Mais rápido que Bolt: robô humanoide chinês corre 100 m em tempo recorde nos Jogos de Pequim
26 Aug, 2026
Um robô humanoide chinês correu os 100 metros em 8,86 segundos nesta terça-feira (25), em Pequim, superando o recorde mundial masculino de Usain Bolt, de 9,58 segundos, estabelecido em 2009. A marca foi cravada pelo Tiangong Ultra, desenvolvido pelo Beijing Humanoid Robot Innovation Center, durante os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides (WHRG), realizados no National Speed Skating Oval da capital chinesa. O resultado representa uma evolução expressiva em relação à própria trajetória do robô: no sábado anterior (22), o mesmo Tiangong Ultra já havia surpreendido ao completar a distância em 9,39 segundos e, na edição inaugural da competição, há um ano, precisou de 21,5 segundos para cruzar a linha de chegada. Por que o feito chama atenção da indústria de tecnologia? O salto de desempenho em tão pouco tempo é visto como termômetro do avanço da robótica humanoide chinesa. Em apenas 12 meses, a velocidade da máquina mais que dobrou. O evento reúne mais de 2 mil robôs de centenas de equipes, representando dezenas de países. Além da corrida de velocidade, a competição inclui 51 modalidades, entre futebol, dança, boxe e tarefas industriais, um retrato do investimento estatal chinês no setor. Outro destaque da disputa é o Lightning, robô da fabricante de smartphones Honor, que também ficou abaixo da marca de Bolt ao completar a prova em 9,47 segundos na etapa anterior. Em treino preparatório, a máquina chegou a registrar 9,32 segundos, atingindo velocidade de pico de 14,5 metros por segundo, o equivalente a 52,2 km/h. Um robô consegue mesmo superar um humano em velocidade? Sim, ao menos dentro das condições controladas da competição. Os tempos alcançados pelo Tiangong Ultra e pelo Lightning ficam abaixo do recorde humano oficial, mas a marca não é reconhecida pelo atletismo mundial, já que pertence a uma categoria distinta, específica para máquinas. Especialistas destacam que a comparação direta tem limites: os robôs são otimizados para uma única tarefa, correr em linha reta, em pista plana e sem os fatores fisiológicos que limitam o corpo humano. Velocidade sem controle: o outro lado da história Apesar do avanço, a competição também expôs fragilidades. Em edições anteriores da prova, parte dos robôs não conseguiu reduzir a velocidade a tempo após cruzar a linha de chegada, colidindo contra barreiras de proteção montadas ao fim da pista. O episódio reforça que, para a robótica humanoide, acelerar é apenas uma etapa do desafio. Frenagem, equilíbrio e resposta a imprevistos ainda são pontos críticos para que esses robôs possam operar fora de ambientes controlados, como fábricas, ruas ou residências. Os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides seguem até esta quarta-feira (26) em Pequim, com novas provas e apresentações. O evento é acompanhado de perto por investidores e empresas do setor: nesta mesma semana, a divisão de robótica da fabricante XPeng anunciou uma captação bilionária, sinalizando que a corrida tecnológica em torno dos humanoides está apenas começando.