestruturação vai além dos novos carros A aceleração do desenvolvimento faz parte de um amplo processo de reorganização iniciado pela Nissan neste ano. Além de reduzir o tempo de criação dos novos veículos, a fabricante já anunciou o fechamento de sete fábricas e dois estúdios de design, além do corte de aproximadamente 20 mil funcionários em todo o mundo. A empresa também pretende reduzir sua capacidade global de produção em um milhão de veículos por ano e abandonar a antiga estratégia de perseguir volume de vendas a qualquer custo, priorizando rentabilidade e produtos mais competitivos. As mudanças ocorrem em um momento decisivo para a montadora japonesa, que tenta recuperar sua posição no mercado global diante do avanço das fabricantes chinesas e da crescente velocidade com que novos modelos chegam às concessionárias. E o Brasil? Embora o plano anunciado pela Nissan tenha alcance global, parte dessa estratégia já começa a aparecer nos planos da marca para o mercado brasileiro. A fabricante pretende renovar sua linha aproveitando produtos desenvolvidos em parceria com a chinesa Dongfeng, reduzindo custos e acelerando a chegada de novos modelos. Um dos principais candidatos é o Nissan N7, sedã elétrico desenvolvido na China e apontado como sucessor do Sentra no Brasil. Recentemente, Jorge Moraes, colunista da CNN, revelou que a marca decidiu não importar a nova geração do sedã fabricado no México por entender que ela teria pouca competitividade diante de um segmento cada vez mais dominado por modelos eletrificados. Quem também deve desembarcar por aqui é a Frontier Pro, picape eletrificada apresentada durante o Japan Mobility Show de 2025. O modelo foi mostrado ao Motor1.com Brasil durante o evento e faz parte da estratégia global da Nissan para ampliar a presença de veículos desenvolvidos em parceria com a Dongfeng em mercados como a América Latina. A expectativa é que, no futuro, ela ocupe o espaço deixado pela atual Frontier. Hoje, a picape segue sendo vendida no Brasil apenas com estoques remanescentes da produção argentina, encerrada no fim de 2025. A renovação da linha nacional com produtos de origem chinesa mostra que a estratégia de acelerar o desenvolvimento de novos veículos não deve ficar restrita aos principais mercados da Nissan. Fonte: Automotive News Leia mais Nissan anuncia Ricardo Gondo como novo presidente no Brasil Parceria sim, fusão não: Honda e Nissan terão colaboração no futuro Nissan Versa chega à linha 2027 sem mudanças e fica mais caro; veja preços Nissan Altima pode ser a próxima vítima da crise financeira da marca