Intel deve participar do supercomputador do governo federal, revela executivo
5 Sep, 2026
A Intel informou ao Mobile Time que deve colaborar com o desenvolvimento do supercomputador do governo federal. Em conversa recente com o Mobile Time, Tiago Rubortone Velasque, gerente de contas e especialista em soluções técnicas para empresas e governo na companhia para a América Latina, afirmou que a Intel pode participar do leilão por meio de apoio técnico ao governo e com equipamento via parceiros, explica Tiago Rubortone Velasque. Embora o equipamento tenha forte carga de trabalho em placas gráficas (GPUs), suas unidades de processamento (CPUs) também terão papel preponderante. O executivo reforçou que o treinamento de modelos de fundação de inteligência artificial é uma atividade bem concentrada nas GPUs. Mas o avanço para mais aplicações de IA — em especial a IA agêntica — demandará um consumo massivo de CPUs para orquestrar os aceleradores e os agentes, assim como trazer viabilidade financeira. Especificamente, Velasque explicou que a empresa pode assessorar o governo tecnicamente ao trazer tendências mundiais e casos de uso que podem ser aplicados no supercomputador. Reforçou ainda que “há espaços para ofertas Intel no pregão público do supercomputador”. Vale dizer que a companhia não faz vendas diretas no Brasil ao cliente final, mas realiza as ofertas por meio de seus parceiros, como Dell, HP e Lenovo. Importante recordar, o governo federal lançou no último dia 20 de agosto a segunda fase do PBIA com um edital de R$ 1 bilhão para a aquisição de um supercomputador de 7,2 mil petaflops que será usado em pesquisas e processamento de IA e novos modelos. Em conversa com Mobile Time no último dia 25 de agosto, a ministra da Gestão, Inovação e Serviços Digitais (MGI), Esther Dweck, explicou que o chamamento do HPC governamental é aberto a multinacionais e empresas estrangeiras. Com previsão de instalação no Rio Grande do Norte para fomentar o desenvolvimento tecnológico regional, a máquina de alto desempenho estatal será administrada pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) que controla atualmente outro supercomputador, o Santos Dumont em Petropólis/RJ. IA no Brasil com a Intel O gerente da Intel também foi questionado sobre o posicionamento da empresa no mercado brasileiro corporativo, especialmente com o avanço da IA. O especialista afirmou que o momento principal é de migração gradual da demanda dos grandes data centers e da nuvem em direção à computação em borda (edge computing). Essa tecnologia permite a adoção daquilo que Velasque chama de “IA híbrida”, um modelo tecnológico que viabiliza o processamento da inteligência artificial no dispositivo, sendo que os data centers ou a nuvem são acionados apenas quando há necessidade de maior poder computacional. Isso tem como vantagem o processamento imediato de uma tarefa e a privacidade com dados retidos localmente. Atuando fortemente nos setores de energia, governo, mercado financeiro, operadoras e computação de alto desempenho, o executivo explicou que as empresas de finanças são um dos segmentos mais maduros nesse cenário por possuírem processos consolidados de coleta, tratamento e análise de dados. Contudo, destacou que o ponto principal para essas empresas é entender como obter vantagem real e extrair valor da inteligência artificial. Além disso, explicou que esse movimento é gradual por haver desafios técnicos nas empresas, como: - A complexidade técnica ao adaptar um modelo de IA, fazer o fine-tuning, criar guardrails e rodar localmente — um regime bem diferente de consumir uma API em nuvem —, o que é amenizado com a adoção de funções nativas no equipamento, como o desfoque de câmeras e a integração do Copilot ao Windows; - A defasagem de hardware, uma vez que computadores com processadores de última geração têm uma lacuna de três a seis meses para chegar ao Brasil, como acontece atualmente com os PCs com Intel Core Ultra série 3 com unidade neural (NPU) dedicada que estão chegando ao país; - O ciclo de atualização lento no parque de PCs corporativos brasileiro, que demora de cinco a sete anos para a renovação de máquinas, atrasando a adoção massiva por máquinas aptas para IA na ponta. Crise de memórias Sobre a atual crise de memórias, Velasque relatou que a Intel está inserida e é impactada pela falta dos componentes, mas tem conseguido coordenar a cadeia de suprimentos para que os chips cheguem de forma equilibrada aos parceiros que fabricam hardware, evitando a falta de insumos para a manufatura de equipamentos. Imagem principal de arquivo: Forja de chips em fábrica da Intel (Crédito: Intel)